sexta-feira, julho 09, 2010

Amar Alfama

Alfama é o mais antigo e um dos mais típicos bairros da cidade de Lisboa. Abrange as freguesias de São Miguel, Santo Estêvão e São Vicente de Fora. O seu nome deriva do árabe al-hamma, que significa banhos ou fontes.
As vistas mais espectaculares de Alfama obtêm-se dos miradouros das Portas do Sol e de Santa Luzia. Acima de Alfama e envolvendo-a ficam, a colina do Castelo de São Jorge e a colina de São Vicente. Para além do Castelo, os principais monumentos da zona são a Sé, a Igreja de Santo Estêvão e a Igreja de São Vicente de Fora.
Alfama é um bairro popular. Assemelha-se a uma antiga aldeia na qual todas as pessoas se conhecem e se cumprimentam diariamente. O bairro é conhecido pelos seus restaurantes e casas de fado, assim como pelos festejos dos Santos Populares, em especial na noite de Santo António, de 12 para 13 de Junho.
Durante o domínio muçulmano, poder-se-ia falar de uma Alfama do Alto, mais aristocrática, situada dentro da Cerca Moura, na parte oriental da actual freguesia da Sé, que comunicaria pela Porta de Alfama ou de São Pedro (na actual rua de São João da Praça) com uma Alfama do Mar, arrabalde popular.
Com o domínio cristão a designação Alfama foi-se alargando mais para leste, dentro dos limites da Cerca Nova ou Cerca Fernandina, passando para lá do Chafariz de Dentro.
Este bairro foi outrora o mais agradável da cidade. As origens do declínio surgiram na Idade Média, quando os residentes ricos se mudaram para o oeste, deixando o bairro para uma população de pescadores e marinheiros.
Os prédios resistiram ao terramoto de 1755. Apesar de já não existirem casas mouriscas, o bairro conserva um pouco do ambiente árabe, com as suas ruelas, escadarias e roupa a secar nas janelas. As áreas mais arruinadas estão a ser restauradas e a vida desenvolve-se em volta das pequenas mercearias, bares e tabernas.
Graças a um número significativo de nascentes com um caudal de alguma importância, Alfama era, antes da construção do Aqueduto das Águas Livres, a zona de Lisboa com menos problemas de falta de água. As águas de Alfama ou Águas Orientais foram introduzidas em 1868 na rede de abastecimento público de Lisboa com a construção no local do antigo Chafariz da Praia de uma cisterna que recolhia a água . Ainda hoje subsistem os seguintes chafarizes: Chafariz de El-Rei e o Chafariz de Dentro.
Algumas das águas que ali existiam tinham temperaturas elevadas (nalguns casos acima dos 20 °C), chegando mesmo a ser classificadas, em finais do século XIX, como águas minero-medicinais. Foram exploradas, por isso, pelo menos desde o século XVII como banhos públicos ou alcaçarias, que se mantiveram em actividade até às primeiras décadas do século XX.
Aprecie, agora, a apresentação que escolhi para hoje e que mostra alguns dos aspectos mais tipicos deste bairro popular.

quinta-feira, julho 08, 2010

Adeus Tila

HISTÓRIA DO SR. MAR
Deixa contar...
Era uma vez
O senhor Mar
Com uma onda...
Com muita onda...

E depois?
E depois...
Ondinha vai...
Ondinha vem...
Ondinha vai...
Ondinha vem...
E depois...

A menina adormeceu
Nos braços da sua Mãe...
Matilde Rosa Araújo, O Livro da Tila



Matilde Rosa Lopes de Araújo (Lisboa -1921 - 6 de Julho de 2010) foi uma escritora portuguesa, especializada em literatura infantil.
Licenciou-se na Faculdade de Letras, da Universidade Clássica de Lisboa, em 1945. Foi professora do Ensino Técnico-Profissional e formadora de professores na Escola do Magistério Primário de Lisboa.
Escreveu livros de contos e de poesia para adultos e mais de duas dezenas de livros de contos e poesia para crianças (O Livro da Tila – poemas para crianças, 1986; O Palhaço Verde – novela infantil, 1984; História de um Rapaz – conto infantil, 1986 ; O Cantar da Tila – poemas para a juventude, 1986; O Sol e o Menino dos Pés Frios – contos, 1986; O Reino das Sete Pontas – novela infantil, 1986 ; Os Quatro Irmãos – 1983; História de uma Flor – conto infantil; O Sol Livro – textos para o ensino, 1976; Os Direitos da Criança, Unicef, 1977; O Gato Dourado – contos infantis, 1985 ; As Botas de Meu Pai – contos infantis,1981; Camões, Poeta Mancebo e Pobre, 1978; Baladas das Vinte Meninas – poema infantil, 1978; Joana-Ana – conto infantil, 1981 ; A Escola do Rio Verde, 198l;etc.
Dedicou-se à defesa dos direitos das crianças através da publicação de livros e de intervenções em organismos com actividade nesta área, como a UNICEF em Portugal.
Em 1980, recebeu o Grande Prémio de Literatura para Crianças, da Fundação Calouste Gulbenkian, e o prémio para para o melhor livro infantil, pela mesma fundação, em 1996, pelo seu trabalho Fadas Verdes (livro de poesias de 1994).

Ainda da Tila, deixo aqui mais algumas palavras:


"Escrevo à mão... gosto de fazer letra. Gosto de desenhar a letra.
A letra tem uma beleza como a palavra tem uma música.
Um dia na escola da Calçada do Combro fiz uma sessão na Biblioteca. Brincávamos com as palavras. Eu perguntava quais eram as palavras mais bonitas. E uma aluna, magrinha, com umas olheiras até aqui, voltou-se para mim e disse:
"A palavra mais linda é "vosselência""!
Matide Rosa Araújo

quarta-feira, julho 07, 2010

Tocar pela Paz

A guerra civil entre o Norte e o Sul do Sudão foi uma das maiores guerras civis registadas nos últimos anos. Mais de dois milhões de pessoas morreram.
Agora a violência voltou, de novo, a aumentar no sul do Sudão. Há o perigo de que as violações dos direitos humanos e a guerra regressem.
Em Janeiro de 2011, daqui a um ano, vai acontecer um referendo para determinar o futuro do Sudão. Assim, há organizações não governamentais que estão a unir esforços, no sentido de apelar aos líderes internacionais, para agir urgentemente no sentido de prevenir o regresso desta horrível violência.
A Plataforma por Darfur (www.pordarfur.org) integra uma série de organizações com preocupações humanitárias para com as pessoas que sofrem naquele país e naquela região. Há quase 3 anos que organizam campanhas de sensibilização para que o Darfur não fique esquecido.
Durante este ano, promovem uma acção global chamada «Sudan 365», que é uma campanha de sensibilização à escala mundial. O objectivo é alertar para o drama que ainda se vive no Darfur, e sobretudo para o referendo que terá lugar no próximo ano e, muito provavelmente, poderá dar origem a uma separação entre o norte e o sul do Sudão. Uma das iniciativas desta grande campanha «Sudan 365» é a produção e a divulgação do vídeo «A Beat for Peace» (uma batida pela paz). Esta foi a forma que encontraram de dar voz a quem não tem voz.
Aqui fica o vídeo, A Beat for Peace, que conta com a participação de músicos de várias partes do mundo.

terça-feira, julho 06, 2010

Os Jardins da Rainha

Neste tempo de calor intenso proponho-lhe um passeio refrescante pelos Jardins da Rainha na Tailândia. Aprecie a beleza das flores em especial das orquídeas.As orquídeas pertencem a uma das maiores famílias de plantas existentes. Apresentam muitas e variadas formas, assim como cores e tamanhos. Existem em todos os continentes com excepção da Antárctida, embora predominem nas áreas tropicais. As orquídeas crescem sobre as árvores, usando-as como apoio para procurar luz. Não são, contudo, parasitas.
São usadas sobretudo como ornamento. Contudo, a produção de baunilha é feita a partir dos frutos de algumas espécies de orquídeas.
A grande maioria das orquídeas apresenta flores pequenas e folhagem pouco atractiva. Mas, o formato intrigante de algumas das suas flores acaba por ser muito chamativo.
As orquídeas têm despertado interesse, como nenhuma outra família de plantas, em coleccionadores, pintores, arquitectos paisagistas, escritores (Rex Stout) e poetas.

segunda-feira, julho 05, 2010

Melody

Melody Gardot (Filadélfia,Pensilvânia - Fevereiro de 1985) é uma cantora e compositora de jazz. Esta cantora é influenciada pelo blues e jazz, de Janis Joplin, Miles Davis, Duke Ellington e George Gershwin e pela música latina de Stan Getz e Caetano Veloso.
O último álbum de originais de Melody Gardot (editado em Maio do ano passado), My one and only thrill, alcançou o 2º lugar no top da categoria, nos E.U.A. e o 12º lugar no top inglês.
Este disco, consolidou-a como uma das vozes mais importantes e sonantes do jazz actual.
Budista e cozinheira de macrobiótica, Melody Gardot encanta pelo timbre único da sua voz, em composições da sua própria autoria, inspiradas em grandes nomes da música norte-americana, como Judy Garland, Miles Davies ou Duke Ellington.
Ouça-a agora em Worrisome Heart ou clicando aqui para ouvir Sweet Memory.

domingo, julho 04, 2010

Em Lisboa com Cesário Verde

Nesta cidade, onde agora me sinto

mais estrangeiro do que os gatos persas;

Nesta Lisboa, onde mansos e lisos

os dias passam a ver as gaivotas,

e a cor dos jacarandás floridos

se mistura à do Tejo, em flor também,

só o Cesário vem ao meu encontro,

me faz companhia, quando de rua

em rua procuro um rumor distante

de passos ou aves, nem eu sei já bem.

Só ele ajusta a luz feliz dos seus

versos aos olhos ardidos que são

os meus agora; só ele traz a sombra

dum verão muito antigo, com corvetas

lentas ainda no rio, é a música,

o sumo do sol a escorrer da boca,

ó minha infância, meu jardim fechado,

ó meu poeta, talvez fosse contigo

que aprendi a pesar sílaba a sílaba

cada palavra, essas que tu levaste

quase sempre, como poucos mais,

à suprema perfeição da língua.
Eugénio de Andrade

sábado, julho 03, 2010

Carinhoso

Carinhoso é uma das obras mais importantes da música popular brasileira. Foi composta entre 1916 e 1917 por Pixinguinha. Posteriormente, João de Barro (Braguinha) fez a letra desta canção. Tem sido gravada com grande sucesso por muitos artistas da MPB, como: Elis Regina, Orlando Silva, João Gilberto e Marisa Monte.
Alfredo da Rocha Viana Filho, conhecido como Pixinguinha é considerado um dos maiores compositores da música popular brasileira. Com o seu talento contribuiu directamente para que o choro encontrasse a sua forma musical definitiva. Quando compôs Carinhoso, entre 1916 e 1917 e Lamentos em 1928, que são considerados alguns dos choros mais famosos, Pixinguinha foi criticado porque essas composições foram consideradas como tendo uma inaceitável influência do jazz. Hoje em dia, podem ser vistas como avançadas demais para a época. No Brasil, o dia 23 de Abril é o Dia Nacional do Choro. Trata-se de uma homenagem ao nascimento de Pixinguinha e à sua importância enquanto músico.
Assista agora, à excelente interpretação desta canção nas vozes de Paulinho da Viola e Marisa Monte. Se quiser pode acompanhar a música com a letra que se encontra abaixo do vídeo.


Meu coração, não sei por que
Bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas mesmo assim
Foges de mim

Ah se tu soubesses como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim

Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor dos lábios meus a procura dos teus
Vem matar essa paixão que me devora o coração
E só assim então serei feliz
Bem feliz

Ah se tu soubesses como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim

Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor dos lábios meus a procura dos teus
Vem matar essa paixão que me devora o coração
E só assim então serei feliz

sexta-feira, julho 02, 2010

Uma arma de sedução

Há quem diga que os leques foram inventados na China. Outros afirmam que a sua criação partiu do Egipto antigo. Contudo, parece que surgiram em diferentes partes do mundo ao mesmo tempo, sendo o seu uso tão antigo quanto a existência do homem.
Os leques mais antigos eram enormes, não podiam ser fechados e quem os movimentava eram os escravos. Na época dos descobrimentos, os portugueses trouxeram do Japão a novidade dos leques retrácteis, que logo se espalhou pela Europa, invadindo a França. Tomaram conta da corte e dos salões e inspiraram poetas e pintores. Nessa época os leques eram presos à cintura por delicadas e artísticas correntinhas.
Uma coisa é certa: o leque é sinónimo de leveza, de classe e de muita sensualidade.
É somente no século XVII que o leque ganha a forma com a qual é conhecido até hoje. Torna-se não apenas um instrumento utilitário como uma espécie de vitrine para expressar os gostos de uma época. A partir dessa altura introduzem-se elementos novos e materiais nobres e caros no seu fabrico: relevos, incrustações, pedras preciosas, tecidos italianos e metais preciosos, etc. Alguns destes leques são autênticas obras de arte.
Os leques ao longo da história tiveram, também, diversos formatos. Os leques mais antigos eram feitos de penas, folhas ou pergaminho. Com o passar do tempo, também passou a ser utilizado o tecido, a renda, ou a seda, sendo estas bases pintadas, bordadas com lantejoulas ou com fios dourados ou prateados. Um leque comum é composto por duas partes básicas. Uma é a armação que é uma base rígida, composta por hastes que se sobrepõem, que ao ser movimentada o abre e o fecha. Outra parte é a folha, feita de tecido colado à base. A área da folha pode variar de tamanho dependendo do tipo de leque. Os leques podem ser classificados em diferentes tipos, dependendo de sua decoração. Há-os que só são decorados de um lado e outros dos dois lados (dupla face). Há também os que têm as hastes trabalhadas e os que as têm simples. Há leques com a folha grande e outros com ela bem reduzida. Há leques que não têm esta parte, sendo constituídos apenas pelas hastes, por isso, são chamados leques de baralho. Os leques tradicionais têm, hoje, cerca de 23 cm. Mas existem também os de bolso, que no século XIX eram os mais utilizados pelos homens. É preciso não esquecer que no seu período áureo, os leques eram acessório utilizado tanto por homens como por mulheres.
Todas as sociedades têm suas regras. Em todas as sociedades, as pessoas procuram maneiras de contornar essas regras sem ficarem mal diante dos demais. O leque tornou-se num adereço que serviu não só para quebrar regras ou para as contornar, mas também se tornou numa forma de comunicação. É que há momentos em que as palavras podem não ser o código mais adequado. Assim, o uso do leque permitiu a criação de uma linguagem própria: a linguagem do leque. Esta servia para enviar mensagens de forma muito discreta. A linguagem do leque, nasceu, segundo se pensa, na corte francesa do século XVIII. Foi na França, nas cortes dos reis Luis XIV e Luis XV, que o leque teve seu período áureo. Nesta época tornou-se um complemento indispensável no vestuário das grandes damas.
O leque não exercia, somente, a função de refrescar.
Era portanto, também, fonte de linguagem codificada entre as damas e os cavalheiros. Eis alguns exemplos:
Amo-te - Esconder os olhos com o leque aberto.
Aproxime-se - Andar com o leque, conduzindo-o aberto na mão esquerda.
Quando nos veremos? Leque aberto no colo.
Não me esqueça - Tocar o cabelo com o leque fechado.
Adeus - Abrir e fechar o leque.
Sim - Apoiar o leque no lado direito do rosto.
Não - Apoiar o leque no lado esquerdo do rosto.

O leque é simultaneamente um instrumento utilitário e um adereço. Com a popularização da eletricidade, surgiram os ventiladores, que acabaram por substituir os leques na função de nos refrescar. A era dos leques enquanto utilitários chega ao fim nos anos 30. Mas, mesmo nos dias de hoje, em alguns países – e em ocasiões especiais – continua a ser um acessório indispensável e é visto como sinónimo de elegância.
Este post pretendeu mostrar a aura de sedução e mistério que envolvia e envolve este acessório e homenagear as mulheres. Não podemos deixar de salientar os códigos, os truques e a linguagem gestual que estava associada ao leque e que elas usavam, como autênticos biombos do olhar.

quinta-feira, julho 01, 2010

Auto-retrato

Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.
Natália Correia

quarta-feira, junho 30, 2010

O Reservatório da Patriarcal

O Reservatório da Patriarcal é mais um dos núcleos do Museu da Água em Lisboa. Foi projectado, em 1856, pelo engenheiro francês Mary e construído entre 1860 e 1864. Foi em tempos passados o reservatório mais importante na rede de distribuição de água, da baixa lisboeta. Situado debaixo do Jardim do Príncipe Real, tinha capacidade para 880 m3 de água e era uma enorme cisterna em alvenaria, com planta octogonal. Possuia 31 pilares de 9, 25 metros de altura rematados por abóbadas e era abastecido pelo Aqueduto das Águas Livres. Do reservatório da Patriarcal saíam três galerias: uma que entroncava na Galeria do Loreto; outra em direcção à Rua da Alegria, onde se ligava ao sistema do Alviela (desde 1883) e por fim outra galeria em direcção à Rua de São Marçal que abastecia a parte ocidental da cidade. No exterior o reservatório tem um lago com repuxo. Este reservatório funcionou até aos anos 40, do século XX. Em 1994 o reservatório foi recuperado e adaptado para espaço cultural pelo arquitecto Varandas Monteiro.
Hoje em dia é palco de várias iniciativas culturais, nomeadamente espectáculos, exposições de fotografia e escultura. O projecto de recuperação do Reservatório da Patriarcal foi distinguido com o Prémio Eugénio dos Santos.
Veja agora mais um episódio de Lisboa Debaixo de Terra que mostra e fala de mais este espaço de cultura em Lisboa.


terça-feira, junho 29, 2010

S.Pedro

Hoje dia de S. Pedro encerra-se o ciclo das festas dos santos populares.
O momento mais importante da festa deste santo popular ocorre na noite de 28 para 29 de Junho. Nesta noite canta-se, dança-se e comem-se sardinhas assadas à volta das fogueiras, num ambiente de folguedos e alegria que se prolonga pela noite dentro. Os principais protagonistas destes festejos são os vários bairros populares das cidades portuguesas ou as localidades que têm S. Pedro como santo padroeiro. Aí se organizam os tronos, os bailes e as actuações das rusgas.
Contudo, esta é talvez a devoção festiva menos celebrada.
Pedro (século I a.C., Betsaida, Galiléia — cerca de 67 d.C., Roma) foi um dos doze apóstolos de Jesus Cristo, de acordo com o Novo Testamento. Antes de se tornar apóstolo era conhecido como Simão e era pescador. São Pedro foi o primeiro Bispo de Roma, sendo por isso o primeiro Papa da Igreja Católica. Segundo a Bíblia, Cristo mudou o nome de Simão para Pedro, que em aramaico significa "pedra"ou "rocha".
A sua vida continua a ser objecto de investigação e o túmulo deste santo está localizado na Basílica de São Pedro no Vaticano. A descoberta do mesmo é recente (em 1950), após anos de meticulosa investigação.

Rusga, trono e fogueira
Só assim é tradição
Só assim é que há S. Pedro
É esta a nossa razão.

segunda-feira, junho 28, 2010

Campeões





Este vídeo é espantoso. Mostra os vencedores da medalha de ouro de ginástica rítmica (categoria de homens), de 2009, da Universidade Japonesa de Aomori.
Observe a sincronia dos participantes e pense na disciplina e nas horas de trabalho que esta apresentação sem falhas requer.


domingo, junho 27, 2010

O que significará tudo isto?

Sabia que:

  • Se o MySpace fosse um país ocuparia o 11º lugar?

  • Estamos a preparar estudantes para profissões que ainda não existem?

  • A quantidade de informação gerada num ano é maior do que a acumulada nos últimos 5000 anos?

  • Vivemos na chamada era da Sociedade da Informação que encontra as suas raízes nas inovações impostas pelas novas tecnologias. Esta é uma era de incertezas, de interrogações, de novas oportunidades mas também de novas ameaças. Proponho-lhe que assista ao vídeo que foi enviado aos executivos da IBM, como mensagem de fim de ano. Dá-nos informações espantosas, levanta dúvidas e suscita reflexões importantes. Não perca!

sábado, junho 26, 2010

O Relógio

Passa, tempo, tic-tac
Tic-tac, passa, hora
Chega logo, tic-tac
Tic-tac, e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac
Tic-tac
Tic-tac…
Vinícius de Moraes

sexta-feira, junho 25, 2010

Se um elefante...

Um elefante fugiu do circo quando estava a ser carregado para um camião e passeou-se, durante mais de uma hora, calma e tranquilamente, pelas ruas de Zurique.
Sabu (de 26 anos), uma paquiderme de três toneladas, queria passar um Domingo diferente. Primeiro, passeou-se pelas principais avenidas do centro da cidade depois, resolveu também dar um breve e refrescante mergulho no Lago Zurique.
Acabou por ser capturada quando se encontrava perto de uma entrada da auto-estrada.
A rotina de Zurique alterou-se e a visão de um elefante de 3 toneladas à solta, provocou arrepios a alguns Suíços. Ora veja!

quinta-feira, junho 24, 2010

Um Novo Talento

Depois de Paul Potts e Susan Boyle, chegou a vez no Britain's Got Talent, da espantosa avózinha Janey Cutler, de 81 anos.
Esta escocesa é uma das finalistas deste programa e deixou os jurados de queixo caído!
Foi descoberta durante a passagem do programa por Glasgow. Janey começou a cantar aos seis anos, mas parou durante mais de quatro décadas. Nos últimos 30 anos, tem-se apresentado, regularmente, em pubs locais e pequenos eventos.
Veja-a, aqui em Maio, na sua versão de “Je Ne Regrette Rien”, de Edith Piaf.

quarta-feira, junho 23, 2010

E se fosse um copo de café?





A propósito do derrame de petróleo no Golfo do México, o que aconteceria se os empregados da BP entornassem um copo de café??? Dá que pensar este vídeo.
Uma paródia genial.
Não perca!

terça-feira, junho 22, 2010

Águas de Março

Elis Regina foi uma cantora brasileira. De morte trágica e prematura, deixou vasta e brilhante obra na música popular brasileira. Foi apelidada por Vinícius de Moraes com o nome de Pimentinha.
É considerada por boa parcela de músicos e público como uma das maiores cantoras de todos os tempos da MPB. Assista à interpretação de Águas de Março, de Tom Jobim, imortalizada pela genial Elis! Não perca esta canção fabulosa na voz da Pimentinha. Se quiser, pode-a seguir com a letra, que aqui também deixo.

É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba do campo, é o nó da madeira
Caingá, candeia, é o Matita Pereira

É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento ventando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira

É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto o desgosto, é um pouco sozinho

É um estrepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É uma ponta, é um ponto, é um pingo pingando
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manhã, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama

É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato, na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração

É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terçã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração


segunda-feira, junho 21, 2010

Ikebana

Ikebana é a arte japonesa de arranjos florais.
Esta arte floral teve a sua origem na Índia onde os arranjos eram destinados a Buda. No entanto, foi a cultura nipônica que a deu a conhecer ao mundo.
Em contraste com a forma decorativa dos arranjos florais que prevalecem nos países ocidentais, o arranjo floral japonês cria uma harmonia de construção linear, ritmo e cor. Os ocidentais tendem a pôr ênfase na quantidade e colorido das flores, dedicando a maior parte da sua atenção à beleza das corolas. Os japoneses pelo seu lado, enfatizam os aspectos lineares do arranjo. A arte foi desenvolvida de modo a incluir o vaso, os caules, as folhas e os ramos para além das flores.
A estrutura de um arranjo floral japonês baseia-se em três pontos principais que simbolizam o céu, a terra e a humanidade, embora outras estruturas sejam adoptadas em função do estilo e da escola seguida.
Repare na beleza e simplicidade de alguns destes arranjos florais através da apresentação que se segue.

domingo, junho 20, 2010

Fala do Velho do Restelo ao Astronauta

Aqui, na Terra, a fome continua,
A miséria, o luto, e outra vez a fome.

Acendemos cigarros em fogos de napalme
E dizemos amor sem saber o que seja.
Mas fizemos de ti a prova da riqueza,
E também da pobreza, e da fome outra vez.
E pusemos em ti sei lá bem que desejo
De mais alto que nós, e melhor e mais puro.

No jornal, de olhos tensos, soletramos
As vertigens do espaço e maravilhas:
Oceanos salgados que circundam
Ilhas mortas de sede, onde não chove.

Mas o mundo, astronauta, é boa mesa
Onde come, brincando, só a fome,
Só a fome, astronauta, só a fome,
E são brinquedos as bombas de napalme.
José Saramago

sábado, junho 19, 2010

Intimidade

No coração da mina mais secreta,
No interior do fruto mais distante,
Na vibração da nota mais discreta,
No búzio mais convolto e ressoante,

Na camada mais densa da pintura,
Na veia que no corpo mais nos sonde,
Na palavra que diga mais brandura,
Na raiz que mais desce, mais esconde,

No silêncio mais fundo desta pausa,
Em que a vida se fez perenidade,
Procuro a tua mão, decifro a causa
De querer e não crer, final, intimidade.
José Saramago

sexta-feira, junho 18, 2010

Adeus, Saramago...

Como não há palavras para falar de Saramago, deixo aqui algumas das suas frases e recordo os livros que publicou.
Sugiro-lhe também que, clique aqui e reveja uma curta metragem, postada neste blogue, que teve como base o conto de José Saramago " A Maior Flor do Mundo". É um excelente filme de animação, narrado pelo Nobel da Literatura e que fala de um mundo dilacerado pelo desespero, pela falta de esperança e de ideais.

Gostar é provavelmente a melhor maneira de ter, ter deve ser a pior maneira de gostar.
José Saramago

Se tens um coração de ferro, bom proveito.
O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia.
José Saramago


É ainda possível chorar sobre as páginas de um livro, mas não se pode derramar lágrimas sobre um disco rígido
José Saramago, Nobel de literatura em 1998

Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais.
José Saramago

Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro.
José Saramago

Para temperamentos nostálgicos, em geral quebradiços, pouco flexíveis, viver sozinho é um duríssimo castigo
José Saramago

Não tenhamos pressa,
mas não percamos tempo.
José Saramago

O que as vitórias têm de mau é que não são definitivas. O que as derrotas têm de bom é que também não são definitivas.
José Saramago

Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.
José Saramago

Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.
José Saramago

O espelho e os sonhos são coisas semelhantes, é como a imagem do homem diante de si próprio.
José Saramago

Cada dia traz sua alegria e sua pena, e também sua lição proveitosa
José Saramago

Fisicamente, habitamos um espaço, mas, sentimentalmente, somos habitados por uma memória.
José Saramago

Os lugares-comuns, as frases feitas, os bordões, os narizes-de-cera, as sentenças de almanaque, os rifões e provébios, tudo pode aparecer como novidade, a questão está só em saber manejar adequadamente as palavras que estejam antes e depois.
José Saramago

Há ocasiões que é mil vezes preferível fazer de menos que fazer de mais, entrega-se o assuntto ao governamento da sensibilidade, ela, melhor que a inteligência racional, saberá proceder segundo o que mais convenha à perfeição dos instantes seguintes.
José Saramago

"Há esperanças que é loucura ter. Pois eu digo-te que se não fossem essas já eu teria desistido da vida."
José Saramago em Ensaio Sobre a Cegueira.

O tempo é uma superfície oblíqua e ondulante que só a memória é capaz de fazer mover e aproximar.
José Saramago - O Evangelho segundo Jesus Cristo

Ao primeiro romance de Saramago, "Terra do Pecado" (1947) segue-se "Os Poemas Possíveis" (1966). Depois: "Provavelmente Alegria" (1970), "Deste Mundo e do Outro"(1971),"A Bagagem do Viajante"(1973), "O Ano de 1993" (1975) e "Manual de Pintura e Caligrafia (1977). Nos anos 1980 publica: "Levantado do Chão", "Que farei com este Livro?", "Viagem a Portugal", o "Memorial do Convento", "O Ano da Morte de Ricardo Reis", "A Jangada de Pedra", "A Segunda Vida de Francisco de Assis" e a "História do Cerco de Lisboa". "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" foi galardoado em 1992 com o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores. Em 1993, "In Nomine Dei" recebia o Grande Prémio de Teatro da Associação Portuguesa de Escritores.
Os "Cadernos de Lanzarote "saem em 1994 (Diário I) e 1995 (Diário II) e ainda em 1996 e 1997.
"Ensaio sobre a Cegueira" é publicado em 1995. Em 1997 é lançado o romance "Todos os Nomes". O quinto volume de "Cadernos de Lanzarote" chegará às livrarias em 1998. Em Novembro de 2005, José Saramago apresenta, em Lisboa, o romance "As Intermitências da Morte". Em 2008 e 2009 publica " A Viajem do Elefante e Caim", respectivamente.

"Eu, no fundo, não invento nada. Sou apenas alguém que se limita a levantar uma pedra e a pôr à vista o que está bor baixo. Não é minha culpa se de vez em quando me saem monstros".
José Saramago

Não poderia estar mais de acordo com Mário Cláudio quando referiu, após tomar conhecimento da morte de José Saramago: "Saramago vai durar o que durar a literatura portuguesa".

Elegia

A alegria da vida, essa alegria d'oiro
A pouco e pouco em mim vai-se extinguindo, vai...
Melros alegres de bico loiro,
Ó melros negros, cantai, cantai!

Ando lívido, arrasto o pobre corpo exangue,
Que era feito da luz das claras madrugadas...
Rosas vermelhas da cor do sangue,
Rosas abri-vos às gargalhadas!

Limpidez virginal, graça d'Anacreonte,
Mimo, frescura, força, onde é que estais?... não sei!...
Ó águas vivas, águas do monte,
Ó águas puras, correi, correi!

Eu sinto-me prostrado em lânguido desmaio,
E a minha fronte verga exausta para o chão...
Cedros altivos, sem medo ao raio,
Cedros erguei-vos pela amplidão!
Guerra Junqueiro, in 'Poesias Dispersas'