sábado, maio 10, 2014

Olhar para Marte...

Marte é o quarto planeta a partir do Sol.  Foi baptizado com este nome em homenagem ao deus romano da guerra. É o segundo menor planeta do Sistema Solar e é muitas vezes descrito como o "Planeta Vermelho", porque o óxido de ferro predominante na sua superfície lhe dá uma aparência avermelhada.
Marte é um planeta rochoso com uma atmosfera fina, com características de superfície que lembram tanto as crateras da Lua quanto os vulcões, os vales, os desertos e as calotas polares da Terra.  O período de rotação e os ciclos sazonais de Marte são também semelhantes aos da Terra.  Marte tem duas luas conhecidas, Fobos e Deimos, que são pequenas e de forma irregular.
O primeiro voo bem-sucedido sobre Marte foi feito em 1965 pela Mariner 4. As posteriores missões não tripuladas sugeriram que Marte já teve, na sua superfície, uma cobertura de água em grande escala.  Em 2005, dados de radar revelaram a presença de grandes quantidades de gelo de água nos polos e nas latitudes médias deste planeta. A sonda robótica Spirit recolheu amostras de compostos químicos que continham moléculas de água em março de 2007. A sonda Phoenix encontrou também amostras de gelo de água no solo marciano em julho de 2008.
Marte está a ser explorado, actualmente, por cinco naves espaciais: três em órbita — Mars Odyssey, Mars Express e Mars Reconnaissance Orbiter — e duas na superfície — Mars Exploration Rover Opportunity e Mars Science Laboratory Curiosity.
Assim, para conhecer melhor este planeta, proponho -lhe que veja a primeira foto panorâmica de Marte. Para isso basta clicar aqui.  Utilize o zoom para ver a qualidade da imagem!
É uma imagem absolutamente extraordinária, embora os entendidos digam que esta foto custou à humanidade cerca de 2.500 milhões de dólares.
Não deixe, contudo, de a ver. Vale bem a pena!

sexta-feira, maio 09, 2014

O Palácio do Rei do Lixo

O Palácio do Rei do Lixo é um edifício em ruínas que domina a paisagem junto à EN10, em Coina, próximo de Lisboa.
Também chamado de "Torre do Inferno", foi mandado construir (em 1910) por Manuel Martins Gomes Júnior, conhecido como Rei do lixo, para mostrar a grandiosidade do seu império.
Manuel Martins Gomes Júnior era conhecido como o "Rei do Lixo", porque fez fortuna a comprar e vender lixo da cidade de Lisboa.
Diz-se que Manuel Gomes Júnior era profundamente ateu, por isso terá transformado a ermida da propriedade em armazém e estábulo e, baptizado a herdade com o nome de "Quinta do Inferno".
Mais tarde, António Zanolete Ramada Curto, genro do "Rei do Lixo",  transformou a propriedade numa importante casa agrícola. Em 1957, foi vendida aos grandes proprietários e industriais de curtumes Joaquim Baptista Mota e António Baptista, que constituíram a Sociedade Agrícola da Quinta de S. Vicente e transformaram a propriedade numa importante exploração pomícola.
O Rei do Lixo e familiares
Actualmente pertence a um construtor da Margem Sul do Tejo, que a adquiriu em 1972 com o intuito de transformar o Palácio numa pousada com cerca de 85 quartos. Contudo em 1988, a Torre foi devorada por um incêndio e hoje está em avançado estado de degradação.
Se quiser ficar a conhecer melhor este edifício, veja o vídeo que se segue e que é da autoria de Fernanda Gil.

quinta-feira, maio 08, 2014

A Bunda

A palavra "Bunda" é muitas vezes considerada popular e pejorativa.
Sabe qual é a origem desta palavra?
Sabe porque é que ela é considerada pejorativa?
Provavelmente o termo "Bunda" vem da palavra, de origem africana, "Mbunda".
A palavra "Mbunda" foi trazida, pelos primeiros negros escravizados no século XV, falantes do Quicongo (língua ainda falada em algumas regiões de Angola).
Acredita-se que a conotação indelicada dada a esta expressão, esteja justamente ligada à sua origem não-europeia e ao preconceito associado à exposição da nudez existente na sociedade portuguesa da época.

quarta-feira, maio 07, 2014

A Gronelândia

Hoje proponho-lhe um pequeno passeio virtual até à Gronelândia.
A Gronelândia, é uma região autónoma, que faz parte do Reino da Dinamarca e que tem como capital, a cidade de  Nuuk. O termo Gronelândia significa em dinamarquês "nossa terra"; ou "terra verde".
O território da  Gronelândia ocupa a ilha homónima, considerada a maior do mundo, além de diversas ilhas vizinhas, situadas ao largo da costa nordeste da América do Norte. As suas costas dão, a norte, para o oceano Glacial Árctico, a leste para o Mar da Gronelândia, a leste e sul para o Oceano Atlântico e a oeste para o mar de Labrador e da ilha de Baffin.
A terra mais próxima é a ilha Ellesmere, a mais setentrional das ilhas do Arquipélago Árctico Canadiano, da qual está separada pelo estreito de Nares. Outros territórios próximos são: no mesmo arquipélago canadiano, a oeste, a ilha de Devon e a ilha de Baffin; a sueste a Islândia; a leste a ilha de Jan Mayen e a nordeste o arquipélago de Esvalbarde, ambos possessões da Noruega.
A Gronelândia é a maior ilha do mundo e tem mais de 44 000 km de linha de costa. A população é escassa, confinada a pequenas localidades na costa. A ilha tem a segunda maior reserva de gelo do mundo, apenas ultrapassada pela Antárctica.
A vegetação é em geral esparsa, com uma pequena zona de floresta em Nanortalik no extremo sul, perto do Cabo Farewell.
O clima é árctico ou nalguns locais sub-árctico, com Verões frescos e Invernos muito frios. A costa é maioritariamente rochosa e com falésias. O ponto de menor altitude é o nível do mar e o mais alto é o Gunnbjørn (3700 m). O extremo norte da ilha é o Cabo Morris Jesup, descoberto pelo Almirante Robert Peary em 1909.
Se quiser ficar a conhecer melhor este território veja, com atenção, a bela apresentação que se segue. Vale bem a pena. Venha então daí!

terça-feira, maio 06, 2014

O Cante Nas Escolas

Hoje sugiro-lhe que veja o documentário "O Cante Nas Escolas", de José Gonçalo, com imagens de José Ferrolho e José Gonçalo.
cante é um género musical tradicional do Alentejo, Portugal. Não é a única forma de expressão da música tradicional no Alentejo sendo, contudo,  mais característico do Baixo Alentejo do que do Alto Alentejo.
O Cante é um canto coral, em que alternam um ponto a sós e um coro, havendo um alto preenchendo as pausas e rematando as estrofes. O canto começa invariavelmente com um ponto dando a deixa, cedendo o lugar ao alto e logo intervindo o coro em que participam também o ponto e o alto.
Terminadas as estrofes, pode o ponto recomeçar com um nova deixa, seguindo-se o mesmo conjunto de estrofes. Este ciclo repete-se o número de vezes que os participantes desejarem. Esta característica repetitiva, assim como o andamento lento e a abundância de pausas contribuem para a natureza monótona do cante.
A candidatura do cante alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade deu formalmente entrada, no comité internacional da UNESCO, no final do ano passado. A preparação para esta candidatura criou, na região, um clima de entusiasmo e de necessidade de preservção deste traço da cultura alentejana. Daí o trabalho de preservação e de salvaguarda que tem sido feito nos últimos anos em torno da mais popular e genuína manifestação cultural do Alentejo. As escolas têm desempenhado, também, um papel significativo neste domínio. Daí o vídeo que lhe sugiro hoje.  Vale bem a pena.

segunda-feira, maio 05, 2014

Os Shadows

"The Shadows" foi uma banda pop-rock instrumental do Reino Unido: Foi formada em 1958 pelo guitarrista e compositor Hank Marvin, o baterista Tony Meehan, o guitarrista Bruce Welch e o baixista Jet Harris. Esta banda teve uma enorme longevidade, o que lhe permitiu conhecer vários integrantes, dos quais se destaca, para além dos já citados, o baterista Brian Bennett. Hank Marvin e Bruce Welch, guitarra-ritmo, foram os únicos que integraram a banda desde a sua formação até à separação definitiva em 1999.
A banda britânica começou por ser a banda de apoio do cantor e compositor Cliff Richard, sendo então o conjunto conhecido por "Cliff Richard and The Shadows".
Em 1963, Cliff Richard decidiu iniciar uma carreira a solo e Hank Marvin deu azo à sua criatividade, compondo algumas das mais belas melodias dos anos 60, 70 e 80, praticamente sempre dentro do registo instrumental.
Os Shadows foram autores de músicas como "Apache" e "Ghost Riders in the Sky", "Theme for Deer Hunter", "FBI", etc.  Em 1999 a banda desintegrou-se, mas em 2004 voltaram a reunir-se para efectuarem um tour europeu, que durou aproximadamente um ano.
Os Shadows inspiraram vários guitarristas e bandas de rock da sua geração e posteriores, incluindo Frank Zappa, Queen e Muse.  Tiveram também algumas das suas composições inseridas em bandas sonoras de filmes, foram considerados pelos ingleses a 2ª melhor banda britânica de sempre (atrás dos Queen) e são unanimemente considerados no meio musical, como a banda britânica mais influente antes da "era Beatles".
Se já conhece esta banda, ponha a tocar o vídeo que se segue e, feche os olhos durante 26 m. Deixe, então, desfilar as imagens que estavam arquivadas no mais longínquo do sua mente!
Se não conhece os Shadows, não deixe de assistir a este grande espectáculo: um show instrumental  de 26 minutos, proporcionado por esta excelente banda.

domingo, maio 04, 2014

Palavras Para a Minha Mãe

mãe, tenho pena. esperei sempre que entendesses
as palavras que nunca disse e os gestos que nunca fiz.
sei hoje que apenas esperei, mãe, e esperar não é suficiente.

pelas palavras que nunca disse, pelos gestos que me pediste
tanto e eu nunca fui capaz de fazer, quero pedir-te
desculpa, mãe, e sei que pedir desculpa não é suficiente.

às vezes, quero dizer-te tantas coisas que não consigo,
a fotografia em que estou ao teu colo é a fotografia
mais bonita que tenho, gosto de quando estás feliz.

lê isto: mãe, amo-te.

eu sei e tu sabes que poderei sempre fingir que não
escrevi estas palavras, sim, mãe, hei-de fingir que
não escrevi estas palavras, e tu hás-de fingir que não
as leste, somos assim, mãe, mas eu sei e tu sabes.
José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão"

sábado, maio 03, 2014

Palavras Parónimas

Se não sabe o que são Palavras Parónimas, aqui fica a explicação de Lúcia Vaz Pedro, que foi publicada no "Jornal de Notícias" a 27/04/2014.
Lúcia Vaz Pedro (1968) é  uma escritora e professora portuguesa, licenciada em Línguas e Literaturas Modernas (Português/Francês) pela Universidade do Porto. Para além da docência é formadora de professores na área da Língua Portuguesa. É autora de vários livros didácticos da Língua Portuguesa, tendo publicado também romances de ficção e literatura infanto-juvenil.
Mas, vamo lá à tal explicação sobre as "Palavras Parónimas":

"As palavras parónimas têm significantes e significados diferentes, mas aproximam-se fónica e graficamente, dando lugar a algumas confusões.
São várias as palavras parónimas. Assim, por exemplo, as palavras "ilegível" e "elegível" são distintas, sendo que a primeira significa "indecifrável, que não se consegue ler", e a segunda que "pode ser eleito, eletivo": "a tua caligrafia é ilegível"; "aquele candidato é elegível com a maioria absoluta".
O adjetivo "emergente" significa "que surge, que se manifesta", enquanto "imergente" significa "que mergulha, que afunda": "o Brasil é um país com uma economia emergente"; "aquele barco imergente estava abandonado".
As palavras "emigrante" e "imigrante" também se confundem.
O "emigrante" é aquele que saí da sua terra natal e o "imigrante" é aquele que é recebido no país para o qual emigrou. Por isso dizemos: "os emigrantes portugueses procuram melhores condições de vida fora de Portugal", "o nosso país recebeu muitos imigrantes dos países do Leste".
"Eminência" provém do latim "eminentia" e significa "qualidade do que é eminente, elevação, superioridade moral, título que se dá aos cardeais". Serve de exemplo a seguinte frase: "sua eminência, o cardeal de Lisboa, esteve presente na cerimónia". No entanto, "iminência" provém do latim "imminentia" e significa "qualidade do que iminente, do que está prestes a acontecer": "na iminência de uma derrocada, os moradores do prédio foram evacuados".
As palavras "perfeito" e "prefeito" são, igualmente, parónimas. Assim, "perfeito", com o prefixo "per-", significa "completo, acabado, bem feito" - "o retrato está perfeito". A palavra com o prefixo "pre-" ("prefeito") é um nome que designa um cargo administrativo ou educacional - "o prefeito nomeou um secretário".
Lúcia Vaz Pedro



sexta-feira, maio 02, 2014

Namoro

Veja, no cartão ao lado, como se pedia namoro antigamente!!!
Isto já faz parte da História, porque os jovens de hoje namoram online e sabe-se lá como irão namorar os nossos netos e bisnetos!!!

Para complementar esta informação, veja o cantor português Sérgio Godinho, interpretando a canção "Namoro" (a música é de Fausto e a letra de Viriato Cruz)
A dada altura refere: "Mandei-lhe um cartão/que o amigo maninho tipografou/'por ti sofre o meu coração'/num canto 'sim'/noutro canto 'não'/e ela o canto do 'não'/dobrou".

Confira agora a letra completa desta canção, escrita pelo poeta e político angolano, Viriato da Cruz.

Mandei-lhe uma carta
em papel perfumado
e com letra bonita
dizia ela tinha
um sorriso luminoso
tão triste e gaiato
como o sol de Novembro
brincando de artista
nas acácias floridas
na fímbria do mar
Sua pele macia
era suma-uma
sua pele macias
cheirando a rosas
seus seios laranja
laranja do Loge
eu mandei-lhe essa carta
e ela disse que não

Mandei-lhe um cartão
que o amigo maninho tipografou
'por ti sofre o meu coração'
num canto 'sim'
noutro canto 'não'
e ela o canto do 'não'
dobrou

Mandei-lhe um recado
pela Zefa do sete
pedindo e rogando
de joelhos no chão
pela Sra do Cabo,
pela Sta Efigénia
me desse a ventura
do seu namoro
e ela disse que não

Mandei à Vó Xica,
quimbanda de fama
a areia da marca
que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço
bem forte e seguro
e dele nascesse
um amor como o meu
e o feitiço falhou

Andei barbado,
sujo e descalço
como um monangamba
procuraram por mim
não viu ai não viu ai
não viu Benjamim
e perdido me deram
no morro da Samba

Para me distrair
levaram-me ao baile
do Sr. Januário,
mas ela lá estava
num canto a rir,
contando o meu caso
às moças mais lindas
do bairro operário

Tocaram a rumba
e dancei com ela
e num passo maluco
voamos na sala
qual uma estrela
riscando o céu
e a malta gritou
'Aí Benjamim'

Olhei-a nos olhos
sorriu para mim
pedi-lhe um beijo
lá lá lá lá lá
lá lá lá lá lá
E ela disse que sim


quinta-feira, maio 01, 2014

Pára-me de repente o pensamento

Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz do esquecimento.

Pára surpreso, escrutador, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado.
Pára e fica, e demora-se um momento.

Pára e fica, na doida correria.
Pára à beira do abismo, se demora.
E mergulha na noite escura e fria.

Um olhar de aço, que essa noite explora.
Mas a espora da dor seu flanco estria,
E ele galga e prossegue sob a espora...
Ângelo de Lima

quarta-feira, abril 30, 2014

Mais um passeio por Praga

Proponho-lhe mais um passeio virtual por uma das mais belas capitais europeias: Praga
Praga é a maior cidade da República Checa.
Esta cidade é um dos mais belos e antigos centros urbanos da Europa e é famosa pelo extenso património arquitetónico e a rica vida cultural,  ligada a nomes como os compositores Antonín Dvořák e Bedřich Smetana e os escritores Franz Kafka, Rainer Maria Rilke e Jaroslav Hašek.
Praga está situada na Boémia central e estende-se sobre colinas, em ambas as margens do rio Vltava. O curso sinuoso do rio através da cidade, cheia de belas e antigas pontes, contrasta com a presença imponente do grande Castelo de Praga em Hradcany, que domina a capital na margem esquerda do Vltava.
Praga tem uma área de 496 km² e uma população de 1 237 893 habitantes (censo 2009), perfazendo uma densidade populacional de 2357,07 hab./km².
Praga é famosa pelas lindas ruelas de traçado irregular que contrastam com os novos bairros residenciais, de arquitetura moderna. No bairro Malá Strana está uma das duas igrejas barrocas de São Nicolau, a igreja do Menino Jesus de Praga, a igreja do Loreto (do século XVIII) e numerosos palácios da aristocracia tcheca, do século XVII, em estilo barroco.
Na Staré Město (a Cidade Velha), há inúmeros monumentos e relíquias da história checa. Destacam-se a igreja Týnský, em estilo gótico, construída no século XIV, na qual se acha o túmulo do astrónomo Tycho Brahe. No bairro Josefstadt, há para visitar, o gueto e o cemitério judaicos, do século XII, e a sinagoga. Ainda na Cidade Velha encontra o relógio Astronómico e a parede Lennon.
Na Nové městoCidade Nova) figuram a estátua de São Venceslau, de 1915, e o Museu Nacional. Outras edificações de destaque são o Prikopy, local da antiga fortaleza; o Teatro dos Estados (onde estreou a ópera Don Giovanni, de Wolfgang Amadeus Mozart); o Teatro Nacional, de 1883; e igrejas e palácios barrocos.
Entre as numerosas pontes que atravessam o rio Vlatva está a famosa Ponte Carlos que liga a Cidade Velha ao Castelo de Praga.
Confira em baixo, através da excelente apresentação que lhe proponho, alguns dos aspectos mais significativos desta bela cidade europeia.

terça-feira, abril 29, 2014

"a sombria beleza do tema da estação e da morte"

"a sombria beleza do tema
da estação e da morte", diz o Kundera algures.
nesta imagem desenha-se um olival perdido
de surdas tonalidades, atrás do cais de onde

se despenhou alguém, alguma forma
aflita e trágica, vinda do fundo súbito de uma
paisagem tão modesta, sob as vozes
de quem chega e quem parte, ou simplesmete foi ali para olhar

outros seres de passagem, outros rasos destinos sem anjo para o remorso.
há flores, dirás, algumas flores diurnas, confiantes,
que outras mãos hão-de dispor na jarra, relembrada
junto à parede branca, mas essas são um ténue

sopro de acaso, ou um fulgor antecipando outra nudez.
quando a luz já se tornou mais húmida e quase musical,
e através da folhagem a harpa do desgaste estremeceu,
e passaram as horas e passaram,

pesadas, contadas, divididas, já não dói
a beleza de alguém que vai partir, a sombria beleza
da sua ocultação intransmissível, uma brisa leve misturar-se-á
ao cheiro de óleo, aos acenos afectuosos, aos

ruídos do tema da estação. é tudo. à noite o olival
será uma massa negra de clareiras adiadas,
atrás do cais sem ninguém e sem tempo, como sempre acontece
nas pequenas estações de uma província da alma.
Vasco Graça Moura

segunda-feira, abril 28, 2014

Pedra Filosofal

Oiça Manuel Freire em "Pedra Filosofal".
Manuel Freire ( 25 de Abril de 1942) é um cantor português. Entrou no Teatro Experimental do Porto, em 1967, onde fez a sua primeira actuação a sério no domínio da canção. Entretanto estreou-se na música, com um EP que continha os temas  "Dedicatória", "Eles", "Livre" e "Pedro Soldado", editado em 1968. O cantor não escapou à censura, vindo a ser probido o EP com os temas "Lutaremos meu amor", "Trova", "O sangue não dá flor" e "Trova do emigrante" devido a "O sangue não dá flor".
Em 1969 participou no programa Zip-Zip onde lançou "Pedra Filosofal", com poema de António Gedeão, que popularizou e cuja interpretação lhe valeu o Prémio da Imprensa desse ano, em conjunto com Fernando Tordo.
No ano de 1971 foi editado o EP "Dulcineia" e o álbum "Manuel Freire" onde aparecem os temas dos primeiros EP's e onde musicou poemas de António Gedeão, José Gomes Ferreira, Fernando Assis Pacheco, Eduardo Olímpio, Sidónio Muralha e José Saramago.
"Lágrima de Preta" foi incluído na compilação "Sons de Todas as Cores", de 1997.
O disco "As Canções Possíveis" onde canta a poesia de José Saramago, de "Os Poemas Possíveis", foi editado em 1999.
De  2003 a 2007 tornou-se presidente da Direcção da Sociedade Portuguesa de Autores.
Colaborou com José Jorge Letria e Vitorino num CD para crianças acerca da Revolução dos Cravos, intitulado "Abril, Abrilzinho", que foi editado em 2006.

domingo, abril 27, 2014

Lembra-me um sonho lindo...

Veja o cantor português Fausto, ao vivo no CCB, em "Lembra - me um Sonho Lindo".
Fausto (1948),  é um compositor e cantor português.  Foi em Angola que formou a sua primeira banda, "Os Rebeldes". Veio para Lisboa com vinte anos, onde se licenciou em Ciências Políticas e Sociais.
Estudava ainda quando lançou o primeiro álbum, Fausto e venceu o Prémio Revelação em 1969. No âmbito do movimento associativo em Lisboa, aproximou-se de nomes como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire, juntamente com José Mário Branco ou Luís Cília, que viviam no exílio.
Autor de doze discos, gravados entre 1970 e 2011 (dez de originais, uma coletânea regravada e um disco ao vivo), é presentemente um importante nome da música portuguesa e da música popular em particular.
A sua obra tem sido reinterpretada por nomes como, entre outros, Mafalda Arnauth, Né Ladeiras, Teresa Salgueiro, Cristina Branco ou Ana Moura.

Lembra-me um sonho lindo, quase acabado
Lembra-me um céu aberto, outro fechado
Estala-me a veia em sangue, estrangulada
Estoira no peito um grito, à desfilada

Canta, rouxinol, canta, não me dês penas
Cresce, girassol, cresce entre açucenas
Afaga-me o corpo todo, se te pertenço
Rasga-me o ventre ardendo em fumo de incenso

Lembra-me um sonho lindo, quase acabado
Lembra-me um céu aberto, outro fechado
Estala-me a veia em sangue, estrangulada
Estoira no peito um grito, à desfilada

Ai! Como eu te quero! Ai! De madrugada!
Ai! Alma da terra! Ai! Linda, assim deitada!
Ai! Como eu te amo! Ai! Tão sossegada!
Ai! Beijo-te o corpo! Ai! Seara tão desejada!   

sábado, abril 26, 2014

Eu vim de longe

Veja aqui  José Mário Branco a interpretar uma das suas mais conhecidas músicas: "Eu vim de Longe".
José Mário Branco  (1942) é um músico e compositor português, considerado por muitos como um dos expoentes da música de intervenção portuguesa. Iniciou a sua carreira musical durante o Estado Novo, tendo sido perseguido pela PIDE até se exilar em França, em 1963. Com ele trabalharam José Afonso, Sérgio Godinho, Luís Represas, Fausto e Camané, entre outros, com os quais participou em concertos ou em álbuns editados como cantautor e/ou como responsável pelos arranjos musicais. Compôs e cantou , também, para o teatro, o cinema e a televisão.
Em 1974 regressou a Portugal e fundou o Grupo de Acção Cultural - Vozes na Luta!, com o qual gravou dois álbuns.
Entre música de intervenção, fado e outras, são obras suas, os discos "Ser Solidário", "Margem de Certa Maneira", "A Noite" e o emblemático" FMI", obra síntese do movimento revolucionário português com seus sonhos e desencantos.
O seu álbum mais recente, lançado em 2004, intitula-se "Resistir é Vencer" em homenagem ao povo timorense que resistiu durante décadas à ocupação pelas forças da Indonésia logo após o 25 de Abril.
Em 2009 voltou às actuações públicas com dois concertos intitulados "Três Cantos", juntando «referências não só musicais mas também poéticas do que é cantar em português»: José Mário Branco, Sérgio Godinho e Fausto.

Quando o avião aqui chegou
Quando o mês de maio começou
Eu olhei para ti
Então entendi
Foi um sonho mau que já passou
Foi um mau bocado que acabou

Tinha esta viola numa mão
Uma flor vermelha na outra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a fronteira me abraçou
Foi esta bagagem que encontrou

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou pra longe
Pra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar

E então olhei à minha volta
Vi tanta esperança andar à solta
Que não hesitei
E os hinos cantei
Foram feitos do meu coração
Feitos de alegria e de paixão

Quando a nossa festa se estragou
E o mês de Novembro se vingou
Eu olhei pra ti
E então entendi
Foi um sonho lindo que acabou
Houve aqui alguém que se enganou

Tinha esta viola numa mão
Coisas começadas noutra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a espingarda se virou
Foi pra esta força que apontou

E então olhei à minha volta
Vi tanta mentira andar à solta
Que me perguntei
Se os hinos que cantei
Eram só promessas e ilusões
Que nunca passaram de canções

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou pra longe
P´ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar

Quando eu finalmente eu quis saber
Se ainda vale a pena tanto crer
Eu olhei para ti
Então eu entendi
É um lindo sonho para viver
Quando toda a gente assim quiser

Tenho esta viola numa mão
Tenho a minha vida noutra mão
Tenho um grande amor
Marcado pela dor
E sempre que Abril aqui passar
Dou-lhe este farnel para o ajudar

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei pra aqui chegar
Eu vou p´ra longe
P´ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar

E agora eu olho à minha volta
Vejo tanta raiva andar a solta
Que já não hesito
Os hinos que repito
São a parte que eu posso prever
Do que a minha gente vai fazer

Eu vim de longe
De muito longe
O que eu andei prá aqui chegar
Eu vou pra longe
P´ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos pra nos dar

sexta-feira, abril 25, 2014

Recordar Salgueiro Maia, 40 anos depois...

40 anos depos do 25 de Abril é importante relembrar Salgueiro MaiaSalgueiro Maia  (1944 — 1992), foi um militar português que se tornou conhecido, quer em Portugal quer no estrangeiro, por ser um dos Capitães de Abril.
Salgueiro Maia foi um dos distintos capitães do Exército Português, que liderou as forças revolucionárias durante a Revolução de 25 de Abril ou Revolução dos Cravos, que marcou o final da ditadura.
Em outubro de 1964, ingressou na Academia Militar, em Lisboa e, acabado o curso, apresentou-se na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, onde foi comandante de instrução, vindo a integrar, depois, uma companhia de comandos na então guerra colonial.
Em 1973 iniciam-se as reuniões clandestinas do Movimento das Forças Armadas e, Salgueiro Maia, como Delegado de Cavalaria, integrou a Comissão Coordenadora do Movimento. Depois do 16 de Março de 1974 e do Levantamento das Caldas, foi Salgueiro Maia, a 25 de Abril desse ano, quem comandou a coluna de blindados que, vinda de Santarém, montou cerco aos ministérios do Terreiro do Paço forçando, já no final da tarde, a rendição de Marcelo Caetano, no Quartel do Carmo, que entregou a pasta do governo a António de Spínola.
Salgueiro Maia escoltou, depois, Marcelo Caetano ao avião que o transportaria para o exílio no Brasil.
Recusou, ao longo dos anos, ser membro do Conselho da Revolução, adido militar numa embaixada à sua escolha, governador civil do Distrito de Santarém e pertencer à casa Militar da Presidência da República.
Em 1983 recebe a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, e, a título póstumo, o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito em 1992 e em 2007 a Medalha de Ouro de Santarém.
Em 1989 foi-lhe diagnosticada uma doença cancerosa que, apesar das intervenções cirúrgicas, o vitimaria em 1992.
Sugiro-lhe, agora, que veja o documentário, realizado pela RTP, sobre a vida de Salgueiro Maia, "Capitão de Abril" e a sua atuação na revolução de 25 de Abril de 1974. Este documentário é baseado no livro "Salgueiro Maia, Um Homem da Liberdade", de António de Sousa Duarte.

quinta-feira, abril 24, 2014

E Depois do Adeus

"E Depois do Adeus" foi a canção que serviu de primeira senha à revolução de 25 de Abril de 1974. A letra é de José Niza e a música de José Calvário. Foi escrita para ser interpretada por Paulo de Carvalho na 12.ª edição do Festival RTP da Canção, do qual sairia vencedora. Nessa qualidade, representou Portugal em Brighton, a 6 de Abril, no Festival Eurovisão da Canção 1974.






















E agora a mesma canção com imagens do 25 de Abril de 1974.

Liberdade

Para celebrar os 40 anos da "Revolução dos Cravos", fique com o tema "Liberdade" de Sérgio Godinho, do álbum "À Queima Roupa" de 1974.
Sérgio Godinho (1945) é um poeta, compositor e intérprete português. Como autor, compositor e cantor, personifica perfeitamente a sua música “O Homem dos 7 Instrumentos”.
Sérgio Godinho é um homem multifacetado,  tendo representado já em filmes, séries televisivas e peças teatrais.

Viemos com o peso do passado e da semente
Esperar tantos anos torna tudo mais urgente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
e a sede de uma espera só se estanca na torrente
Vivemos tantos anos a falar pela calada
Só se pode querer tudo quando não se teve nada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só quer a vida cheia quem teve a vida parada
Só há liberdade a sério quando houver
A paz, o pão
habitação
saúde, educação
Só há liberdade a sério quando houver
Liberdade de mudar e decidir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir
quando pertencer ao povo o que o povo produzir

quarta-feira, abril 23, 2014

A Morte Saiu à Rua

José Dias Coelho (1923 — 1961) foi um artista plástico, militante político anti-fascista e dirigente do PCP.
Em 1955, José Dias Coelho, entra para a clandestinidade, ao mesmo tempo que exercia funções no PCP. Foi assassinado pela PIDE  em 1961, na rua que hoje tem o seu nome, junto ao Largo do Calvário, em Lisboa.
O seu assassinato levou o cantor Zeca Afonso a escrever e dedicar-lhe a música "A Morte Saiu à Rua". O mesmo fez o grupo Trovante com a música " À Flor da Vida".
Com uma intensa actividade social e intelectual a par da política, travou e manteve amizade com várias figuras destacadas da sociedade portuguesa de então, tais como os arquitectos Keil do Amaral e João Abel Manta, Fernando Namora, Carlos de Oliveira, José Gomes Ferreira, Eugénio de Andrade, José Cardoso Pires, Abel Manta, Rogério Ribeiro, João Hogan, bem como aqueles que viriam dentro em breve a liderar os movimentos de independência na África, na altura estudantes em Lisboa: Agostinho Neto, Vasco Cabral, Marcelino dos Santos, Amílcar Cabral e Orlando Costa.

A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome pra qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue dum peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas duma nação

terça-feira, abril 22, 2014

Visado Pela Censura

Proponho-lhe que veja dois documentos que fazem parte da história da censura no nosso país, durante a ditadura salazarista.

No passado dia 29 de Março, fez 40 anos que se realizou um encontro de música portuguesa no Coliseu dos Recreios onde - ao que consta pela primeira vez - a canção "Grândola Vila Morena" foi cantada em público.

No primeiro documento o Presidente da Casa da Imprensa, solicita ao Secretário de Estado da Informação, o levantamento do embargo relativamente à participação dos artistas José Afonso e Adriano Correia de Oliveira, no referido espectáculo.

O segundo documento diz respeito ao decorrer do Encontro de Música Portuguesa. O regime vigente fez deslocar para o local, fiscais da Direcção Geral dos Espectáculos (DGE), que elaboraram um relatório circunstanciado.  É um documento notável que merece ser lido, porque caracteriza bem o ambiente da sala e a época que se vivia em Portugal, tanto mais que se estava a poucos dias do 25 de Abril, data da Revolução dos Cravos. Acresce que este documento é preciso, conciso, revelando profissionalismo perspicaz, competente e um evidente bom senso e humor.

Foi há 40 anos. Vale a pena ler estes documentos até ao fim, para isso basta clicar aqui e  aqui.  São autênticas preciosidades que interessam, não só aos portugueses, mas também aos Angolanos, porque um dos artistas que deveria participar no referido encontro de música, era o Rui Mingas!