"Contos populares de Angola" é um livro que contém 15 contos populares de Angola re-escritos pela escritora portuguesa M. Margarida Pereira-Muller e ilustrados pela artista plástica Helena Justino.
O livro lançado em Julho em Lisboa, foi relançado, no dia 5 de Dezembro, na Biblioteca da Escola Secundária do Lumiar, local de trabalho da artista plástica, perante uma plateia atenta e entusiasta.
"Os contos tradicionais atravessam o tempo e a memória graças à oralidade que tem preservado este património imaterial, fixado quase sempre de forma metafórica. Estes Contos Populares de Angola não são excepção. As fábulas apresentam uma galeria de bichos que interagem de forma muito semelhante à sociedade, o que provoca em nós, leitores, como um eco de reflexão.
Este livro beneficiou da excelente cooperação de duas autoras – M. Margarida Pereira- Müller que escreveu a versão dos contos e Helena Justino, ilustradora, que se inspirou na tradição de pintura das paredes das casas da Lunda, recorrendo às suas cores exaltantes que são autênticos hinos à natureza e à pujança da vida".
sábado, dezembro 08, 2012
A Vida Segundo Oscar Niemeyer
O genial arquitecto Oscar Niemeyer, que morreu aos 104 anos, no Rio de Janeiro, deixou como legado, além de obras conhecidas mundialmente (incluindo Portugal), algumas frases e pensamentos extraordinários.
Niemeyer gostava de falar sobre a sua paixão pelo trabalho e pelas obras que construiu pelo Brasil e pelo mundo, mas também de assuntos mais delicados, como o dinheiro, a vida, a velhice ou até mesmo a religião.
Aqui fica uma delas: "A vida é um sopro, um minuto. A gente nasce, morre. O ser humano é um ser completamente abandonado..." - Em entrevista à BBC Brasil, em 2001.
Niemeyer gostava de falar sobre a sua paixão pelo trabalho e pelas obras que construiu pelo Brasil e pelo mundo, mas também de assuntos mais delicados, como o dinheiro, a vida, a velhice ou até mesmo a religião.
Aqui fica uma delas: "A vida é um sopro, um minuto. A gente nasce, morre. O ser humano é um ser completamente abandonado..." - Em entrevista à BBC Brasil, em 2001.
sexta-feira, dezembro 07, 2012
As Marianas
As Ilhas Marianas são um exemplo clássico de um arco vulcânico, uma cadeia de montanhas ou ilhas vulcânicas em arco, localizadas na região do Oceano Pacífico, onde a Placa do Pacífico se encontra com a Placa das Filipinas.
Encontram-se a norte das Ilhas Carolinas, que formam os Estados Federados da Micronésia, a cerca de 2000 km a norte da Nova Guiné e aproximadamente à mesma distância das Filipinas, a sudoeste, e do Japão, a noroeste.
São 15 ilhas, com uma orientação aproximada norte-sul, das quais a que fica mais ao sul, Guam é um território dos Estados Unidos da América e as restantes 14 formam o “Estado Livre Associado” (ou Commonwealth) das Marianas Setentrionais, também dependentes dos EUA. As ilhas são, de sul para norte: Saipan, Tinian, Rota, Aguijan, Farallón de Medinilla, Anatahan, Sarigan, Guguan, Alamagan, Pagan, Agrihan, Asunción, Ilhas Maug e Farallón de Pájaros. As únicas com população permanente são Saipan, Tinian e Rota.
As ilhas do norte têm vulcões activos, enquanto as do sul são cobertas por terraços coralinos. O clima é tropical.
Estas ilhas foram “descobertas” por Fernão de Magalhães em 1521, que as declarou colónia espanhola e as apelidou de "Las Islas de los Ladrones" (Ilhas dos Ladrões), aparentemente porque os nativos não eram amistosos. Em 1668 o nome das ilhas foi mudado para Las Marianas, em homenagem a Mariana da Áustria, viúva do rei Filipe IV de Espanha. Praticamente toda a população nativa foi exterminada durante o domínio espanhol e, mais tarde, foram repovoadas por nativos doutras ilhas da Micronésia. Pelo Tratado Germano-Espanhol de 1899, depois da Guerra Hispano-Americana, a colónia espanhola foi vendida à Alemanha em 1899, e depois tomada pelos japoneses em 1914, que a transformaram numa zona militar. Durante a Segunda Guerra Mundial, os “Marines” aterraram ali a 15 de Junho de 1944 e ganharam a Batalha de Saipan, que durou 3 semanas. Depois da derrota do Japão, as ilhas passaram a ser administradas pelos EUA, como parte do Protectorado das Ilhas do Pacífico, das Nações Unidas. Na década de 1970, os seus habitantes decidiram-se, não a favor da independência, mas de laços mais fortes com os EUA e, a 1 de Janeiro de 1978, foi aprovada a constituição do seu estatuto actual.
São 15 ilhas, com uma orientação aproximada norte-sul, das quais a que fica mais ao sul, Guam é um território dos Estados Unidos da América e as restantes 14 formam o “Estado Livre Associado” (ou Commonwealth) das Marianas Setentrionais, também dependentes dos EUA. As ilhas são, de sul para norte: Saipan, Tinian, Rota, Aguijan, Farallón de Medinilla, Anatahan, Sarigan, Guguan, Alamagan, Pagan, Agrihan, Asunción, Ilhas Maug e Farallón de Pájaros. As únicas com população permanente são Saipan, Tinian e Rota.
As ilhas do norte têm vulcões activos, enquanto as do sul são cobertas por terraços coralinos. O clima é tropical.Estas ilhas foram “descobertas” por Fernão de Magalhães em 1521, que as declarou colónia espanhola e as apelidou de "Las Islas de los Ladrones" (Ilhas dos Ladrões), aparentemente porque os nativos não eram amistosos. Em 1668 o nome das ilhas foi mudado para Las Marianas, em homenagem a Mariana da Áustria, viúva do rei Filipe IV de Espanha. Praticamente toda a população nativa foi exterminada durante o domínio espanhol e, mais tarde, foram repovoadas por nativos doutras ilhas da Micronésia. Pelo Tratado Germano-Espanhol de 1899, depois da Guerra Hispano-Americana, a colónia espanhola foi vendida à Alemanha em 1899, e depois tomada pelos japoneses em 1914, que a transformaram numa zona militar. Durante a Segunda Guerra Mundial, os “Marines” aterraram ali a 15 de Junho de 1944 e ganharam a Batalha de Saipan, que durou 3 semanas. Depois da derrota do Japão, as ilhas passaram a ser administradas pelos EUA, como parte do Protectorado das Ilhas do Pacífico, das Nações Unidas. Na década de 1970, os seus habitantes decidiram-se, não a favor da independência, mas de laços mais fortes com os EUA e, a 1 de Janeiro de 1978, foi aprovada a constituição do seu estatuto actual.
quinta-feira, dezembro 06, 2012
Confidência do Itabirano
Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.
De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!
Carlos Drummond de Andrade
quarta-feira, dezembro 05, 2012
Poema
É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha
É sempre no meu não aquele trauma.
Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.
Carlos Drummond de Andrade
terça-feira, dezembro 04, 2012
Contos de Paixão
O vídeo que lhe proponho hoje, deixa-nos uma mensagem soberba, transmitida por uma soberba contadora de histórias, Isabel Allende.
Numa palestra TED, a escritora e ativista Isabel Allende fala sobre mulheres, ativismo, feminismo e, é claro, paixão. Não desperdice, portanto, estes saborosos 15 minutos.
Para quem não conhece, o TED é um seminário realizado anualmente, em São Francisco. Aí, o orador tem exatos 18 minutos para comunicar as suas idéias para uma plateia que paga $6.000,00 para partiticipar. Os oradores não cobram cachê. Já participaram nestas palestras: Bill Gates, Bill Clinton, James Cameron (realizador de Avatar e Titanic) , Al Gore, Graig Venter (que conseguiu sequenciar o genoma humano), Bono, os criadores do Google, vários prémios Nobel, vencedores do Oscar, do Pulitzer, etc...
O seminário do TED Global vai ser realizado, em 2013, no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Isabel Allende - Contos de Paixão - Legenda em português Brasil from rigoberto alves on Vimeo.
O seminário do TED Global vai ser realizado, em 2013, no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Isabel Allende - Contos de Paixão - Legenda em português Brasil from rigoberto alves on Vimeo.
segunda-feira, dezembro 03, 2012
Flagrante
Fique com o "Flagrante" de António Zambujo (álbum "Quinto" - 2012).
António Zambujo é um fadista e cantor português que cresceu no Alentejo, onde iniciou os estudos de clarinete no Conservatório Regional do Baixo-Alentejo, aos oito anos de idade. Desde muito cedo que demonstrou a sua preferência pelo fado. Começou por cantar no círculo familiar e de amizades, tendo como referências as interpretações de Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, João Ferreira Rosa e outros. Aos 16 anos foi o vencedor de um concurso de fado na sua cidade.
Mais tarde, veio para Lisboa, onde foi aceite no Clube do Fado (localizado no castiço bairro de Alfama).
Foi escolhido por Filipe La Féria para interpretar o papel de Francisco Cruz, primeiro marido de Amália, no musical "Amália", que esteve em cartaz durante quatro anos em Lisboa. Em 2006, ganhou o prémio Amália Rodrigues na categoria de "Melhor Intérprete Masculino de Fado", que lhe atribuído pela Fundação Amália Rodrigues.
Em 2008, António Zambujo cantava na casa de fado "Senhor Vinho", em Lisboa. Em maio de 2009, esteve em digressão pelo Brasil, tendo sido entrevistado no "Programa do Jô", do Canal Globo de Televisão.
domingo, dezembro 02, 2012
O Último Conjurado
"O Último Conjurado", é um romance de capa e espada,
do género de «Os Três Mosqueteiros» de Alexandre Dumas.
«Em “O Último Conjurado”, Isabel Ricardo convida-nos a revisitar a História numa atitude de pureza original. O rigor com que procura os factos convive com um encantamento, quase ingénuo, que nos devolve ao tempo em que a História era um fascínio e a aventura um desejo. E isso já bastava para ter valido a pena!»
Dr. Laborinho Lúcio
«Falar de “O Último Conjurado” é invocar um dos feitos mais notáveis da História de Portugal. Mas é, sobretudo, um hino de louvor a todos aqueles que, de coragem e bravura armados, reabilitaram o orgulho nacional, e devolveram às lusas gentes o direito à sua identidade própria, como Povo, como Nação, e como Pátria.
“O Último Conjurado” é um romance histórico onde nada foi deixado ao acaso. É uma verdadeira ode ao corrupio político que marcou a Revolta da Independência. Saibam os leitores descobrir em cada linha o inebriante som das espadas, dos canhões, ou do zunido das baionetas. Por detrás de cada palavra esconde-se o mais rigoroso sentido histórico dos grandes feitos.»
Dr. Manuel Pinto Teixeira
«Em “O Último Conjurado”, Isabel Ricardo convida-nos a revisitar a História numa atitude de pureza original. O rigor com que procura os factos convive com um encantamento, quase ingénuo, que nos devolve ao tempo em que a História era um fascínio e a aventura um desejo. E isso já bastava para ter valido a pena!»
Dr. Laborinho Lúcio
«Falar de “O Último Conjurado” é invocar um dos feitos mais notáveis da História de Portugal. Mas é, sobretudo, um hino de louvor a todos aqueles que, de coragem e bravura armados, reabilitaram o orgulho nacional, e devolveram às lusas gentes o direito à sua identidade própria, como Povo, como Nação, e como Pátria.
“O Último Conjurado” é um romance histórico onde nada foi deixado ao acaso. É uma verdadeira ode ao corrupio político que marcou a Revolta da Independência. Saibam os leitores descobrir em cada linha o inebriante som das espadas, dos canhões, ou do zunido das baionetas. Por detrás de cada palavra esconde-se o mais rigoroso sentido histórico dos grandes feitos.»
Dr. Manuel Pinto Teixeira
sábado, dezembro 01, 2012
A Restauração da Independência
"No dia 1 de Dezembro de 1640, terminou o período de 60 anos em que o Reino de Portugal, foi governado pela dinastia Filipina dos Habsburgos (de origem austríaca) , com o fim do reinado de D. Filipe III (conhecido em Espanha por Felipe IV). Esta dinastia, ficou conhecida em Portugal por Filipina, porque todos os monarcas se chamavam Filipe.
Quando em 1578 sob o comando do rei D. Sebastião, Portugal foi derrotado na batalha de Alcácer Quibir, ficou sem rei ou sucessor ao trono. Durante dois anos o trono português foi ainda ocupado pelo Cardeal D. Henrique. Mas, os direitos de Filipe II de Castela (este monarca Habsburgo era primo de D. Sebastião e portanto neto de D. João III) por um lado, e o seu dinheiro por outro, levaram a que grande parte da nobreza portuguesa aceitasse o domínio de um rei estrangeiro.
A monarquia dos Habsburgo controlava inúmeros estados, todos eles separados entre si. Portugal não era diferente da Catalunha, da Flandres, de Castela, de Navarra, de Nápoles ou de Valência, mas cada um desses países, era independente dos outros.
A completa separação destes estados, "unidos" uns aos outros por ténues laços, era considerada o grande "calcanhar de Aquiles" da monarquia, e acabaria por ser a principal razão da sua decadência.
Para evitar a continua fricção entre os vários reinos, principados, e regiões, a solução passava pela submissão de todos eles a um único rei com um único governo. Isso levou a que se iniciasse uma politica de centralização administrativa, que entrava em conflito com os direitos jurados pelo monarca em cada um dos reinos da coroa. No caso português, nas cortes de Tomar de 1581, D. Filipe I (Felipe II em Castela), prestou juramento como rei de Portugal, mas o seu neto, Filipe III (Felipe IV de Castela) fez letra morta do juramento do seu avô. Do ponto de vista jurídico, ao violar o juramento que Filipe I tinha feito em 1581 perante as cortes de Tomar, Filipe III perdeu a legitimidade para governar Portugal, legitimidade essa que dependia do cumprimento das obrigações a que se tinha obrigado por juramento.
Quando em 1640 os nobres portugueses, muitos deles desiludidos com o não cumprimento das promessas dos monarcas decidem revoltar-se, não tomam uma decisão original. Na verdade, nesse mesmo ano de 1640, durante o Verão, um outro país da península ibérica decidiu revoltar-se contra exactamente o mesmo estado de coisas e expulsar a família real dos Habsburgo. Foi o caso da Catalunha.
A monarquia hispânica está envolvida na chamada guerra dos trinta anos e se não tem na altura, meios eficazes para esmagar a revolta na Catalunha, muito menos os tem, para debelar a revolta em Portugal.
Para debelar a revolta da Catalunha, o monarca espanhol manda que se mobilize a nobreza dos restantes reinos, especialmente a portuguesa, com o objectivo de atacar os catalães.
A ordem de mobilização chega a 24 de Agosto, e todos, mesmo D. João II, Duque de Bragança deveriam comparecer perante o rei. Em Portugal os nobres recusam-se e pressionam o mais rico e influente representante da nobreza portuguesa - exactamente o Duque de Bragança - para que aceite chefiar uma revolta, para voltar a colocar um monarca português no trono em Lisboa, terminando assim o período de União Ibérica.
Os nobres tiveram todas as cautelas para não transformar a revolução de 1640 numa revolução de cariz popular. O golpe teria que ser dado, e só depois disso se deveria informar o povo de Lisboa, quando a situação já estivesse sob controlo.
Assim ao despontar do dia 1 de Dezembro de 1640, entram no palácio real cerca de 40 nobres portugueses, conhecidos pelos «conjurados», que rapidamente controlam a guarda. Procuram o secretário de estado, Miguel de Vasconcelos, cuja morte tinha sido inicialmente determinada. Executam-no, e obrigam pela força a duquesa de Mântua a ordenar a rendição das forças fieis ao monarca Habsburgo, no castelo de São Jorge e nas fortalezas que defendem o rio Tejo, a torre de Almada e a torre de Belém.
Só por volta das 10:00 horas da manhã é que o povo de Lisboa tem conhecimento do sucedido, e que o duque de Bragança será o novo Rei de Portugal. Embora guiada e conduzida pela nobreza portuguesa, a revolução tem uma aceitação total. Em todo o país quando se conhece a boa nova da destituição da duquesa e do fim do domínio dos Habsburgos, há movimentações de regozijo. As várias cidades do país declaram o seu apoio a D. João IV em poucos dias.
O duque de Bragança só chega a Lisboa no dia 6 de Dezembro para ser aclamado rei, com o título de D. João IV. Nas duas semanas que se seguem - todo o país - nobres e municípios, se declaram por D. João IV, sem que seja disparado um único tiro.
Quando a notícia começa a chegar ao reino de Castela, os nobres portugueses que se encontravam em Madrid, dividem-se em dois grupos. Uma parte junta os seus haveres e volta para Portugal, outra parte acabará por preferir as vantagens e o dinheiro que a sua presença na corte madrilena lhes davam, não retornando a Portugal e mesmo lutando contra a independência do seu próprio país.
A situação de Portugal em 1640, era de absoluta miséria. O dinheiro que 60 anos antes se esperava viesse de Madrid, para ajudar a recuperar uma economia mal gerida e infestada pela administração corrupta no tempo de D. Sebastião e seus antecessores, nunca se materializou e o «Hispanismo» deixara o país numa crise sem precedentes.
O país estava decrépito e decadente e à beira da ruína. No entanto, contra todas as expectativas, contra muitas previsões e contra a própria lógica, o país resistiu e ainda hoje é difícil entender como o conseguiu fazer. Embora a historiografia espanhola tenha criado o mito do apoio dos ingleses a Portugal, esse apoio nunca passou de um mito".
Excertos de: "Diálogos Lusófonos"
Quando em 1578 sob o comando do rei D. Sebastião, Portugal foi derrotado na batalha de Alcácer Quibir, ficou sem rei ou sucessor ao trono. Durante dois anos o trono português foi ainda ocupado pelo Cardeal D. Henrique. Mas, os direitos de Filipe II de Castela (este monarca Habsburgo era primo de D. Sebastião e portanto neto de D. João III) por um lado, e o seu dinheiro por outro, levaram a que grande parte da nobreza portuguesa aceitasse o domínio de um rei estrangeiro.
A monarquia dos Habsburgo controlava inúmeros estados, todos eles separados entre si. Portugal não era diferente da Catalunha, da Flandres, de Castela, de Navarra, de Nápoles ou de Valência, mas cada um desses países, era independente dos outros.
A completa separação destes estados, "unidos" uns aos outros por ténues laços, era considerada o grande "calcanhar de Aquiles" da monarquia, e acabaria por ser a principal razão da sua decadência.
Para evitar a continua fricção entre os vários reinos, principados, e regiões, a solução passava pela submissão de todos eles a um único rei com um único governo. Isso levou a que se iniciasse uma politica de centralização administrativa, que entrava em conflito com os direitos jurados pelo monarca em cada um dos reinos da coroa. No caso português, nas cortes de Tomar de 1581, D. Filipe I (Felipe II em Castela), prestou juramento como rei de Portugal, mas o seu neto, Filipe III (Felipe IV de Castela) fez letra morta do juramento do seu avô. Do ponto de vista jurídico, ao violar o juramento que Filipe I tinha feito em 1581 perante as cortes de Tomar, Filipe III perdeu a legitimidade para governar Portugal, legitimidade essa que dependia do cumprimento das obrigações a que se tinha obrigado por juramento.
Quando em 1640 os nobres portugueses, muitos deles desiludidos com o não cumprimento das promessas dos monarcas decidem revoltar-se, não tomam uma decisão original. Na verdade, nesse mesmo ano de 1640, durante o Verão, um outro país da península ibérica decidiu revoltar-se contra exactamente o mesmo estado de coisas e expulsar a família real dos Habsburgo. Foi o caso da Catalunha.A monarquia hispânica está envolvida na chamada guerra dos trinta anos e se não tem na altura, meios eficazes para esmagar a revolta na Catalunha, muito menos os tem, para debelar a revolta em Portugal.
Para debelar a revolta da Catalunha, o monarca espanhol manda que se mobilize a nobreza dos restantes reinos, especialmente a portuguesa, com o objectivo de atacar os catalães.
A ordem de mobilização chega a 24 de Agosto, e todos, mesmo D. João II, Duque de Bragança deveriam comparecer perante o rei. Em Portugal os nobres recusam-se e pressionam o mais rico e influente representante da nobreza portuguesa - exactamente o Duque de Bragança - para que aceite chefiar uma revolta, para voltar a colocar um monarca português no trono em Lisboa, terminando assim o período de União Ibérica.
Os nobres tiveram todas as cautelas para não transformar a revolução de 1640 numa revolução de cariz popular. O golpe teria que ser dado, e só depois disso se deveria informar o povo de Lisboa, quando a situação já estivesse sob controlo.
Assim ao despontar do dia 1 de Dezembro de 1640, entram no palácio real cerca de 40 nobres portugueses, conhecidos pelos «conjurados», que rapidamente controlam a guarda. Procuram o secretário de estado, Miguel de Vasconcelos, cuja morte tinha sido inicialmente determinada. Executam-no, e obrigam pela força a duquesa de Mântua a ordenar a rendição das forças fieis ao monarca Habsburgo, no castelo de São Jorge e nas fortalezas que defendem o rio Tejo, a torre de Almada e a torre de Belém.
Só por volta das 10:00 horas da manhã é que o povo de Lisboa tem conhecimento do sucedido, e que o duque de Bragança será o novo Rei de Portugal. Embora guiada e conduzida pela nobreza portuguesa, a revolução tem uma aceitação total. Em todo o país quando se conhece a boa nova da destituição da duquesa e do fim do domínio dos Habsburgos, há movimentações de regozijo. As várias cidades do país declaram o seu apoio a D. João IV em poucos dias.
O duque de Bragança só chega a Lisboa no dia 6 de Dezembro para ser aclamado rei, com o título de D. João IV. Nas duas semanas que se seguem - todo o país - nobres e municípios, se declaram por D. João IV, sem que seja disparado um único tiro.Quando a notícia começa a chegar ao reino de Castela, os nobres portugueses que se encontravam em Madrid, dividem-se em dois grupos. Uma parte junta os seus haveres e volta para Portugal, outra parte acabará por preferir as vantagens e o dinheiro que a sua presença na corte madrilena lhes davam, não retornando a Portugal e mesmo lutando contra a independência do seu próprio país.
A situação de Portugal em 1640, era de absoluta miséria. O dinheiro que 60 anos antes se esperava viesse de Madrid, para ajudar a recuperar uma economia mal gerida e infestada pela administração corrupta no tempo de D. Sebastião e seus antecessores, nunca se materializou e o «Hispanismo» deixara o país numa crise sem precedentes.
O país estava decrépito e decadente e à beira da ruína. No entanto, contra todas as expectativas, contra muitas previsões e contra a própria lógica, o país resistiu e ainda hoje é difícil entender como o conseguiu fazer. Embora a historiografia espanhola tenha criado o mito do apoio dos ingleses a Portugal, esse apoio nunca passou de um mito".
Excertos de: "Diálogos Lusófonos"
sexta-feira, novembro 30, 2012
Bem Que Se Quis
Veja e oiça a Marisa Monte, no clip oficial de "Bem Que Se Quis" feito no ano de lançamento desta musica, em 1989. Este clip foi exibido pela primeira vez no programa Fantástico da TV Globo !
Bem que se quis
Depois de tudo
Ainda ser feliz
Mas já não há
Caminhos prá voltar
E o quê, que a vida fez
Da nossa vida?
O quê, que a gente
Não faz por amor?...
Mas tanto faz!
Já me esqueci
De te esquecer
Porque!
O teu desejo
É meu melhor prazer
E o meu destino
É querer sempre mais
A minha estrada corre
Pro seu mar...
Agora vem, prá perto vem
Vem depressa, vem sem fim
Dentro de mim
Que eu quero sentir
O teu corpo pesando
Sobre o meu
Vem meu amor, vem prá mim
Me abraça devagar
Me beija e me faz esquecer...
Bem que se quis
Depois de tudo
Ainda ser feliz
Mas já não há
Caminhos prá voltar
E o quê, que a vida fez
Da nossa vida?
O quê, que a gente
Não faz por amor?...
Mas tanto faz!
Já me esqueci
De te esquecer
Porque!
O teu desejo
É meu melhor prazer
E o meu destino
É querer sempre mais
A minha estrada corre
Pro seu mar...
Agora vem, prá perto vem
Vem depressa, vem sem fim
Dentro de mim
Que eu quero sentir
O teu corpo pesando
Sobre o meu
Vem meu amor, vem prá mim
Me abraça devagar
Me beija e me faz esquecer...
Bem Que Se Quis!...
Marisa Monte
Bem que se quisDepois de tudo
Ainda ser feliz
Mas já não há
Caminhos prá voltar
E o quê, que a vida fez
Da nossa vida?
O quê, que a gente
Não faz por amor?...
Mas tanto faz!
Já me esqueci
De te esquecer
Porque!
O teu desejo
É meu melhor prazer
E o meu destino
É querer sempre mais
A minha estrada corre
Pro seu mar...
Agora vem, prá perto vem
Vem depressa, vem sem fim
Dentro de mim
Que eu quero sentir
O teu corpo pesando
Sobre o meu
Vem meu amor, vem prá mim
Me abraça devagar
Me beija e me faz esquecer...
Bem que se quis
Depois de tudo
Ainda ser feliz
Mas já não há
Caminhos prá voltar
E o quê, que a vida fez
Da nossa vida?
O quê, que a gente
Não faz por amor?...
Mas tanto faz!
Já me esqueciDe te esquecer
Porque!
O teu desejo
É meu melhor prazer
E o meu destino
É querer sempre mais
A minha estrada corre
Pro seu mar...
Agora vem, prá perto vem
Vem depressa, vem sem fim
Dentro de mim
Que eu quero sentir
O teu corpo pesando
Sobre o meu
Vem meu amor, vem prá mim
Me abraça devagar
Me beija e me faz esquecer...
Bem Que Se Quis!...
Marisa Monte
quinta-feira, novembro 29, 2012
Inscrição
Quem se deleita em tornar minha vida impossível
por todos os lados?
Certamente estás rindo de longe,
ó encoberto adversário!
Mas a minha paciência é mais firme
que todas as sanhas da sorte:
mais longa que a vida, mais clara
que a luz no horizonte.
Passeio no gume de estradas tão graves
que afligem o próprio inimigo.
A mim, que me importam espécies de instantes,
se existo infinita?
Cecília Meireles, "Retrato Natural"
quarta-feira, novembro 28, 2012
A Toscânia
A Toscânia é uma região, de forma triangular, da Itália central. É a maior região da Itália, quer em dimensão quer em número de habitantes (são cerca de 3,7 milhões de habitantes distribuídos por 22.997 km²), com capital em Florença. A Toscânia é banhada (397 km de litoral) a oeste pelo Mar da Líguria e pelo Mar Tirreno. A Toscânia administra ainda as ilhas do Arquipélago Toscano, a principal das quais é a Ilha de Elba (a 3ª maior ilha italiana em extensão).O relevo desta região é constituído por montes e colinas (66,5%) bem como importantes formações montanhosas (25,1%). As áreas de planície são relativamente poucas (8,4%). O Monte Pisanino (1.946 metros), nos Alpes Apuanos, é o ponto culminante da região. O principal rio é o Arno, que atravessa as cidades de Florença e Pisa. Fique a conhecer melhor esta parte de Itália, através da apresentação que se segue e, recorde também o grande tenor Luciano Pavarotti.
terça-feira, novembro 27, 2012
Um maestro de palmo e meio
Veja Edward Yudenich (maestro, aos 7 anos) a reger a abertura da opereta "Die Fledermaus (O Morcego) de Johann Strauss II. Não Perca!
segunda-feira, novembro 26, 2012
domingo, novembro 25, 2012
Olhares e Imagens
Quando a paixão pela fotografia nos mostra, aqui, um outro olhar e belas imagens da natureza (e não só), através da sensibilidade de Cidália Pio.
sábado, novembro 24, 2012
O Soajo
O Soajo é uma vila e freguesia (16,8 h/km²) portuguesa do concelho de Arcos de Valdevez, com 58,59 km² de área e 986 habitantes (2011).
Foi vila e sede de concelho entre 1514 e meados do século XIX. O conselho era constituído pelas freguesias de Ermelo, Gavieira e Soajo. Tinha, em 1801, 2054 habitantes. Em 1849 tinha 3159 habitantes. Foi re-elevada à categoria de vila em 12 de Junho de 2009.
A vila de Soajo, característica nas suas formas particulares de vivência e organização social e económica, é provavelmente um dos destinos concelhios mais divulgados e conhecidos, integrando uma área geográfica que foi concelho até à reforma liberal do século XIX.
A Vila do Soajo é também famosa pelo vasto conjunto de espigueiros erigidos sobre uma enorme laje granítica, usada pelo povo como eira comunitária. O mais antigo data de 1782. Estes monumentos de granito foram construídos na altura em que se incrementou o cultivo do milho e serviam para proteger o cereal das intempéries e dos animais roedores. No topo são geralmente rematados por uma cruz, que significa a invocação divina para a protecção dos cereais. Parte destes espigueiros são ainda hoje utilizados pelas gentes da terra.Nas serranias da Peneda, Gerês e Amarela, o sistema de habitat de "brandas" e "inverneiras" é um marco referencial da maior singularidade e interesse etnológico e patrimonial. A branda é um espaço de uso mais sazonal, com uma ocupação secundária, conectada sobretudo com os usos agrícolas e pastoris de Verão, por oposição à inverneira tradicionalmente de cariz mais permanente. Ocupam geralmente cotas de terreno a cima dos 600 metros, substancialmente mais altas que as inverneiras a que se associam. Nas áreas espaciais do Soajo as brandas recebem somente o gado e pastores, integrando por isso estruturas de abrigo bastantes desenvolvidas. Se quiser conhecer um pouco mais esta região sugiro que veja os dois vídeos que se seguem. Um deles é um pequeno filme convertido em vídeo.
sexta-feira, novembro 23, 2012
Se não tenho outra voz
Se não tenho outra voz que me desdobre
Em ecos doutros sons este silêncio,
É falar, ir falando, até que sobre
A palavra escondida do que penso.
É dize-la, quebrado, entre desvios
De flecha que a si mesma se envenena,
Ou mar alto coalhado de navios
Onde o braço afogado nos acena.
É forçar para o fundo uma raiz
Quando a pedra cabal corta caminho,
É lançar para cima quanto diz
Que mais árvore é o tronco mais sozinho.
Ela dirá, palavra descoberta,
Os ditos do costume de viver:
Esta hora que aperta e desaperta,
O não ver, o não ter, o quase ser
José Saramago
quinta-feira, novembro 22, 2012
A Porta do Inferno é em Darvaz
Darvaz ou Darvaza, é uma vila do Turquemenistão com cerca de 350 habitantes. Fica localizada a cerca de 260 km ao norte de Ashgabat, no meio do deserto de Karakum (que é o 11º maior deserto do mundo), que ocupa mais de 70% do país. A área do Turquemenistão é de 350.000 Km2 e é um país rico em petróleo, enxofre e gás natural. Os habitantes são principalmente turcomanos da tribo Teke, que conservam um estilo de vida semi-nómada.
A chamada Porta do Inferno (ou Porta para o Inferno) é uma cratera situada próxima de Darvaz. A imensa cratera recebeu este nome devido às labaredas que nela flamejam. Daí que faça lembrar a descrição popular do acesso ao Inferno. A cratera faz parte de uma mina de 60 metros de diâmetro por 20 metros de profundidade. Em 1971, geólogos soviéticos efectuaram, ali, estudos de viabilidade para a extracção de gás natural. Acabaram por encontrar o que procuravam. Durante as escavações, porém, foi descoberta uma caverna subterrânea de grande profundidade, repleta de gás tóxico. As perfurações foram suspensas e foi ateado fogo ao local, a fim de que o conteúdo tóxico fosse consumido pelofogo, já que havia o receio de consequências para a população. Contudo, o fogo nunca mais se extinguiu, e a cratera continua a arder até hoje. Está em chamas há pelo menos 37 anos. As chamas da cratera, podem ser vistas, durante a noite, a quilómetros de distância - o brilho laranja pode até ser visto nas imagens de satélite do Google Maps. Em Abril de 2010, o presidente do Turquemenistão visitou o local e considerou que o buraco devia ser fechado, e que deviam ser tomadas medidas para o efeito. Pode ficar a conhecer melhor este local, através da apresentação e do vídeo que se seguem.
A chamada Porta do Inferno (ou Porta para o Inferno) é uma cratera situada próxima de Darvaz. A imensa cratera recebeu este nome devido às labaredas que nela flamejam. Daí que faça lembrar a descrição popular do acesso ao Inferno. A cratera faz parte de uma mina de 60 metros de diâmetro por 20 metros de profundidade. Em 1971, geólogos soviéticos efectuaram, ali, estudos de viabilidade para a extracção de gás natural. Acabaram por encontrar o que procuravam. Durante as escavações, porém, foi descoberta uma caverna subterrânea de grande profundidade, repleta de gás tóxico. As perfurações foram suspensas e foi ateado fogo ao local, a fim de que o conteúdo tóxico fosse consumido pelofogo, já que havia o receio de consequências para a população. Contudo, o fogo nunca mais se extinguiu, e a cratera continua a arder até hoje. Está em chamas há pelo menos 37 anos. As chamas da cratera, podem ser vistas, durante a noite, a quilómetros de distância - o brilho laranja pode até ser visto nas imagens de satélite do Google Maps. Em Abril de 2010, o presidente do Turquemenistão visitou o local e considerou que o buraco devia ser fechado, e que deviam ser tomadas medidas para o efeito. Pode ficar a conhecer melhor este local, através da apresentação e do vídeo que se seguem.
quarta-feira, novembro 21, 2012
O Sári Indiano
O sári é o traje nacional das mulheres indianas. É constituído por uma longa peça de pano (consome cerca de 6 metros de tecido) que envolve e cobre todo o corpo das mulheres.

O tecido dos saris pode também pode ser usado na decoração, nomeadamente, em cortinas, almofadas, toalhas de mesa, travesseiros, etc.Se quiser saber como se fabricam estes tecidos (alguns são de uma beleza e riqueza extraordinárias) sugiro-lhe que veja a apresentação que se segue.
Se pretender ficar a saber como se veste um sári, veja também o vídeo que acompanha este "post".
terça-feira, novembro 20, 2012
À Descoberta de Angola
«À Descoberta de Angola», de Joost De Raeymaeker (Oficina do Livro), é «o primeiro guia de viagens em português que mergulha nas profundezas de Angola».
«O autor deslocou-se de autocarro, em caixas de carga de carrinhas e camiões ou como pendura de motos. Dormiu em pensões, na casa de pessoas que lhe ofereceram um tecto e, muitas vezes, também dormiu ao relento. Experimentou a gastronomia no meio da rua, em tascas escondidas e nos omnipresentes buffets angolanos, saboreando funges, pirões, verduras, lagartas, macaco e também suricata… Cada um dos percursos corresponde a uma aventura, mas é também uma prova de que é possível viajar de maneira segura e descontraída pelo imenso território de Angola.
Ao longo do livro encontrará informações úteis sobre deslocações, alojamento, saúde, cultura, praias, história, aventura, etc. Tudo isto é uma boa ajuda para reduzir os imprevistos e aumentar o prazer de uma viagem por este país intenso e inesquecível, tanto nos seu paradoxos como nas suas gentes e viagens.
O autor propõe-lhe quinze percursos por um país fascinante, de gente amigável e de grandes horizontes.»
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