sexta-feira, maio 18, 2012

DOMINGO DE ANGOLA

"Para mim, domingo de Angola é paraíso. É um Céu. Colorido. É moamba de peixe ou caril de galinha de Quilengues. Domingo de Angola não tem rival no mundo. Começa na praia e acaba na sesta. Não tem Sporting-Benfica, nem linha de Sintra, não tem passeio a Vila Franca. Não tem touros, nem Cacilhas, nem caracóis no Ginjal. Domingo de Angola, para mim, é o melhor domingo do mundo que eu conheço – e que já não é nada pequeno, benza-o Deus. Moamba para mim é um ritual. Tem pirão de fuba de mandioca – que eu sou do Sul, usa-se de milho, mas eu prefiro de mandioca à moda do Norte, à moda de Malanje, tal qual no Uíje – mete farinha de pau e obrigado velha que está uma delícia. Tem de ser comido à sombra de um palmeira ou coqueiro, debaixo de uma mandioqueira ou mangueira quando é no interior. Porque coqueiro só no litoral. É por estas e por outras que eu gosto do domingo em Angola. Domingo de Branco. Domingo de Preto. Domingo de todos, domingo de missa, de padre, de domingo. A verdadeira moambada, aquela que é feita de galinha tenra, tão tenra que sabe a peito de virgem, a moamba verdadeira, tem de ser do cacho primeiro da palmeira do quintal. O molho será apurado pelo velho cozinheiro, que foi mestre dos pais, dos filhos e dos filhos dos filhos. Tem molho que é de “come e arrebenta e o que sobra vai no mar” como dizia o poeta patrício e mulato Viriato da Cruz, no “Sô Santo”. Moamba verdadeira, repito, só se come duas ou três vezes na vida. É preciso estar-se em estado de graça. Estar-se com Nosso Senhor e com os anjos. Moamba para mim, é saudade, hoje que estou longe, hoje que estou perto. Estou perto de estar tão longe. Não compreendem leitores? A gente está longe e tem saudades. Antes de adormecer, pela noite, vem a lembrança, da pitangueira do quintal, da Rosa Lavadeira, do amo-seco Canivete que falava “axim” à moda de Viseu, e tudo isso aparece nítido, cada vez mais claro e puro como certas horas da madrugada da Serra do Lépi. A primeira vez que comi moamba, dela me lembro como da primeira vez que beijei mulher, do primeiro desafio de futebol, do primeiro amor nocturno na areia da praia, com mulher de verdade. A primeira moamba, lembra-se como se lembra a primeira ida à escola. O travo nativo do cacho de déndém, que leva meses a fazer-se, até os frutos terem a tonalidade da queimada. Metade o clarão no céu da noite, a outra metade, escuro, um escuro de breu. Tudo isso o sabor tropical junta naquele fruto, que tem brisa do mar, sol de praia, frescura de casuarina, amor de mulata. O coconote e as influências indianas nadando no molho. Tem jindungo, a moamba genuína, aquela que cheira a sândalo, que escorre do canto da boca, do patrício apaixonado, de olho rútilo e lábio trémulo. Mas a galinha, essa tem de ser de Quilengues, magra e criada no mato, quase sem penas, galinha de sanzala, galinha de preto, que é como quem diz, de pobre. Isto está divinal, velha, eu um dia volto. Se entra a erva-doce, zumba que zumba e farinha de pau, oh, céus, oh, Mãe, isto não é moamba, isto é poesia. Literatura. Mas tem de ser comida no terreiro da casa de adobe do bairro velho. Tem de ser comida em ritual, na casa de adobe com telhado de zinco da estrada da escola da Liga, ou num dos Muceques de Luanda, por sobre as areias avermelhadas do Prenda ou do Burity. Depois a altura do peito de mulher na moleza da carne ou do peixe. Se é “roncador”, aka, é peixe da costa e sabe que sabe tão bem. Mas de galinha é melhor. Galinha de Quilengues escanifrada, repito. Galinha de pobre. Fico por momentos em êxtase, as mãos sobre o estômago, lembrando o terreiro da família Gamboa lá de Luanda onde comi uma coisa dessas uma vez há muitos anos. Num bairro velho de Benguela, eu estarei ainda um dia com meus companheiros dos tempos de eu menino, comendo moamba e bebendo quissângua à sombra do bambu do Edelfride – na casa do Edelfride. Moamba é riqueza de pobre e fraqueza de rico. Entra em palácios sem pedir licença, com o mesmo à vontade com que se senta nos quintais com sombra de mangueira e entra em terrina de esmalte, prato de esmalte, caneca de esmalte, garfo de alumínio. Velho sonho de poeta, lembrança de castimbala, moambada para mim é saudade e sonho, recordação e batuque, história de amor. Um dia, quando eu voltar, hei-de comer uma moambada de peixe ou de carne, à sombra de um cajueiro, num Muceque de Luanda, moamba do cacho primeiro da palmeira do quintal, não é velha? Depois de muito beber dormirei a sesta. E hei-de gostar de ouvir um desses rapazes do meu tempo, feito velho de cabelos brancos, recitar baixinho enquanto adormeço, a balada do Viriato: “… Kitoto e batuque pró povo lá fora champanha, ngaieta tocando lá dentro… Garganta cantando: “Come e arrebenta E o que sobra vai no mar…” Para mim, domingo de Angola é isso tudo. Um Céu colorido. Uma moamba de peixe. Uma noite de luar. … não tem Sporting-Benfica, não tem touros, nem caracóis no Ginjal…" Ernesto Lara Filho, in Jornal de Notícias, 1957 - Nota: Ernesto Lara Filho era irmão da poetisa Alda Lara

quinta-feira, maio 17, 2012

Deus segundo Espinoza

DEUS SEGUNDO ESPINOZA:
"Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor."
"Respeita o teu próximo e não lhe faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção à tua vida, que o teu estado de alerta seja o teu guia."
"Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. A minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti. "
"Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, tocando em ti."
Quer acredite ou não, as palavras acima, foram escritas em pleno século XVII, e são de Espinoza.
Baruch (Bento ou Benedito)  Espinoza nasceu em 1632 em Amesterdão e faleceu em Haia, em 21 de fevereiro de 1677. Foi um dos grandes racionalistas do século XVII, dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com Descartes e Leibniz.
Era de família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno.

quarta-feira, maio 16, 2012

HAVE YOU EVER SEEN THE RAIN?

Recorde (ou conheça), hoje, o grupo californiano Creedence Clearwater Revival no tema "Have You Ever Seen The Rain?
Creedence Clearwater Revival foi uma banda de "country rock",  constituída por John Fogerty (guitarra e vocais principais), Tom Fogerty (guitarra), Stu Cook (baixo) e Doug Clifford (bateria), que, sob outras denominações, tocavam juntos desde 1959. Adoptaram o nome Creedence Clearwater Revival em 1967. Com ele lançaram as primeiras gravações em 1968. O nome surgiu pela junção do nome de um amigo de Tom Fogerty, "Credence Nubal", com "Clearwater", uma cerveja da época e Revival, simbolizando a união entre os membros, que já tocavam juntos desde 1959. Ao nome de Credence, adicionaram um "e" para lembrar "creed" (crença, credo). Em 1968 obtiveram o primeiro disco de ouro, com o álbum de estreia, Creedence Clearwater Revival.
Ao longo da carreira, entre singles e álbuns, conquistaram nove discos de ouro e sete discos de platina. Separaram-se em julho de 1972. John Fogerty foi quem teve mais êxito na carreira solo. O seu irmão Tom faleceu em 6 de setembro de 1990. Em 1993, o Creedence Clearwater Revival deixou a sua marca no Rock and Roll Hall of Fame. Recentemente, Stu Cook e Doug Clifford formaram o Creedence Clearwater Revisited, e passaram a dar concertos pelo mundo, tocando os antigos sucessos da formação original.
 "HAVE YOU EVER SEEN THE RAIN?"
Someone told me long ago There's a calm before the storm,
I know; It's been comin' for some time.
When it's over, so they say, It'll rain a sunny day,
I know; Shinin' down like water.

CHORUS:
I want to know, Have you ever seen the rain?
I want to know, Have you ever seen the rain
Comin' down on a sunny day?

Yesterday, and days before, Sun is cold and rain is hard,
I know; Been that way for all my time.
'Til forever, on it goes Through the circle, fast and slow,
I know; It can't stop, I wonder.

CHORUS
Yeah!
CHORUS

segunda-feira, maio 14, 2012

Velha Chica

Proponho-lhe que oiça (e veja), hoje, Dulce Pontes e Waldemar Bastos em "Velha Chica" (Live 1999). Dulce Pontes (1969) é uma das cantoras portuguesas mais populares e reconhecidas internacionalmente. Canta canções pop, música tradicional portuguesa (fado e folclore incluído), bem como música clássica. Costuma definir-se como uma artista da "world music". Também compõe alguns dos temas que canta. A sua actividade artística contribuiu para o renascimento do fado nos anos noventa do século passado. Dulce distingue-se principalmente pela sua voz, que é versátil, dramática e com uma capacidade invulgar de transmitir emoções. É uma soprano dramática com uma voz potente, versátil e penetrante. É considerada uma das melhores artistas dentro do panorama musical português. Já actuou no Carnegie Hall e ao lado de nomes como Enio Morricone, Andrea Bocelli e José Carreras.
Tal como já referi, aqui neste blogue, Waldemar Bastos é, em contrapartida, um dos maiores ícones da música angolana de todos os tempos.

domingo, maio 13, 2012

Espaço curvo e finito

Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças e ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe, um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.
José Saramago - De "Os Poemas Possíveis", Editorial Caminho, Lisboa, 1981. 3ª edição

sábado, maio 12, 2012

"Ai Se Eu Te Pego, (N'DANDA KUKUATA)" ... em Umbundo

"Ai Se Eu Te Pego" é uma canção composta e produzida por Sharon Acioly e Antônio Dyggs, Sharon Acioly é também autora de outro grande sucesso, o funk "Dança do Quadrado".
A primeira versão desta música apareceu no final de 2008, em Porto Seguro, no litoral sul da Baía (Brasil). Na altura, a letra desta música era ligeiramente diferente. A canção foi interpretada, posteriormente, pela banda "Cangaia de Jegue" (2010). No entanto, a versão mais conhecida de "Ai Se Eu Te Pego", é a cantada pelo cantor sertanejo, Michel Teló, e foi lançada em julho de 2011, servindo como o primeiro single do álbum "Michel na Balada".
Mais tarde, o referido single foi lançado mundialmente, tendo esta canção atingido uma enorme popularidade. Apesar de ser uma canção de "pop sertanejo", tem uma letra com que a juventude da actualidade, se identifica, em todas as partes do mundo. Se a quiser ouvir na voz de Michel Teló basta clicar aqui.
"Ai Se Eu Te Pego" chegou à primeira posição, nos Tops, do Brasil, da Espanha, da Holanda e da Itália, e alcançou as dez primeiras posições na Suiça, deixando para trás grandes nomes da música mundial. Também detém o "record" de ser a canção brasileira com maior número de visualizações no Youtube, com mais de 100 milhões acessos.
Como não poderia deixar de ser, "Ai Se Eu Te Pego", também fez um enorme sucesso em Angola. Daí que, Xico Barata, cantor angolano, fizesse uma versão de "Ai Se Eu Te Pego - N'DANDA KUKUATA", em Umbundo (uma das línguas nacionais de Angola). Sugiro-lhe, pois, que veja o vídeo com esta versão, que foi gravado na Praia da Rocha (Portugal).
 Em seguida, veja porque é que Xico Barata (o rei do Kizomba) decidiu gravar em Umbundo, "Ai Se Eu Te Pego" - N'DANDA KUKUATA.

sexta-feira, maio 11, 2012

Conexão Lusófona

No dia 12 de Maio, a cidade de Lisboa assinala o encerramento da semana da cultura dos países de língua portuguesa. Este encerramento é feito com Festival Conexão Lusófona, que vai ocorrer no Mercado da Ribeira.
A Conexão Lusófona é um movimento espontâneo de jovens da Lusofonia, espalhados pelos quatro continentes mas unidos pela "internet". Estes jovens decidiram pôr em prática projectos culturais e educacionais que visam promover um sentimento de identificação e pertença à Lusofonia e estimulam a cidadania activa da  juventude. Esta é a primeira organização de jovens da Lusofonia. Pretendem, com estas iniciativas, criar um efeito multiplicador que leve ao aumento do número de  jovens interessados no tema da Lusofonia.
Sara Tavares, Yuri da Cunha, Susana Félix, Júlio Pereira, Tito Paris, Manecas Costa, Couple Coffee, Luiz Caracol, Aline Frazão, Pierre Aderne, Costa Neto, Tubias Vaiana e Kay Limak são os nomes confirmados para o evento que terá lugar no Mercado da Ribeira.
Esta será uma celebração intimista para um público ecléctico, que fará uma imersão nos sons e sabores, nas cores, imagens e pessoas da comunidade Lusófona. Além dos artistas anunciados, este evento contará ainda com a presença de muitas personalidades da cultura lusófona, que igualmente integram o movimento. Aqui fica a informação. Vá até lá e faça também parte desta Conexão.
Não deixe que esgote!! Envie já um email para festival@conexaolusofona.org e faça a sua reserva. Entretanto, para se entusiasmar, veja abaixo o vídeo promocional.

quinta-feira, maio 10, 2012

Augusto Boal

Augusto Boal (1931 —  2009), foi director de teatro, dramaturgo e ensaísta brasileiro e uma das grandes figuras do teatro contemporâneo internacional.
Augusto Boal (conhecido como o Leão da Arena), embora brasileiro, era filho de pai português e trabalhou em Portugal, por algum tempo, no Teatro "A Barraca". Boal teve um papel importante na renovação do teatro português.
Foi o fundador do Teatro do Oprimido, que alia o teatro à acção social. As suas técnicas e práticas difundiram-se pelo mundo, nomeadamente nas três últimas décadas do século XX, sendo largamente empregadas não só por aqueles que entendem o teatro como instrumento de emancipação política mas também nas áreas da educação, da saúde mental e do sistema prisional.
Nas palavras do próprio Boal: "O Teatro do Oprimido é o teatro no sentido mais arcaico do termo. Todos os seres humanos são atores - porque atuam - e espectadores - porque observam. Somos todos 'espect-atores'".
O dramaturgo ficou conhecido não só pela sua participação no Teatro de Arena da cidade de São Paulo (1956 a 1970), mas também devido às sua teses do Teatro do oprimido, inspiradas nas propostas do educador Paulo Freire.
Boal morreu em 2009.  Morreu aquele para quem o teatro não era apenas um espectáculo, mas uma forma de vida. "Porque tudo que fazemos no palco fazemos sempre em nossas vidas: nós somos teatro", dizia Augusto Boal.
Augusto Boal foi nomeado Embaixador Mundial do Teatro pela Unesco, tendo integrado, igualmente, a lista de candidatos ao Prémio Nobel da Paz em 2008.
O discurso do último Dia Mundial do Teatro em que participou (2009), é da sua autoria: "Assistam ao espetáculo que vai começar; depois, em suas casas com seus amigos, façam suas peças vocês mesmos e vejam o que jamais puderam ver: aquilo que salta aos olhos".

quarta-feira, maio 09, 2012

Os Governos & o Povo


Victor Hugo (1802 — 1885) foi um novelista, poeta, dramaturgo, ensaísta, artista, estadista e activista (pelos direitos humanos) francês. Teve no seu país uma grande actuação política. É autor de "Les Misérables" e de "Notre-Dame de Paris", entre diversas outras obras de referência.

terça-feira, maio 08, 2012

Malta

Malta, oficialmente República de Malta, é um país desenvolvido no sul do continente europeu. É  um arquipélago (apenas as três maiores ilhas - Malta, Gozo e Comino - são habitadas)  situado no centro do  Mar Mediterrâneo. Fica a 93 km a sul da Sicília, a 288 km a nordeste de Tunísia,  a 1 826 km a este de Gibraltar e a  1 510 km a oeste de Alexandria. Malta tem uma área  de 316 km2 sendo, por isso, um dos menores países da Europa. Em contrapartida, é um dos países mais densamente povoados deste continente. A capital é  Valeta e a maior cidade é Birkirkara. A língua nacional é o maltês, embora o inglês seja a sua  língua oficial.
Malta tem um longo passado histórico que remonta a 5200 anos aC. Por volta do ano 1000 a.C., passou a ser uma colónia Fenícia. Em 736 a.C., foram ocupadas pelos gregos e posteriormente passaram a ser domínio dos cartagineses (400 a.C.) e depois dos romanos (218 a.C.). Segundo o livro dos Atos dos Apóstolos, no ano 60 da era cristã, S. Paulo naufragou e chegou à costa maltesa, onde promoveu a conversão dos seus habitantes. A partir desta data, os malteses aderiram ao Cristianismo e permanecem-lhe fiéis até hoje.
O Império Bizantino controlou-a até 870, quando foi conquistada pelos árabes muçulmanos, que influenciaram o seu idioma e cultura. Ao longo da história, a localização de Malta tem dado grande importância estratégica e uma sequência de poderes, incluindo fenícios, gregos, romanos, entre outros.
Nos séculos seguintes vários povos ocuparam ou passaram por este território: italianos,turcos, normandos, espanhóis, franceses e ingleses. De qualquer modo, é de refrir que em 1530, estas ilhas foram cedidas pela Espanha à Ordem Hospitalar de São João de Jerusalém (ordem religiosa e militar pertencente à Igreja Católica). Esta ordem monástica, hoje conhecida como "Ordem de Malta", foi sitiada pelos turcos otomanos em 1565, após o que acrescentaram as fortificações, especialmente na nova cidade de Valeta. Os Cavaleiros de São João de Jerusalém governaram estas ilhas até o século XIX. Malta ganhou independência do Reino Unido em 1964 e tornou-se uma república em 1974, mantendo-se ligada à Commonwealth. É um membro da Nações Unidas (desde dezembro de 1964) e um membro da União Europeia desde maio de 2004. Malta é também parte do Acordo de Schengen (desde 2007) e membro da Zona do Euro (desde 2008).

segunda-feira, maio 07, 2012

Uma Intervenção na Actualidade Portuguesa

"Portugal pode estar em crise, mas as tuas ideias ainda não pagam IVA"!
Foi assim que, "O Portugal2011.AnoNacionaldaCrise" endereçou convites a vários criativos para apresentarem propostas, exporem ideias ou criarem objectos". Pretenderam os autores da iniciativa, "através deste desafio, reunir um conjunto de ideias e concretizações que dessem (mais) corpo ao projecto, numa intervenção e reflexão conjuntas motivadas por uma mesma insatisfação social e inquietação ideológica. Este foi, desde o primeiro momento, o objectivo desta iniciativa". Os resultados foram, também, apresentados na página do Facebook e no site do projecto. A exposição, que se encontrava em fase de estudo, tornou-se realidade e foi inaugurada no dia 3/5. Está patente ao público desde o dia 4 de Maio na Galeria Sala do Risco (Largo de Stº António à Sé), em Lisboa. Para além da mostra "das propostas dos PARTICIPA(!)NTES", a exposição conta com as participações especiais de Bela Silva, Gonçalo Tocha, João Paulo Cotrim, Mário Gomes e Pedro Burgos.
Entretanto, para lhe abrir o apetite, ficam aqui algumas das propostas que pode ver na exposição.  Esta é a peça da autoria de Sílvia Estiveira, com a colaboração de Sónia Figueirinhas, que executou o bordado à mão. "sou um primor de moça namoradeira esbanjo no amor e poupo na carteira" .
"Rifa o País" é uma  peça da autoria de Pedro Fróis Meneses e Susana Gama para o Portugal 2011 Ano Nacional da Crise.
De acordo com os autores  "Enquanto decorre o plano de privatização em Portugal, perde-se parte da autonomia e parte do património financeiro português. Como no jogo Monopoly, se se cair no Rossio ou na Rua Augusta fica-se logo com aquela casa. Os portugueses foram pondo o dinheiro e foram pondo casas e hotéis... mas as contas do jogador português foram-se agravando e tivemos de tirar de lá uns hotéis. Até aí percebe-se. Mas agora lá foram o Rossio e a Rua Augusta. Depois de se irem os anéis, também se vão os dedos. Num país de memórias, materializado no património cultural, que se rifem os Clérigos, a Torre de Belém e o Castelo de Guimarães."
Não se fique, contudo  por aqui, e vá à Sala do Risco ver o resto!

domingo, maio 06, 2012

SÓ POR ISSO, MÃE

Mesmo que a noite esteja escura,
Ou por isso,
Quero acender a minha estrela.


Mesmo que o mar esteja morto,
Ou por isso,
Quero enfunar a minha vela.


Mesmo que a vida esteja nua,
Ou por isso,
Quero vestir-lhe o meu poema.


Só porque tu existes,
Vale a pena!
Lopes Morgado, Mulher Mãe

sábado, maio 05, 2012

Sampa

Fique com a voz e as palavras de Caetano Veloso na canção "Sampa". Sampa é mais um dos hinos à cidade de São Paulo, no Brasil. Caetano relata a triste realidade dos imigrantes nordestinos, na maioria baianos (de S. Salvador na Baía) que chegam à cidade de São Paulo.
Ora veja!

"Alguma coisa acontece
No meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga
E a avenida São João...

É que quando eu cheguei por aqui
Eu nada entendi
Da dura poesia
Concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta
De tuas meninas...

Ainda não havia para mim Rita Lee
A tua mais completa tradução
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga
E a avenida São João...

Quando eu te encarei
Frente a frente
Não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi,
De mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio
O que não é espelho
E à mente apavora
O que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes
Quando não somos mutantes...

E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho
Feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te
De realidade
Porque és o avesso
Do avesso, do avesso, do avesso...

Do povo oprimido nas filas,
Nas vilas, favelas
Da força da grana que ergue
E destrói coisas belas
Da feia fumaça que sobe,
Apagando as estrelas
Eu vejo surgir teus poetas
De campos, espaços
Tuas oficinas de florestas,
Teus deuses da chuva...

Pan-Américas
De Áfricas utópicas,
Túmulo do samba
Mais possível novo
Quilombo de Zumbi
E os novos baianos
Passeiam na tua garoa
E novos baianos
Te podem curtir numa boa"...
Caetano Veloso

sexta-feira, maio 04, 2012

A conversa era sobre Deus

A conversa era sobre Deus,
embora o teólogo estivesse inclinado
a pensar que fosse sobre outra coisa,
pois era hora de jantar.
Pegou num cigarro e perguntou às senhoras se podia fumar.
Tinha devorado o pargo com honesto apetite
e elogiava as virtudes do cozinheiro.
Só Deus, Algures, chorava sobre
os despojos da sua pequena criatura na travessa
a caminho da copa, antes da sobremesa.
Manuel António Pina, in Atropelamento e fuga

quinta-feira, maio 03, 2012

A Invenção do Amor





A "Short Love Story In Stop Motion" é um filme de animação concebido e realizado pelo argentino Carlos Lascano, em 2008. Dois pássaros conseguem fugir, voando, do desenho concebido por uma criança. Através deles conseguimo-nos aperceber dos sonhos e aspirações daquela menina.  Ora veja!

quarta-feira, maio 02, 2012

Sociedade & Democracia


Jean-Jacques Rousseau (1712 — 1778), foi um importante filósofo, teórico político, escritor e compositor autodidata suíço.
É considerado um dos principais filósofos do iluminismo e um precursor do romantismo.

terça-feira, maio 01, 2012

Poema do mais triste Maio

Meus amigos, meus inimigos,
Saibam todos que o velho bardo
Está agora, entre mil perigos,
Comendo, em vez de rosas, cardo.

Acabou-se a idade das rosas!
Das rosas, dos lírios, dos nardos
E outras espécies olorosas:
É chegado o tempo dos cardos.

E passada a sazão das rosas,
Tudo é vil, tudo é sáfio, árduo.
Nas longas horas dolorosas
Pungem fundo as puas do cardo.

As saudades não me consolam,
Antes ferem-me como dardos.
As companhias me desolam,
E os versos que me vêm, vêm tardos.

Meus amigos, meus inimigos,
Saibam todos que o velho bardo
Está agora, entre mil perigos,
Comendo, em vez de rosas, cardo.
Manuel Bandeira, Antologia, Relógio d'Água

segunda-feira, abril 30, 2012

A Odisseia da Cartier

"L'Odyssée de Cartier" é o novo filme publicitário da Cartier, realizado por Bruno Aveillan. Veja como a publicidade pode ser mágica. Este pequeno filme publicitário mistura de forma fantástica o sonho e a realidade. Descubra, através dele, a história da Cartier (desde 1847), as suas fontes de inspiração, os seus valores artísticos e a sua universalidade.
A Cartier (empresa ligada ao negócio das jóias e dos relógios) tem uma grande tradição de prestação de serviços não só a estrelas de cinema e a celebridades de todo o tipo, mas também à realeza mundial. A Cartier é, por isto mesmo, conhecida como "O Rei dos Joalheiros" ou como "Os Joalheiros de Reis".
Uma das suas imagens de marca, é a utilização de animais selvagens como fonte de inspiração para o fabrico de algumas das suas peças mais famosas. Quem não se lembra da jóia "Pantera" e da jóia "Flamingo" (1940), criadas para Wallis Simpson, ou do colar de diamantes criado para Bhupinder Singh, Marajá de Patiala?
Veja agora este pequeno filme publicitário que mostra como esta actividade nos pode surpreender e fazer sonhar.
L'Odyssée de Cartier from Luxury social media on Vimeo.

domingo, abril 29, 2012

O preço a pagar...

Platão foi um filósofo e matemático do período clássico da Grécia Antiga. Foi autor de diversos diálogos filosóficos e fundador da Academia em Atenas, a primeira instituição de educação superior do mundo ocidental. Juntamente com seu mentor, Sócrates, e o seu pupilo, Aristóteles, Platão ajudou a construir os alicerces da filosofia natural, da ciência e da filosofia ocidental.