sexta-feira, março 20, 2009

Equinócio de Março


Em astronomia, equinócio é definido como um dos dois momentos em que o Sol, na sua órbita aparente, cruza o plano do equador celeste. Mais precisamente, é o ponto onde a Eclíptica cruza o equador celeste. A palavra equinócio vem do Latim e significa noites iguais, ou seja, ocasiões em que o dia e a noite duram o mesmo tempo. Com esta definição, o dia e a noite durante os equinócios têm igualmente 12 horas de duração. Os equinócios ocorrem nos meses de Março e Setembro e definem as mudanças de estação. No hemisfério Norte a primavera inicia-se em Março e o Outono em Setembro. No hemisfério sul é o contrário.
A Primavera do hemisfério norte é chamada de Primavera Boreal, e a do hemisfério sul é chamada de Primavera Austral.
O nome Março surgiu na Roma Antiga, quando Março era o primeiro mês do ano e se chamava Martius, depois Marte, o deus romano da guerra. Em Roma, onde o clima é mediterrânico, Março era o primeiro mês da primavera, um evento lógico para se iniciar um novo ano, bem como para que se começassem as campanhas militares.
As datas dos equinócios variam de um ano para outro devido aos anos bissextos, que foram criados para corrigir o facto de um ano não ter a duração exacta de 365 dias.
No século XXI já houve dois anos em que o equinócio de Março aconteceu no dia 21 (2003 e 2007) e espera-se que por volta do ano 2040 passe a haver anos em que o equinócio aconteça no dia 19 de Março.
Devido à órbita da Terra, as datas nas quais ocorrem os equinócios não dividem o ano num número igual de dias. Isto ocorre porque quando a Terra está mais próxima do Sol (periélio) viaja mais velozmente do que quanto está mais longe (afélio).



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Este é o ano da Astronomia

Em Dezembro de 2007, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2009 como o Ano Internacional da Astronomia. Esta comemoração pretende ser uma celebração global da Astronomia e da sua contribuição para a sociedade e para a cultura, principalmente junto dos jovens.
O AIA2009 assinala a primeira utilização do telescópio por Galileu, para observações astronómicas e vai ser celebrado um pouco por todo o mundo.

No âmbito das comemorações do Ano Internacional da Astronomia (AIA2009), a Escola Superior de Biotecnologia em Caldas da Rainha vai receber uma palestra, no dia 21 de Março, pelas 21 horas, intitulada: Galileu e o Ano Internacional da Astronomia e a importância da data 21 de Março: O Equinócio de Março.

Se as condições atmosféricas forem favoráveis, poderão ser feitas observações a olho nu e com telescópio, nesta iniciativa que é organizada pela Escola Secundária Raul Proença, de Caldas da Rainha.



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quinta-feira, março 19, 2009

Vem aí a Primavera!


Estamos a chegar ao Equinócio de Março que marca, nestas paragens, o início da Primavera.Esta é a estação do ano que se associa ao reflorescimento, à alegria, à luz, à cor e à vida.


A Fonte
Com voz nascente a fonte nos convida
A renascermos incessantemente
Na luz do antigo sol nu e recente
E no sussurro da noite primitiva.
Sophia de Mello Breyner

As Flores
Era preciso agradecer às flores
Terem guardado em si,
Límpida e pura,
Aquela promessa antiga
Duma manhã futura.
Sophia de Mello Breyner


Glória
Depois do Inverno, morte figurada,
A primavera, uma assunção de flores.
A vida
Renascida
E celebrada
Num festival de pétalas e cores.
Miguel Torga



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quarta-feira, março 18, 2009

Para Reflectir...

Ainda a propósito do prazer de ler e da leitura nas escolas, deixo-vos agora um pequeno resumo, de uma excelente entrevista de Ana Sousa Dias a Fernando Savater. Este autor refere, entre outros assuntos e a propósito da leitura, que os prazeres se contagiam, não se impõem! A não perder.


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terça-feira, março 17, 2009

Porque ler é bom!

Porque ler é bom, aqui vos deixo dois outros vídeos que falam, de forma diferente, do prazer e da importância da leitura.

Mensagem LER, do ilustríssimo escritor Luís Fernando Veríssimo.

Genial vídeo de campanha de incentivo à leitura idealizado e produzido por: Deborah Toniolo, Marina Xavier, Julia Brasileiro, Igor Melo, Jader Félix, João Paulo Moura, Luciano Midlej, Marcos Diniz, Paulo Diniz, Filipe Bezerra. (Alunos do 2ºano - turma pp02/2003 - do curso de Publicidade e Propaganda da UNIFACS - Universidade Salvador).



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segunda-feira, março 16, 2009

Era uma vez um espantalho...

A vida de um espantalho muda quando decide tornar-se amigo dos pássaros...
Este pequeno filme tem sido internacionalmente aclamado e tem recebido numerosos prémios desde a sua estréia (incluindo a pré-selecção para os óscares). Ganhou o grande prémio de curtas no Fantasporto há três anos.
Vale a pena ver!


The Legend of the Scarecrow from Carlos Lascano on Vimeo.


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domingo, março 15, 2009

Ler é importante

Três excelentes vídeos, de campanhas brasileiras, sobre a importância da leitura no desenvolvimento de crianças e jovens.







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sábado, março 14, 2009

De pequenino ...

Do Brasil chegam-nos alguns vídeos de campanhas de incentivo à leitura.
Este dá-nos algumas sugestões de como e quando motivar os mais pequeninos a ler.


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sexta-feira, março 13, 2009

Eu a ler +

Um vídeo que apela à leitura, iniciativa do Plano Nacional de Leitura.



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quinta-feira, março 12, 2009

Hoje está um lindo dia...

Este pequeno filme (2-3 minutos) foi premiado, este ano, no Festival
de Cannes! É uma curta metragem que conta a "História de um Letreiro!
Mostra a força que tem o dizer a mesma coisa com palavras diferentes!
Lindo!



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quarta-feira, março 11, 2009

Ynari: A Menina das Cinco Tranças

Ynari é uma menina com cinco tranças e muita vontade de conhecer outras aldeias.
Perto do rio, Ynari encontra um homem pequenino e descobre que a guerra também faz parte do mundo. Com a ajuda das suas cinco tranças, a menina vai mostrar que as crianças, com magia e ternura, podem mudar todas as aldeias e acabar com todas as guerras.
Numa viagem de sensibilidade e sabedoria, com estrelas e cores, é possível inventar ou destruir palavras. Brincando com os sentidos da vida e da paz, Ynari redescobre uma palavra antiga cheia de uma magia nova: amizade.
Esta é a nossa sugestão de leitura de um dos livros de Ondjaki, livro que também é recomendado pelo Plano Nacional de Leitura.



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terça-feira, março 10, 2009

E, viva a liberdade!...

Mais uma curta metragem. Esta foi premiada no Festival de Berlim! Vale a pena ver! Dá que pensar...


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segunda-feira, março 09, 2009

O Plano Nacional de Leitura

As virtualidades do Plano Nacional de Leitura na voz da Comissária do P. N. L., Isabel Alçada.
Isabel Alçada e Ana Maria Magalhães são duas das mais conceituadas escritoras para o público juvenil. Nunca é de mais referir a Colecção Uma Aventura, destas autoras, com títulos variados que têm feito as delícias dos leitores mais jovens.





E a resposta de uma Escola ao Plano Nacional de Leitura.

domingo, março 08, 2009

Woman

Neste 8 de Março, Dia Internacional da Mulher, um vídeo que alia uma excelente música de John Lennon, a frases de alguns escritores e filósofos sobre a condição feminina.
Excelente Dia Internacional da Mulher.


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Elas...

Este vídeo sintetiza, em poucos minutos, a história da luta pela conquista de direitos fundamentais para as mulheres. Revela algumas mulheres que se tornaram, de uma forma ou de outra, protagonistas dessas batalhas.

sábado, março 07, 2009

O Menino Nicolau


O menino Nicolau é um menino muito traquina que, neste livro, vai passar as férias de Verão a um hotel, onde conhece muitos amigos como o Blaise, o Frutuoso, o Mamert (o idiota), o Ireneu, o Fabrício, o Cosme e o Ivo. Juntos, só fazem tropelias, quer no hotel, quer na praia.
É uma dose de diversão e de aventura que só lendo o livro podem descobrir.
Alguns dos títulos da popular personagem que têm feito as delícias de pais e filhos ao longo dos anos são, por exemplo, O Menino Nicolau, As Férias do Menino Nicolau, As Aventuras do Menino Nicolau e O Regresso do Menino Nicolau .

Com texto de Goscinny (o mesmo do Asterix ) e desenhos de Sempé os livros são ricos em comicidade e ternura . Aqui vos deixo um pequeno excerto de um deles.

(...)"O Eudes não disse nada, desceu da caixa e veio até à primeira fila, enquanto o Alceste ia para a última fila. Isso provocou uma certa desordem, sobretudo quando o Eudes passou pelo Alceste e lhe deu um murro no nariz. O Alceste quis dar um pontapé ao Eudes, mas este esquivou-se e foi o Aniano que apanhou com o pé, felizmente no sítio onde não tem óculos. Isso não impediu o Aniano de se pôr a chorar e a berrar que já não via, que ninguém gostava dele e que queria morrer. A professora consolou-o, assoou-o, e voltou a penteá-lo e castigou o Alceste, ele tem de escrever cem vezes: Eu não devo bater num colega que não implica comigo e que usa óculos.
Bem feito disse o Aniano. Então aprofessora também lhe deu umas linhas para escrever. O Aniano ficou de tal maneira espantado que nem sequer chorou.
A professora começou a distribuir os castigos de uma forma bem gira, todos tinhamos montes de linhas para escrever e por fim, a professora disse-nos"(...).



Com a morte de Goscinny, felizmente, Anne Goscinny, a filha do genial criador das imortais figuras de Nicolau e Astérix, encontrou e reuniu, pela primeira vez em livro, mais oitenta história do Menino Nicolau, ilustradas como sempre por Sempé e que têm como título: O Regresso do Menino Nicolau.



sexta-feira, março 06, 2009

Ler + é preciso!


Mais uma sugestão de leitura... Agora recomendo um livro integrado no Plano Nacional de Leitura.

O Meu Pé de Laranja Lima
Neste livro encontrará a história comovente do menino Zezé, de seis anos, uma criança pobre, inteligente, sensível e carente. Carente de um afecto que não encontra na família, por isso, torna-se muito traquinas e travesso...

quinta-feira, março 05, 2009

O Baile na Biblioteca

Nomes conhecidos da música portuguesa criaram o grupo Cabeças no Ar. A letra desta música faz referência à leitura e ao prazer de ler, actividades que podem transformar a vida e uma biblioteca num local de festa. Ouçam, agora com muita atenção O Baile na Biblioteca.



Deste mesmo grupo aconselho um outro tema: O Cheiro dos Livros.


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quarta-feira, março 04, 2009

Ondjaki

Ondjaki jovem escritor Angolano nascido em Luanda em 1977, foi distinguido com o prémio literário internacional, Grinzane Cavour Literary Prize for Africa.

Ao receber o prémio, o escritor e também cineasta de 30 anos, disse: Ser jovem escritor africano implica para mim reflectir com seriedade sobre o mundo que nos rodeia e sobre a ficcionalidade que orienta o meu trabalho, buscando a humildade nos momentos de exposição, buscando a tradição nos momentos de interioridade e buscando a liberdade no momento de escolher as palavras que dão corpo às estórias. Cada referência a um livro meu é uma referência à literatura angolana, cada momento da literatura angolana é uma benção à literatura africana.
Cada livro é um grito poético do nosso continente murmurando as suas circunstâncias, os seus gestos, os seus sofrimentos. Mas, também as suas magias, as suas esperanças e o seu futuro estético. Dedico este prémio a todos os contadores de estórias que levam no coração uma África nova, uma África verdadeiramente livre.
Este escritor angolano foi laureado, também, em 2007 com o grande prémio de Conto Camilo Castelo Branco, pelo seu livro Os da Minha Rua.
Recentemente, apresentou em Luanda, o romance histórico intitulado Avô Dezanove e o Segredo do Soviético. Segundo o autor este é um livro sobre a Luanda dos anos 80, com histórias das crianças do bairro da Praia do Bispo que apreciavam os trabalhadores das obras do Mausoléu.
Ondjaki, que já esteve,como convidado, na nossa escola, tem dez títulos publicados em diversas línguas e é membro da União dos Escritores Angolanos.
Aconselhamos, ainda, outros livros de Ondjaki:Ynari. A Menina das Cinco Tranças (il.), Há Prendisajens com o Xão, O Assobiador, E se Amanhã o Medo.

terça-feira, março 03, 2009

Duas Sugestões de Leitura


Da escritora juvenil, Ana Saldanha, deixo-vos como sugestão de leitura dois livros.
Cinco Tempos, Quatro Intervalos
Uma menina gorda chamada Dulce, que gosta de gatos e tem pais divorciados. E tudo se passa ao longo de uma manhã de aulas. Poderia resumir-se assim este livro... Se não fosse o talento da autora, o modo como trabalhou o tema, a consistência e a verosimilhança das personagens, a forma contida como tudo é apresentado - muito embora a emoção não deixe de estar presente. Com uma escrita notável é, certamente, o melhor livro para a faixa juvenil que Ana Saldanha escreveu até hoje.
Uma Questão de Cor

Quando a prenda de Natal é um computador, quem quer saber do trabalho de casa de Matemática? Todo os momentos livres são necessários para jogar uns jogos malucos.Os pais da Nina é que não concordam. Nem o Danny, o primo que vem viver para casa dela.Por que teve o Danny de mudar de escola? O que fazer em casos de ataques de criancice? E quando há falhas no sistema? E o Vítor, por que começa a comportar-se de forma tão palerma? Será que os amigos da Nina não compreendem que somos todos diferentes, mas todos iguais?

segunda-feira, março 02, 2009

Um Encontro Com...Ana Saldanha

Mais uma vez, a Biblioteca da ESL promove um encontro com um escritor, a que demos o nome de Um Encontro Com…
Este ano convidamos Ana Saldanha para conversar connosco.
Ana Saldanha nasceu no Porto (em 1959), tendo-se licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (Português e Inglês). Tem o mestrado em Literatura Inglesa pela Universidade de Birmingham e é actualmente leitora de Português na Universidade de Glasgow.
É uma escritora cujos livros se destinam a um público pré-adolescente, adolescente e juvenil.
Pela sua obra tem recebido vários prémios. Assim, ganhou o Prémio Literário Cidade de Almada com o seu romance Círculo Imperfeito (Presença). Tem-se também dedicado à tradução (Longo caminho para a liberdade, autobiografia de Nelson Mandela, Campo das Letras, 2009) mas, é sobretudo conhecida como autora de livros para jovens, domínio em que se afirma como uma das vozes mais seguras e promissoras do panorama português contemporâneo. De salientar, entre outros, os seguintes livros desta autora: Uma questão de cor; Doçura amarga; Cinco tempos quatro intervalos.

sábado, fevereiro 28, 2009

A Nossa Biblioteca



A nossa Biblioteca faz parte da Rede de Bibliotecas Escolares desde o início (1997).
A participação neste projecto tem permitido a melhoria não só das instalações mas também tem permitido perceber a importância de uma Biblioteca/Centro de Recursos Educativos.
É que aprender é cada vez menos decorar conhecimentos.
Aprender é cada vez mais saber perguntar, saber pesquisar, saber utilizar e avaliar os conhecimentos.
A Biblioteca da nossa Escola procura ajudar a esclarecer algumas dúvidas, a fazer perguntas e oferece os meios para se obterem as respostas que procuramos.
A Biblioteca é um espaço com bom ambiente e ideal para o trabalho individual ou em grupo.
Ali pode-se pesquisar utilizando diversos meios: livros, revistas, manuais escolares, dossiês temáticos, Cd, Dvd, vídeos e os computadores.
Como é um espaço agradável e sossegado pode-se estar, também, a ouvir música ou a ler pelo prazer de ler ou pode-se trabalhar nas actividades do Clube dos Amigos da Biblioteca.
A Biblioteca organiza feiras do livro e exposições, assinala efemérides e comemora dias mundiais. Algumas vezes convida escritores para conversar e promove semanas da leitura e do livro.
De 2 a 6 de Março vai decorrer, este ano, a Semana do Livro e da Leitura. Começaremos a semana com: Um Encontro com... Ana Saldanha. Mas há outras actividades: Feira do Livro, Exposição sobre As Profissões dos Galegos em Lisboa, Exposição sobre Química, Actividades de promoção da Leitura, etc., etc.

A Biblioteca da Escola é uma janela aberta para o mundo!
Há que mantê-la Aberta!
Utilize a Biblioteca.
Cresça com ela!

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Entre Arlequins, Columbinas, Pierrots e Dominós...



A Colombina é uma personagem deste género de teatro popular (Commedia Dell'Arte). Em geral, aparece como serva ou empregada de alguma dama. É caracterizada como uma rapariga linda e inteligente, de humor rápido e irónico que está sempre envolvida em intrigas e coscuvilhices. É apaixonada por Arlequim, e amada em segredo pelo romântico Pierrot.









O Pierrot é apaixonado pela Colombina, mas, não é correspondido! Teve como origem o personagem italiano Pedrolino. Representa a idealização do amor. É um sonhador, tradicionalmente retratado com uma lágrima que lhe escorre pelo rosto. Aparece vestido de blusa e calças largas e brancas.



O Arlequim surgiu primeiramente com a função de divertir as pessoas durante os intervalos dos espetáculos. Porém, foi ganhando expressão, chegando a fazer parte das estórias.
O seu traje é feito de retalhos multicoloridos, geralmente em forma de losangos, que mais ainda o destacavam em cena e o identificava, também, como um servo. Também ele é apaixonado por Colombina, mas nem sempre é fiel e o romance dos dois é cheio de idas e vindas...
Existe contudo, ainda, uma versão igualmente famosa, com origem napolitana que é o Polichinelo.

Dominó é uma palavra (s.m.) que pode significar túnica, com capuz e mangas, para disfarce de mascarados pelo carnaval ou pessoa que veste esse traje.
Dominó é outro dos personagens clássicos da Commedia Dell’Arte italiana, ainda que menos conhecido do que Pierrot, Arlequim ou Columbina.


Como fantasia de Carnaval começou por ser usada pelos antigos venezianos.
Este traje pode ser feito de cetim ou veludo, mas é sobretudo apresentado em sarja, normalmente de cor negra. É uma túnica que desce até aos pés do mascarado e que tem capuz e mangas. A esta fantasia acrescem luvas e uma misteriosa máscara. O fantasiado coloca a voz num estridente falsete e assim o encobrimento é total. Deixam de ser gordos ou magros, feios ou bonitos, homens ou mulheres, ocultam a classe social e... saiem para conviver.
A colher de pau surge, por cá, para manter afastados os mais atrevidos. É que o direito à ocultação da identidade é levado muito a sério.
Camilo Castelo Branco escreveu um conto intitulado Coisas Que Só Eu Sei e que tem por base um encontro entre dois dominós. O mesmo faz Fernando Pessoa através de Álvaro de Campos (Tabacaria) e Bernardo Soares, no Livro do Desassossego. Fique com ele clicando aqui.

segunda-feira, fevereiro 23, 2009

A Comédia da Arte



Estamos no Carnaval. Como é normal, no meio da folia aparecem as já conhecidas e tradicionais personagens: Pierrot, Arlequim e Colombina. Estas três figuras são fundamentais em qualquer baile de máscaras ou em qualquer loja de venda ou aluguer de máscaras e fantasias.



Como surgiram?
Pois bem, a sua origem remonta ao século XVI, na Itália. Aí eram comuns os grupos de teatro popular que realizavam apresentações pelas ruas. Do seu repertório faziam parte as peças de teatro improvisadas. Esse estilo ficou conhecido como Commedia dell´Arte (Comédia da Arte) e, ainda hoje existem trupes de teatro desse género.
Estes grupos deslocavam-se numa charrete e improvisavam (em torno de um determinado número de personagens e de temas) espetáculos pelas cidades por onde passavam, fazendo de seu veículo o próprio palco, e das suas vidas a própria arte.
Os actores usavam máscaras para caracterizar as suas personagens. Mas, diferentemente do teatro tradicional, os papéis femininos eram interpretados por mulheres de verdade e não por homens fantasiados de mulher. E os temas? Esses nasciam da fantasia das gentes simples, dos camponeses, das histórias antigas, das canções dos trovadores medievais, etc. ... Nalgumas destas figuras reconhecem-se à distância: os velhos tolos, os servos espertos, os soldados fanfarrões e as jovens enamoradas...

A Comédia da Arte é uma forma complexa de arte porque exige aos actores conhecimentos de música, de dança, de poesia, de drama e de circo e capacidade de improvisação.

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

A Lisboa de Cesário

O Sentimento dum Ocidental, é um poema de Cesário em quatro momentos, em que ele deambula pela noite da cidade de Lisboa: I – Ave - Marias, II - Noite Fechada, III - Ao Gás, IV - Horas Mortas. Aqui vos deixo extractos deste poema.
I

Avé - Marias

Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.

O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.
(...)





Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.
(...)




Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.

Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.
(...)

II
Noite Fechada

Toca-se às grades, nas cadeias. Som
Que mortifica e deixa umas loucuras mansas!
O Aljube, em que hoje estão velhinhas e crianças,
Bem raramente encerra uma mulher de"dom"!
(...)
A espaços, iluminam-se os andares,
E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos
Alastram em lençol os seus reflexos brancos;
E a Lua lembra o circo e os jogos malabares.
(...)
Na parte que abateu no terremoto,
Muram-me as construções rectas, iguais, crescidas;
Afrontam-me, no resto, as íngremes subidas,
E os sinos dum tanger monástico e devoto.
(...)
Triste cidade! Eu temo que me avives
Uma paixão defunta! Aos lampiões distantes,
Enlutam-me, alvejando, as tuas elegantes,
Curvadas a sorrir às montras dos ourives.
(...)
E eu, de luneta de uma lente só,
Eu acho sempre assunto a quadros revoltados:
Entro na brasserie; às mesas de emigrados,
Ao riso e à crua luz joga-se o dominó.






III

Ao gás


E saio. A noite pesa, esmaga. Nos
Passeios de lajedo arrastam-se as impuras.
Ó moles hospitais! Sai das embocaduras
Um sopro que arripia os ombros quase nus.
(...)
Num cutileiro, de avental, ao torno,
Um forjador maneja um malho, rubramente;
E de uma padaria exala-se, inda quente,
Um cheiro salutar e honesto a pão no forno.
(...)
E aquela velha, de bandós! Por vezes,
A sua traîne imita um leque antigo, aberto,
Nas barras verticais, a duas tintas. Perto,
Escarvam, à vitória, os seus mecklemburgueses.
(...)
"Dó da miséria!... Compaixão de mim!...
E, nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso,
Pede-me esmola um homenzinho idoso,
Meu velho professor nas aulas de Latim!

IV

Horas mortas

O tecto fundo de oxigénio, de ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-me a quimera azul de transmigrar.

Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos.
(...)
Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!
(...)
Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nómadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!
(...)
E, enorme, nesta massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar!
Cesário Verde

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Jacarandás
















«Em meados de Junho os jacarandás de Lisboa estão em flor, a sua luz fende a pupila, acaricia o dorso da sombra. É então que - sei lá se pela última vez – a inocência volta a entrar na minha vida».

Eugénio de Andrade (1923 - 2005)

terça-feira, fevereiro 17, 2009

Lisboa


Digo:
"Lisboa"
Quando atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse

Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna

Em seu longo luzir de azul e rio
Em seu corpo amontoado de colinas –
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
- Digo para ver
Sophia de Mello Breyner Andresen