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sexta-feira, outubro 08, 2021

Abdulrazak Gurnah: Prémio Nobel da Literatura de 2021

Abdulrazak Gurnah, romancista tanzaniano (nascido em Zanzibar), ganhou o Prémio Nobel da Literatura de 2021. 

Segundo a Academia, o prémio foi concedido "pela sua penetração intransigente e compassiva dos efeitos do colonialismo e do destino do refugiado no abismo entre culturas e continentes."

"Os seus romances fogem de descrições estereotipadas e abrem os nossos olhares para uma África Oriental culturalmente diversificada, desconhecida para muitos em outras partes do mundo", afirmou ainda a Academia.

Este romancista é conhecido sobretudo pelo livro "Paradise", de 1984, ambientado no leste da África durante a Primeira Guerra Mundial. A obra foi finalista na época, do Booker Prize de ficção.

O seu livro de estreia, "Memory of Departure", foi lançado em 1987. Este conta a história de um jovem talentoso que tenta uma nova vida sob a proteção do tio em Nairobi, mas em vez disso, é humilhado e precisa retornar para a sua problemática família, incluindo um pai alcoólatra e uma irmã que é forçada a prostituir-se.

"Pilgrims Way" (1988) e "Dottie" (1990) foram os livros seguintes do romancista. 

A sua obra mais recente, "Afterlives", foi lançada em 2020, e conta a história de Hamza, um jovem que é forçado a ir para a guerra ao lado dos alemães e que se torna dependente de um oficial que o explora sexualmente.

Abdulrazak Gurnah não tem atualmente obra traduzida disponível em Portugal. O seu único título trazido para o mercado nacional é "Junto ao Mar", que foi editado pela Difel, em 2003.

terça-feira, março 20, 2018

O Pesadelo de Darwin

O Pesadelo de Darwin é um documentário de 2004, escrito e realizado por Hubert Sauper e resultou de uma parceria entre a França, a Bélgica e a Áustria.
O filme estreou em 2004 no Festival Internacional de Cinema de Veneza e, foi indicado para o Oscar de melhor documentário em 2006.
Sinopse:
O filme aborda os efeitos sociais e ambientais, no Lago Vitória, na Tanzânia, provocados pela indústria da pesca.
Nas margens do Lago Vitória, o maior lago tropical do mundo, considerado como o berço da Humanidade vive-se o pior pesadelo da globalização.
Na Tanzânia, nos anos 1960, a Perca do Nilo, uma espécie de predador voraz é introduzida no lago, como experiência científica. Depois, praticamente todas as populações de peixes indígenas são dizimadas. Desta catástrofe ecológica nasce uma indústria frutuosa, pois a carne branca do enorme peixe é exportada com sucesso para todo o hemisfério norte.
Pescadores, políticos, pilotos russos, prostitutas, industriais e comissários europeus são os actores de um drama que ultrapassa as fronteiras daquele país africano.
No céu, enormes aviões de carga da ex-União Soviética realizam um balé incessante, abrindo a porta a outro tipo de comércio: o comércio de armas.
 
O PESADELO DE DARWIN - Darwin's Nightmare (2004) LEGENDADO PT from mddvtmtv93 on Vimeo.

segunda-feira, março 19, 2018

A Ilha Migingo

Migingo é um pedaço de terra menor que um estádio de futebol. Esta ilha fica localizada no Lago Victória, o maior lago da África e o maior lago tropical do mundo.
Mesmo sendo uma pequena ilha, este bocado de terra abrigava cerca de 131 pessoas (censo de 2009) que viviam amontoados em cabanas feitas de papelão e madeira. A maioria dos habitantes são pescadores e comerciantes de peixe. A ilha foi habitada, no início da sua ocupação, por dois homens quenianos: Dalmas Tembo e George Kibebe.
Quando chegaram, em 1991, a ilha estava coberta de mato e infestada de cobras e pássaros.
Um pouco depois, aos dois homens juntaram-se cerca de 60 pescadores que decidiram permanecer por lá e tornar a ilha habitável depois de descobrirem que a região era rica em Perca do Nilo.
A Perca do Nilo é um peixe originário da Etiópia que pode chegar a medir 2 metros de comprimento. Na década de 60, foi introduzido no Lago Vitória como experiência científica. A perca é um predador voraz capaz de dizimar populações de peixes de qualquer região.
Desta catástrofe ecológica, nasceu uma indústria riquíssima baseada na Perca do Nilo. A sua carne branca é exportada com sucesso para todo o hemisfério norte.
Depois da invasão dos peixes, veio a ocupação de moradores do Quénia, do Uganda e da Tanzânia que transformaram a ilha num centro comercial.
Todos os dias, cerca de 100 barcos transportam o pescado para a pesagem e a venda. Depois de serem vendidos para empresas, os peixes são levados para o continente (Quénia), de onde são exportados para a Europa.  A Perca do Nilo é fundamental para a indústria da pesca e vital para as economias do Uganda, do Quénia e da Tanzânia.
A existência destes predadores gigantescos e nocivos ao equilíbrio ambiental, gerou disputa territorial entre o Uganda e o Quénia.
Tecnicamente, a Ilha Migingo pertence ao Quénia e está dentro da fronteira internacional do país, definida em documentos oficiais. Mas em 2009, o governo do Uganda afirmou que Migingo pertence às águas de Uganda e, portanto, é ilegal a pesca para os quenianos.
Mesmo sendo uma minúscula ilha, com 2.000 m², cerca de metade do tamanho de um campo de futebol, abriga hoje cerca de 400 pessoas, a maioria pescadores e comerciantes de peixe.
Para quem a olha de longe, a ilha Migingo, no Lago Vitória – na África Oriental – não vale nada, mas este espaço tem sido motivo de conflito constante entre estes dois países vizinhos.  A tensão espalha-se pelos pescadores, que precisam de dividir entre si um  espaço minúsculo, garantir os seus direitos e o seu rendimento no final de cada mês.
Toda esta disputa começou em 2009, quando piratas começaram a saquear os bens locais, como dinheiro, motores de barco e, claro, as Percas –  muito valiosos na região.
Hoje, embora seja considerada um dos piores locais do mundo, os conflitos estão mais atenuados pelo que Migingo se tornou num próspero centro comercial, de tal maneira que conta com cinco bares, um salão de beleza, uma farmácia, bem como vários hotéis e numerosos bordéis.

sábado, abril 06, 2013

Os Masai

Os masai ou massais são um grupo étnico africano seminómada (com cerca de 883.000 pessoas) que vive numa região localizada no Quénia e no norte da Tanzânia. As estimativas demográficas dos Masai, em ambos os países é complicada, devido à sua natureza nómada e a eles serem o único grupo étnico autorizado a viajar livremente pelas fronteiras entre o Quénia e a Tanzânia.
Os Masai vivem nas planícies do Rift Valley, que abrangem o Parque Nacional do Serengeti e o Parque Nacional de Masai Mara. Nestas savanas acontece um dos maiores espectáculos da natureza: a migração em massa de milhares de animais, que atravessam o rio Mara uma vez por ano durante a seca, de Junho a Agosto, em busca de pastagem.
Este povo que pratica uma religião animista monoteísta, vive em comunidades que  respeitam os animais e protegem e preservam o delicado ecossistema daquelas regiões.
Devido aos seus costumes distintos e às suas tradições culturais que tentam preservar, e ainda devido ao facto de se fixarem  próximo dos grandes parques de caça da África Oriental,  tornaram-se entre os grupos étnicos africanos mais bem conhecidos internacionalmente.
Agora, o governo tanzaniano anunciou que vai desmatar uma faixa enorme de terra para abrir caminho para o que se propõe ser um corredor de vida selvagem. Mas, muita gente suspeita que isso é apenas uma desculpa, para facilitar o acesso a uma empresa privada estrangeira de caça, e aos seus clientes, para caçarem animais majestosos.
As consequências, deste facto, no modo de vida dos Masai, poderão ser desastrosas. Poderão vir a  perder as suas raízes, as suas casas e os terrenos em que os animais pastam. O desaparecimento do seu modo de vida, conduzirá à extinção deste povo o que será uma  perda irreparável!

sexta-feira, abril 29, 2011

Uma viagem de sonho!!!

Faça uma viagem de sonho no famoso combóio da linha de caminho de ferro Rovos, que é um dos mais luxuosos do mundo. Esta composição "original e restaurada" reproduz um percurso há muito tempo interrompido por motivos políticos, por guerras, por conflitos, etc. ... A viagem começa na Cidade do Cabo, na República da África do Sul, e percorre o continente africano atravessando as antigas colónias britânicas. O percurso é de 6.100Km através do interior de África e demora 17 dias a chegar a Dar-es-Salam (Tanzânia). Pelo caminho, há lugar para umas paragens, para uns passeios e para um safari de dois dias. Como o preço não é barato (em 2010, os preços para duas pessoas variaram entre 9500 € e 18.000 € (dependendo da categoria dos aposentos e da exclusividade ou não do WC). Convido-o a viajar, por esta parte do mundo, sem sair do lugar vendo a apresentação que escolhi para hoje. Digo-lhe que é divertido e mais barato.

sábado, novembro 28, 2009

Tingatinga

Edward Saidi Tingatinga, nasceu em 1932, na Tanzânia (na tribo Makua), perto da fronteira (norte) com Moçambique.
Foi o primogénito de quatro filhos de uma família de camponeses pobres. Em 1953, viajou para Dar-es-Salaam em busca de trabalho. Aí, vendia frutos e legumes. Aprendeu a tecer tapetes e cestos e bordava também fronhas, toalhas de mesa e colchas.
Tingatinga começou a pintar em 1968. Iniciou, então, um dos mais vibrantes e bem sucedidos movimentos da arte contemporânea na África. O estilo de pinturas coloridas, sobre a natureza e a vida da Tanzânia, é chamada de: Arte de Tingatinga. Nesta pintura, os personagens, as plantas ou animais são delimitados por contornos visíveis, acentuados por cores contrastantes, dando a impressão de terem duas dimensões. Cada pintura conta uma história, que é baseada na cultura Tanzaniana e africana.

Em 1970, Tingatinga casou-se com Agatha Mataka e tiveram dois filhos.Em 1972, com 32 anos de idade, foi morto a tiro pela policia. Infelizmente, viu-se envolvido num caso de identidade equivocada. Foi enterrado em Dar-es-Salaam.
A sua obra caracteriza-se por pinturas coloridas de aves, animais, ou cenas urbanas e cenas de aldeia. A sua influência perdura até hoje nos artistas locais da África Oriental que ontinuam adoptar o seu estilo pioneiro.
As pinturas de Edward Tingatinga são conhecidas mundialmente (no Japão, na Suécia, na Dinamarca, na Suiça e nos E.U.A.).