sexta-feira, outubro 23, 2026

As Manas Perliquitetes

O termo perliquitete (ou no plural, perliquitetes) é um adjetivo de dois géneros que descreve alguém afetado, vaidoso, presumido, ou que se veste com excessivo esmero e afetação de maneiras. Pode também ter um tom popular indicando alguém espevitado ou sentencioso.

Feita esta explicação, então quem eram estas manas?

As Manas Perliquitetes eram duas irmãs lisboetas do século XIX, Carolina Amália (1833–1897/1887) e Josefina Adelaide (1841–1907) Brandi Guido. Conhecidas pelo visual excêntrico e por circularem pelo Chiado, tornaram-se figuras populares e alvo de mexericos na capital. Desfilavam com roupas e chapéus chamativos e fora do comum, ficando na memória da Lisboa Antiga como símbolos curiosos de uma época passada.

Eram filhas de um comerciante de origem italiana (Narciso José Tomaz Guido), nasceram em Lisboa e foram batizadas na Igreja de Loreto.

Após a morte do pai e problemas financeiros deixados por um irmão, perderam a fortuna inicial e mudaram-se da Rua de S. Bento para zonas mais modestas, para um andar na Rua da Escola Politécnica. Foi lá que travaram conhecimento com Luiz de Almeida de Mello e Castro, um boémio a quem muitos reconheciam o talento para contar histórias exageradas.

Ganharam este nome jocoso de "Manas Perliquitetes" através desse vizinho e boémio alfacinha Luís de Mello e Castro, que costumava apresentá-las com esse epíteto, alcunha que se tornou familiar na cidade. 

Em 1889, Rafael Bordalo Pinheiro caricaturou-as no jornal "Pontos nos ii", numa lista em que enumerava o que iria Portugal apresentar na Exposição Universal de Paris desse ano. Entre os bens nacionais, lá estão as Manas Perliquitetes:

"(...) Dois frascos de bandolina
P'ra alisar gentis topetes,
Tres anneis de coralina 
E as manas Perliquitetes.(...)

Sem comentários: