Este vídeo sintetiza, em poucos minutos, a história da luta pela conquista de direitos fundamentais para as mulheres. Revela algumas mulheres que se tornaram, de uma forma ou de outra, protagonistas dessas batalhas.
domingo, março 08, 2009
sábado, março 07, 2009
O Menino Nicolau

O menino Nicolau é um menino muito traquina que, neste livro, vai passar as férias de Verão a um hotel, onde conhece muitos amigos como o Blaise, o Frutuoso, o Mamert (o idiota), o Ireneu, o Fabrício, o Cosme e o Ivo. Juntos, só fazem tropelias, quer no hotel, quer na praia.
É uma dose de diversão e de aventura que só lendo o livro podem descobrir.
Alguns dos títulos da popular personagem que têm feito as delícias de pais e filhos ao longo dos anos são, por exemplo, O Menino Nicolau, As Férias do Menino Nicolau, As Aventuras do Menino Nicolau e O Regresso do Menino Nicolau .
É uma dose de diversão e de aventura que só lendo o livro podem descobrir.
Alguns dos títulos da popular personagem que têm feito as delícias de pais e filhos ao longo dos anos são, por exemplo, O Menino Nicolau, As Férias do Menino Nicolau, As Aventuras do Menino Nicolau e O Regresso do Menino Nicolau .
Com texto de Goscinny (o mesmo do Asterix ) e desenhos de Sempé os livros são ricos em comicidade e ternura . Aqui vos deixo um pequeno excerto de um deles.
(...)"O Eudes não disse nada, desceu da caixa e veio até à primeira fila, enqu
anto o Alceste ia para a última fila. Isso provocou uma certa desordem, sobretudo quando o Eudes passou pelo Alceste e lhe deu um murro no nariz. O Alceste quis dar um pontapé ao Eudes, mas este esquivou-se e foi o Aniano que apanhou com o pé, felizmente no sítio onde não tem óculos. Isso não impediu o Aniano de se pôr a chorar e a berrar que já não via, que ninguém gostava dele e que queria morrer. A professora consolou-o, assoou-o, e voltou a penteá-lo e castigou o Alceste, ele tem de escrever cem vezes: Eu não devo bater num colega que não implica comigo e que usa óculos.
Bem feito disse o Aniano. Então aprofessora também lhe deu umas linhas para escrever. O Aniano ficou de tal maneira espantado que nem sequer chorou.
A professora começou a distribuir os castigos de uma forma bem gira, todos tinhamos montes de linhas para escrever e por fim, a professora disse-nos"(...).

anto o Alceste ia para a última fila. Isso provocou uma certa desordem, sobretudo quando o Eudes passou pelo Alceste e lhe deu um murro no nariz. O Alceste quis dar um pontapé ao Eudes, mas este esquivou-se e foi o Aniano que apanhou com o pé, felizmente no sítio onde não tem óculos. Isso não impediu o Aniano de se pôr a chorar e a berrar que já não via, que ninguém gostava dele e que queria morrer. A professora consolou-o, assoou-o, e voltou a penteá-lo e castigou o Alceste, ele tem de escrever cem vezes: Eu não devo bater num colega que não implica comigo e que usa óculos.Bem feito disse o Aniano. Então aprofessora também lhe deu umas linhas para escrever. O Aniano ficou de tal maneira espantado que nem sequer chorou.
A professora começou a distribuir os castigos de uma forma bem gira, todos tinhamos montes de linhas para escrever e por fim, a professora disse-nos"(...).

Com a morte de Goscinny, felizmente, Anne Goscinny, a filha do genial criador das imortais figuras de Nicolau e Astérix, encontrou e reuniu, pela primeira vez em livro, mais oitenta história do Menino Nicolau, ilustradas como sempre por Sempé e que têm como título: O Regresso do Menino Nicolau.
sexta-feira, março 06, 2009
Ler + é preciso!

Mais uma sugestão de leitura... Agora recomendo um livro integrado no Plano Nacional de Leitura.
O Meu Pé de Laranja Lima
Neste livro encontrará a história comovente do menino Zezé, de seis anos, uma criança pobre, inteligente, sensível e carente. Carente de um afecto que não encontra na família, por isso, torna-se muito traquinas e travesso...
O Meu Pé de Laranja Lima
Neste livro encontrará a história comovente do menino Zezé, de seis anos, uma criança pobre, inteligente, sensível e carente. Carente de um afecto que não encontra na família, por isso, torna-se muito traquinas e travesso...
quinta-feira, março 05, 2009
O Baile na Biblioteca
Nomes conhecidos da música portuguesa criaram o grupo Cabeças no Ar. A letra desta música faz referência à leitura e ao prazer de ler, actividades que podem transformar a vida e uma biblioteca num local de festa. Ouçam, agora com muita atenção O Baile na Biblioteca.
Deste mesmo grupo aconselho um outro tema: O Cheiro dos Livros.
Deste mesmo grupo aconselho um outro tema: O Cheiro dos Livros.
quarta-feira, março 04, 2009
Ondjaki
Ondjaki jovem escritor Angolano nascido em Luanda em 1977, foi distinguido com o prémio literário internacional, Grinzane Cavour Literary Prize for Africa.Ao receber o prémio, o escritor e também cineasta de 30 anos, disse: Ser jovem escritor africano implica para mim reflectir com seriedade sobre o mundo que nos rodeia e sobre a ficcionalidade que orienta o meu trabalho, buscando a humildade nos momentos de exposição, buscando a tradição nos momentos de interioridade e buscando a liberdade no momento de escolher as palavras que dão corpo às estórias. Cada referência a um livro meu é uma referência à literatura angolana, cada momento da literatura angolana é uma benção à literatura africana.

Cada livro é um grito poético do nosso continente murmurando as suas circunstâncias, os seus gestos, os seus sofrimentos. Mas, também as suas magias, as suas esperanças e o seu futuro estético. Dedico este prémio a todos os contadores de estórias que levam no coração uma África nova, uma África verdadeiramente livre.
Este escritor angolano foi laureado, também, em 2007 com o grande prémio de Conto Camilo Castelo Branco, pelo seu livro Os da Minha Rua.
Recentemente, apresentou em Luanda, o romance histórico intitulado Avô Dezanove e o Segredo do Soviético. Segundo o autor este é um livro sobre a Luanda dos anos 80, com histórias das crianças do bairro da Praia do Bispo que apreciavam os trabalhadores das obras do Mausoléu.
Ondjaki, que já esteve,como convidado, na nossa escola, tem dez títulos publicados em diversas línguas e é membro da União dos Escritores Angolanos.
Aconselhamos, ainda, outros livros de Ondjaki:Ynari. A Menina das Cinco Tranças (il.), Há Prendisajens com o Xão, O Assobiador, E se Amanhã o Medo.
terça-feira, março 03, 2009
Duas Sugestões de Leitura

Da escritora juvenil, Ana Saldanha, deixo-vos como sugestão de leitura dois livros.
Cinco Tempos, Quatro Intervalos
Uma menina gorda chamada Dulce, que gosta de gatos e tem pais divorciados. E tudo se passa ao longo de uma manhã de aulas. Poderia resumir-se assim este livro... Se não fosse o talento da autora, o modo como trabalhou o tema, a consistência e a verosimilhança das personagens, a forma contida como tudo é apresentado - muito embora a emoção não deixe de estar presente. Com uma escrita notável é, certamente, o melhor livro para a faixa juvenil que Ana Saldanha escreveu até hoje.
Cinco Tempos, Quatro Intervalos
Uma menina gorda chamada Dulce, que gosta de gatos e tem pais divorciados. E tudo se passa ao longo de uma manhã de aulas. Poderia resumir-se assim este livro... Se não fosse o talento da autora, o modo como trabalhou o tema, a consistência e a verosimilhança das personagens, a forma contida como tudo é apresentado - muito embora a emoção não deixe de estar presente. Com uma escrita notável é, certamente, o melhor livro para a faixa juvenil que Ana Saldanha escreveu até hoje.
Uma Questão de Cor
Quando
a prenda de Natal é um computador, quem quer saber do trabalho de casa de Matemática? Todo os momentos livres são necessários para jogar uns jogos malucos.Os pais da Nina é que não concordam. Nem o Danny, o primo que vem viver para casa dela.Por que teve o Danny de mudar de escola? O que fazer em casos de ataques de criancice? E quando há falhas no sistema? E o Vítor, por que começa a comportar-se de forma tão palerma? Será que os amigos da Nina não compreendem que somos todos diferentes, mas todos iguais?
a prenda de Natal é um computador, quem quer saber do trabalho de casa de Matemática? Todo os momentos livres são necessários para jogar uns jogos malucos.Os pais da Nina é que não concordam. Nem o Danny, o primo que vem viver para casa dela.Por que teve o Danny de mudar de escola? O que fazer em casos de ataques de criancice? E quando há falhas no sistema? E o Vítor, por que começa a comportar-se de forma tão palerma? Será que os amigos da Nina não compreendem que somos todos diferentes, mas todos iguais? segunda-feira, março 02, 2009
Um Encontro Com...Ana Saldanha
Mais uma vez, a Biblioteca da ESL promove um encontro com um escritor, a que demos o nome de Um Encontro Com…Este ano convidamos Ana Saldanha para conversar connosco.
Ana Saldanha nasceu no Porto (em 1959), tendo-se licenciado em Línguas e Literaturas Modernas (Português e Inglês). Tem o mestrado em Literatura Inglesa pela Universidade de Birmingham e é actualmente leitora de Português na Universidade de Glasgow.
É uma escritora cujos livros se destinam a um público pré-adolescente, adolescente e juvenil.
Pela sua obra tem recebido vários prémios. Assim, ganhou o Prémio Literário Cidade de Almada com o seu romance Círculo Imperfeito (Presença). Tem-se também dedicado à tradução (Longo caminho para a liberdade, autobiografia de Nelson Mandela, Campo das Letras, 2009) mas, é sobretudo conhecida como autora de livros para jovens, domínio em que se afirma como uma das vozes mais seguras e promissoras do panorama português contemporâneo. De salientar, entre outros, os seguintes livros desta autora: Uma questão de cor; Doçura amarga; Cinco tempos quatro intervalos.
domingo, março 01, 2009
sábado, fevereiro 28, 2009
A Nossa Biblioteca

A nossa Biblioteca faz parte da Rede de Bibliotecas Escolares desde o início (1997).
A participação neste projecto tem permitido a melhoria não só das instalações mas também tem permitido perceber a importância de uma Biblioteca/Centro de Recursos Educativos.
É que aprender é cada vez menos decorar conhecimentos.
Aprender é cada vez mais saber perguntar, saber pesquisar, saber utilizar e avaliar os conhecimentos.
A Biblioteca da nossa Escola procura ajudar a esclarecer algumas dúvidas, a fazer perguntas e oferece os meios para se obterem as respostas que procuramos.
A Biblioteca é um espaço com bom ambiente e ideal para o trabalho individual ou em grupo.
Ali pode-se pesquisar utilizando diversos meios: livros, revistas, manuais escolares, dossiês temáticos, Cd, Dvd, vídeos e os computadores.
Como é um espaço agradável e sossegado pode-se estar, também, a ouvir música ou a ler pelo prazer de ler ou pode-se trabalhar nas actividades do Clube dos Amigos da Biblioteca.
A Biblioteca organiza feiras do livro e exposições, assinala efemérides e comemora dias mundiais. Algumas vezes convida escritores para conversar e promove semanas da leitura e do livro.
De 2 a 6 de Março vai decorrer, este ano, a Semana do Livro e da Leitura. Começaremos a semana com: Um Encontro com... Ana Saldanha. Mas há outras actividades: Feira do Livro, Exposição sobre As Profissões dos Galegos em Lisboa, Exposição sobre Química, Actividades de promoção da Leitura, etc., etc.
A Biblioteca da Escola é uma janela aberta para o mundo!
Há que mantê-la Aberta!
Utilize a Biblioteca.
Cresça com ela!
terça-feira, fevereiro 24, 2009
Entre Arlequins, Columbinas, Pierrots e Dominós...

A Colombina é uma personagem deste género de teatro popular (Commedia Dell'Arte). Em geral, aparece como serva ou empregada de alguma dama. É caracterizada como uma rapariga linda e inteligente, de humor rápido e irónico que está sempre envolvida em intrigas e coscuvilhices. É apaixonada por Arlequim, e amada em segredo pelo romântico Pierrot.

O Pierrot é apaixonado pela Colombina, mas, não é correspondido! Teve como origem o personagem italiano Pedrolino. Representa a idealização do amor. É um sonhador, tradicionalmente retratado com uma lágrima que lhe escorre pelo rosto. Aparece vestido de blusa e calças largas e brancas.
O Arlequim surgiu primeiramente com a função de divertir as pessoas durante os intervalos dos espetáculos. Porém, foi ganhando expressão, chegando a fazer parte das estórias.
O seu traje é feito de retalhos multicoloridos, geralmente em forma de losangos, que mais ainda o destacavam em cena e o identificava, também, como um servo. Também ele é apaixonado por Colombina, mas nem sempre é fiel e o romance dos dois é cheio de idas e vindas...
Existe contudo, ainda, uma versão igualmente famosa, com origem napolitana que é o Polichinelo.
O seu traje é feito de retalhos multicoloridos, geralmente em forma de losangos, que mais ainda o destacavam em cena e o identificava, também, como um servo. Também ele é apaixonado por Colombina, mas nem sempre é fiel e o romance dos dois é cheio de idas e vindas...
Existe contudo, ainda, uma versão igualmente famosa, com origem napolitana que é o Polichinelo.
Dominó é uma palavra (s.m.) que pode significar túnica, com capuz e mangas, para disfarce de mascarados pelo carnaval ou pessoa que veste esse traje.
Dominó é outro dos personagens clássicos da Commedia Dell’Arte italiana, ainda que menos conhecido do que Pierrot, Arlequim ou Columbina.
Dominó é outro dos personagens clássicos da Commedia Dell’Arte italiana, ainda que menos conhecido do que Pierrot, Arlequim ou Columbina.
Como fantasia de Carnaval começou por ser usada pelos antigos venezianos.Este traje pode ser feito de cetim ou veludo, mas é sobretudo apresentado em sarja, normalmente de cor negra. É uma túnica que desce até aos pés do mascarado e que tem capuz e mangas. A esta fantasia acrescem luvas e uma misteriosa máscara. O fantasiado coloca a voz num estridente falsete e assim o encobrimento é total. Deixam de ser gordos ou magros, feios ou bonitos, homens ou mulheres, ocultam a classe social e... saiem para conviver.
A colher de pau surge, por cá, para manter afastados os mais atrevidos. É que o direito à ocultação da identidade é levado muito a sério.
Camilo Castelo Branco escreveu um conto intitulado Coisas Que Só Eu Sei e que tem por base um encontro entre dois dominós. O mesmo faz Fernando Pessoa através de Álvaro de Campos (Tabacaria) e Bernardo Soares, no Livro do Desassossego. Fique com ele clicando aqui.
segunda-feira, fevereiro 23, 2009
A Comédia da Arte

Estamos no Carnaval. Como é normal, no meio da folia aparecem as já conhecidas e tradicionais personagens: Pierrot, Arlequim e Colombina. Estas três figuras são fundamentais em qualquer baile de máscaras ou em qualquer loja de venda ou aluguer de máscaras e fantasias.
Como surgiram?
Pois bem, a sua origem remonta ao século XVI, na Itália. Aí eram comuns os grupos de teatro popular que realizavam apresentações pelas ruas. Do seu repertório faziam parte as peças de teatro improvisadas. Esse estilo ficou conhecido como Commedia dell´Arte (Comédia da Arte) e, ainda hoje existem trupes de teatro desse género.
Estes grupos deslocavam-se numa charrete e improvisavam (em torno de um determinado número de personagens e de temas) espetáculos pelas cidades por onde passavam, fazendo de seu veículo o próprio palco, e das suas vidas a própria arte.
Os actores usavam máscaras para caracterizar as suas personagens. Mas, diferentemente do teatro tradicional, os papéis femininos eram interpretados por mulheres de verdade e não por homens fantasiados de mulher. E os temas? Esses nasciam da fantasia das gentes simples, dos camponeses, das histórias antigas, das canções dos trovadores medievais, etc. ... Nalgumas destas figuras reconhecem-se à distância: os velhos tolos, os servos espertos, os soldados fanfarrões e as jovens enamoradas...

A Comédia da Arte é uma forma complexa de arte porque exige aos actores conhecimentos de música, de dança, de poesia, de drama e de circo e capacidade de improvisação.
Como surgiram?

Pois bem, a sua origem remonta ao século XVI, na Itália. Aí eram comuns os grupos de teatro popular que realizavam apresentações pelas ruas. Do seu repertório faziam parte as peças de teatro improvisadas. Esse estilo ficou conhecido como Commedia dell´Arte (Comédia da Arte) e, ainda hoje existem trupes de teatro desse género.
Estes grupos deslocavam-se numa charrete e improvisavam (em torno de um determinado número de personagens e de temas) espetáculos pelas cidades por onde passavam, fazendo de seu veículo o próprio palco, e das suas vidas a própria arte.
Os actores usavam máscaras para caracterizar as suas personagens. Mas, diferentemente do teatro tradicional, os papéis femininos eram interpretados por mulheres de verdade e não por homens fantasiados de mulher. E os temas? Esses nasciam da fantasia das gentes simples, dos camponeses, das histórias antigas, das canções dos trovadores medievais, etc. ... Nalgumas destas figuras reconhecem-se à distância: os velhos tolos, os servos espertos, os soldados fanfarrões e as jovens enamoradas...

A Comédia da Arte é uma forma complexa de arte porque exige aos actores conhecimentos de música, de dança, de poesia, de drama e de circo e capacidade de improvisação.
sábado, fevereiro 21, 2009
quinta-feira, fevereiro 19, 2009
A Lisboa de Cesário
O Sentimento dum Ocidental, é um poema de Cesário em quatro momentos, em que ele deambula pela noite da cidade de Lisboa: I – Ave - Marias, II - Noite Fechada, III - Ao Gás, IV - Horas Mortas. Aqui vos deixo extractos deste poema.
I
Avé - Marias
Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.
O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.
(...)

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.
(...)

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.
Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.
(...)
II
Noite Fechada
Toca-se às grades, nas cadeias. Som
Que mortifica e deixa umas loucuras mansas!
O Aljube, em que hoje estão velhinhas e crianças,
Bem raramente encerra uma mulher de"dom"!
(...)
A espaços, iluminam-se os andares,
E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos
Alastram em lençol os seus reflexos brancos;
E a Lua lembra o circo e os jogos malabares.
(...)
Na parte que abateu no terremoto,
Muram-me as construções rectas, iguais, crescidas;
Afrontam-me, no resto, as íngremes subidas,
E os sinos dum tanger monástico e devoto.
(...)
Triste cidade! Eu temo que me avives
Uma paixão defunta! Aos lampiões distantes,
Enlutam-me, alvejando, as tuas elegantes,
Curvadas a sorrir às montras dos ourives.
(...)
E eu, de luneta de uma lente só,
Eu acho sempre assunto a quadros revoltados:
Entro na brasserie; às mesas de emigrados,
Ao riso e à crua luz joga-se o dominó.

III
Ao gás
E saio. A noite pesa, esmaga. Nos
Passeios de lajedo arrastam-se as impuras.
Ó moles hospitais! Sai das embocaduras
Um sopro que arripia os ombros quase nus.
(...)
Num cutileiro, de avental, ao torno,
Um forjador maneja um malho, rubramente;
E de uma padaria exala-se, inda quente,
Um cheiro salutar e honesto a pão no forno.
(...)
E aquela velha, de bandós! Por vezes,
A sua traîne imita um leque antigo, aberto,
Nas barras verticais, a duas tintas. Perto,
Escarvam, à vitória, os seus mecklemburgueses.
(...)
"Dó da miséria!... Compaixão de mim!...
E, nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso,
Pede-me esmola um homenzinho idoso,
Meu velho professor nas aulas de Latim!
IV
Horas mortas
O tecto fundo de oxigénio, de ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-me a quimera azul de transmigrar.
Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos.
(...)
Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!
(...)
Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nómadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!
(...)
E, enorme, nesta massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar!
Cesário Verde
I
Avé - Marias
Nas nossas ruas, ao anoitecer,
Há tal soturnidade, há tal melancolia,
Que as sombras, o bulício, o Tejo, a maresia
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer.
O céu parece baixo e de neblina,
O gás extravasado enjoa-me, perturba;
E os edifícios, com as chaminés, e a turba
Toldam-se duma cor monótona e londrina.
(...)

Voltam os calafates, aos magotes,
De jaquetão ao ombro, enfarruscados, secos;
Embrenho-me, a cismar, por boqueirões, por becos,
Ou erro pelos cais a que se atracam botes.
(...)

Vazam-se os arsenais e as oficinas;
Reluz, viscoso, o rio, apressam-se as obreiras;
E num cardume negro, hercúleas, galhofeiras,
Correndo com firmeza, assomam as varinas.
Vêm sacudindo as ancas opulentas!
Seus troncos varonis recordam-me pilastras;
E algumas, à cabeça, embalam nas canastras
Os filhos que depois naufragam nas tormentas.
(...)
II
Noite Fechada
Toca-se às grades, nas cadeias. Som
Que mortifica e deixa umas loucuras mansas!
O Aljube, em que hoje estão velhinhas e crianças,
Bem raramente encerra uma mulher de"dom"
(...)
A espaços, iluminam-se os andares,
E as tascas, os cafés, as tendas, os estancos
Alastram em lençol os seus reflexos brancos;
E a Lua lembra o circo e os jogos malabares.
(...)
Na parte que abateu no terremoto,
Muram-me as construções rectas, iguais, crescidas;
Afrontam-me, no resto, as íngremes subidas,
E os sinos dum tanger monástico e devoto.
(...)

Triste cidade! Eu temo que me avives
Uma paixão defunta! Aos lampiões distantes,
Enlutam-me, alvejando, as tuas elegantes,
Curvadas a sorrir às montras dos ourives.
(...)
E eu, de luneta de uma lente só,
Eu acho sempre assunto a quadros revoltados:
Entro na brasserie; às mesas de emigrados,
Ao riso e à crua luz joga-se o dominó.

III
Ao gás
E saio. A noite pesa, esmaga. Nos
Passeios de lajedo arrastam-se as impuras.
Ó moles hospitais! Sai das embocaduras
Um sopro que arripia os ombros quase nus.
(...)
Num cutileiro, de avental, ao torno,
Um forjador maneja um malho, rubramente;
E de uma padaria exala-se, inda quente,
Um cheiro salutar e honesto a pão no forno.
(...)
E aquela velha, de bandós! Por vezes,
A sua traîne imita um leque antigo, aberto,
Nas barras verticais, a duas tintas. Perto,
Escarvam, à vitória, os seus mecklemburgueses.
(...)
"Dó da miséria!... Compaixão de mim!...
E, nas esquinas, calvo, eterno, sem repouso,
Pede-me esmola um homenzinho idoso,
Meu velho professor nas aulas de Latim!
IV
Horas mortas
O tecto fundo de oxigénio, de ar,
Estende-se ao comprido, ao meio das trapeiras;
Vêm lágrimas de luz dos astros com olheiras,
Enleva-me a quimera azul de transmigrar.
Por baixo, que portões! Que arruamentos!
Um parafuso cai nas lajes, às escuras:
Colocam-se taipais, rangem as fechaduras,
E os olhos dum caleche espantam-me, sangrentos.
(...)
Se eu não morresse, nunca! E eternamente
Buscasse e conseguisse a perfeição das cousas!
Esqueço-me a prever castíssimas esposas,
Que aninhem em mansões de vidro transparente!
(...)
Ah! Como a raça ruiva do porvir,
E as frotas dos avós, e os nómadas ardentes,
Nós vamos explorar todos os continentes
E pelas vastidões aquáticas seguir!
(...)
E, enorme, nesta massa irregular
De prédios sepulcrais, com dimensões de montes,
A Dor humana busca os amplos horizontes,
E tem marés, de fel, como um sinistro mar!
Cesário Verde
quarta-feira, fevereiro 18, 2009
Jacarandás
terça-feira, fevereiro 17, 2009
Lisboa

Digo:
"Lisboa"
Quando atravesso - vinda do sul - o rio
E a cidade a que chego abre-se como se do meu nome nascesse
Abre-se e ergue-se em sua extensão nocturna
Em seu longo luzir de azul e rio Em seu corpo amontoado de colinas –
Vejo-a melhor porque a digo
Tudo se mostra melhor porque digo
Tudo mostra melhor o seu estar e a sua carência
Porque digo
Lisboa com seu nome de ser e de não ser
Com seus meandros de espanto insónia e lata
E seu secreto rebrilhar de coisa de teatro
Seu conivente sorrir de intriga e máscara
Enquanto o largo mar a Ocidente se dilata
Lisboa oscilando como uma grande barca
Lisboa cruelmente construída ao longo da sua própria ausência
Digo o nome da cidade
- Digo para ver
Sophia de Mello Breyner Andresen
segunda-feira, fevereiro 16, 2009
Ainda + Lisboa é...
...um distrito com muita história para contar e com sítios lindos... para mim a minha cidade favorita porque, em primeiro lugar foi nela que nasci e vivo e, em segundo lugar, é uma cidade em que há muita movimentação…Susana H. - 11º C
...uma cidade pequena, encantadora, conhecida e interessante...Uma cidade onde há a mistura de muitas culturas e raças o que faz com que se torne uma cidade diferente…onde vivo feliz e onde não recordo e valorizo o que perdi, mas sim o que tenho…
Alina F. - 11º C
...a capital de Portugal e, situa-se no litoral...Uma das duas grandes metrópoles de Portugal…Uma cidade que contém vários centros históricos como por exemplo: o Rossio, a Pç. Marquês de Pombal, o Castelo de S. Jorge e o Centro Cultural de Belém…Uma cidade com bons hospitais (entre eles um dos melhores do país que é o Hospital de Santa Maria) …Djeisson M. - 11º B
...uma cidade banhada pelo Tejo e com anos e anos de história...Conhecida pelos bairros históricos e pelos seus belos monumentos…A cidade do fado e dos fadistas, das tascas e de uma bela gastronomia…Um local de paragem obrigatória para toda a gente…um local para novos e velhos, para portugueses e estrangeiros.Rui F. - 11º B

...uma cidade de sete colinas, com inúmeros monumentos e bairros antiquíssimos...Uma cidade que tem bastantes infra-estruturas de apoio, magníficos centros comerciais e vários locais de entretenimento (ex: estádios de futebol e teatros).
Paula Cassola - 11º C

…uma cidade fascinante que merece ser conhecida…Uma cidade com uma história capaz de ocupar uma dúzia de livros…Uma cidade que já esteve em ruínas mas, que mesmo assim, superou tudo…
Joana Mendes – 11º C
…O ponto de encontro de todos os portugueses…Onde se situam todas as grandes atracções (concertos, festivais, manifestações, reencontros e festas) … Um dos 18 distritos de Portugal…O centro do Mundo.
Marta Melo – 11º C

…A mãe do fado…Uma cidade bem localizada…Uma cidade aberta ao mundo…Onde se diz que passou Ulisses… A antiga Olissipo… A cidade da Carris…A cidade de Santo António…Uma cidade das sete colinas… A cidade onde vivo…Uma cidade de onde partiram navegadores à descoberta do mundo.
Maria Nóbrega - 11º C
Trabalho colectivo
11º B + 11ºC
2008/2009
domingo, fevereiro 15, 2009
A Maior Flor do Mundo
Uma curta metragem para jovens e menos jovens. Narração e texto de José Saramago (adaptação a partir do texto do autor: " A Maior Flor do Mundo" ).
Esta curta-metragem a duas dimensões, cruza símbolos e enigmas para uma infância que cresce num mundo dilacerado pelo desespero, pela falta de esperança e de ideais.
Execelente filme de animação.
A não perder!
Esta curta-metragem a duas dimensões, cruza símbolos e enigmas para uma infância que cresce num mundo dilacerado pelo desespero, pela falta de esperança e de ideais.
Execelente filme de animação.
A não perder!
sábado, fevereiro 14, 2009
Love is...
...A special feeling for someone. (Ruben R.- 8º A)
...The best thing that we can have and give.
...something we can't express it words. (Ruben E.)

...suffering. (Bruna B. - 8º A)
...the reason why we cry, laugh. Love make us suffer. Love is give it all to one person, who, sometimes don't apreciate. (Ana Rute)
...A kiss and a hug. (Mafalda A. - 8º A)

...A mother's heart stuffed with chocolate. (Joana L. - 8ºA)
...A feeling that everyone wants to feel and no one want's too at the same time. (Dr. Hope)
...Caring about someone......Teddy-bears, necklaces and roses...Love someone more than anything in this world (Francisca F. 8º A)

...When two people like one another. (Patrícia M. -8ºB)
...Something that is in your heart and is waiting for you to unleah it.
...In the air. (12º A)

...A good feeling. (8ºB)
...An unexplaining word that can be only showed but not teached. It's one of the most important feels of life. No love, no life. (David Varela - 10º B)
...A burning flame you can't see. (Francisco A. 8º A)
...The best thing that we can have and give.
...something we can't express it words. (Ruben E.)

...suffering. (Bruna B. - 8º A)
...the reason why we cry, laugh. Love make us suffer. Love is give it all to one person, who, sometimes don't apreciate. (Ana Rute)
...A kiss and a hug. (Mafalda A. - 8º A)

...A mother's heart stuffed with chocolate. (Joana L. - 8ºA)
...A feeling that everyone wants to feel and no one want's too at the same time. (Dr. Hope)
...Caring about someone......Teddy-bears, necklaces and roses...Love someone more than anything in this world (Francisca F. 8º A)

...When two people like one another. (Patrícia M. -8ºB)
...Something that is in your heart and is waiting for you to unleah it.
...In the air. (12º A)

...A good feeling. (8ºB)
...An unexplaining word that can be only showed but not teached. It's one of the most important feels of life. No love, no life. (David Varela - 10º B)
...A burning flame you can't see. (Francisco A. 8º A)
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
I love you…
Ways to say I love you Around the globe
Je t’aime (French)
Wo ai ni (Mandarin)
Ngo oi ney (Cantonese)
Saya cinta padamu (Indonesian)
Sukiyo (Japanese)
Yo te amo/Te quiero (Spanish)
Ich liebe Dich (Germany)
Sarang Ham-nida (Korean)
Ya tyeba lyublyu (Russian)
Ti amo/Ti voglio bene (Italian)
Seni sevyyorum (Turkish)
Khao raak thoe (Thai)
T’estimo t’esteme molt (Catalan)
quarta-feira, fevereiro 11, 2009
Stand By Me
É bonito ver que à volta do mundo há pessoas que cantam pela mesma causa. Espantosa união de culturas diferentes, de música, de músicos apelando à mudança.
Uma outra forma de viver as (nas) cidades.
Uma outra maneira de tomar posição!
Playing For Change: Song Around the World "Stand By Me" - The most amazing bloopers are here
Uma outra forma de viver as (nas) cidades.
Uma outra maneira de tomar posição!
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