é ali que o rio coagula por instantes
junto ao semáforo no topo da rua
a mulher planta a vara do corpo na margem
e não sei se é da boca se do avental
que retira pétalas obscenas
para as arremessar
e não sei se é da boca se do avental
que retira pétalas obscenas
para as arremessar
é estranho vê-la desentranhar-se também
e esvaziar a seiva toda fel
para não ser mais que a sombra de um caule
e esvaziar a seiva toda fel
para não ser mais que a sombra de um caule
os homens sorriem sem nada compreender
o sinal muda a cor sem nada compreender
o rio volta a fluir sem nada compreender
e a vara esguia esgueira-se
o sinal muda a cor sem nada compreender
o rio volta a fluir sem nada compreender
e a vara esguia esgueira-se
sem compreender que ninguém a compreenda
a rua rescende agora a flores pisadas
inutilmente venenosas

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