De manhã, meu pai vai ao mercado.
Essa não é (dizem) coisa de homem.
Mas ele ri-se, pouco se interessa.
Dedica a tudo todo o cuidado.
A barba feita a navalha, o nó
da gravata, o vinco da calça,
o colete de malha. Sapato
preto, polainito apertado,
põe o chapéu. Ainda bem cedo,
antes das aulas, vai comprar flores,
sob o esplêndido azul do céu.
E a casa, depois, fica cheia
de luz e ternura, gladíolos,
frésias, verbenas, rosas bravas,
cheiros do jardim de Freamunde,
poemas sem o peso das palavras.
José Carlos de Vasconcelos
Essa não é (dizem) coisa de homem.
Mas ele ri-se, pouco se interessa.
Dedica a tudo todo o cuidado.
A barba feita a navalha, o nó
da gravata, o vinco da calça,
o colete de malha. Sapato
preto, polainito apertado,
põe o chapéu. Ainda bem cedo,
antes das aulas, vai comprar flores,
sob o esplêndido azul do céu.
E a casa, depois, fica cheia
de luz e ternura, gladíolos,
frésias, verbenas, rosas bravas,
cheiros do jardim de Freamunde,
poemas sem o peso das palavras.
José Carlos de Vasconcelos

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