sexta-feira, outubro 19, 2018

A Carne das Mercês

Um dos pratos típicos que são parte integrante dos cardápios da Feira ou Festa das Mercês é a famosa Carne das Mercês, localidade que deu nome a um prato que é comum a toda a região saloia a ocidente de Lisboa.
A Carne das Mercês é um dos poucos "confitados" (há mais 4 ou 5 na cozinha tradicional portuguesa) da nossa cozinha popular e não tem nada a ver com as "carnes às mercês" das tabernas e cervejarias lisboetas.  Essas são carnes de porco fritas e em tudo iguais, excepto na massa de pimentão, à carne de porco alentejana (sem amêijoas).

De acordo com alguns entendidos em gastronomia, nos dias de hoje, a sua confecção anda pelas ruas da amargura. Pelo que aqui lhe deixo a verdadeira receita da Carne das Mercês segundo Luís Pontes, experimente-a, para ver o que é um petisco bom demais para se perder.

Ingredientes:

1kg de rabadilha de porco
1 colher de sopa de pimentão em pó
5-6 dentes de alho
5-6 folhas de louro
Sal grosso e pimenta preta
150g de banha de porco
2,5dl de vinho branco
2 colheres de sopa de vinagre (facultativo*)

Preparação:
"Corte a carne em pedaços com a volumetria aproximada de uma noz, tempere-os, junte o vinho e o vinagre* e deixe por 24 horas (mas melhor por 48h) no frigorífico*. Ponha esta carne com a marinada numa assadeira ou frigideiras de barro, por cima coloque a banha e leve ao forno, regulado para 120ºC com calor por baixo, durante cerca de 4 horas.

Durante este tempo a carne mal fervinha e a película de banha que se forma sobre a marinada impede a sua evaporação. Isto é essencial para que a carne vá confitando lentamente, adquirindo aquela tenrura não-desfeita que só a baixa temperatura e o tempo conferem.

Depois destas horas é tempo de finalizar: é agora que a carne já confitada vai ser frita. Passe a temperatura para 250ºC ou, mais prático, passe a assadeira para o lume do fogão, forte, e deixe que a marinada se evapore por completo e a carne fique alourada e frita por fora, mexendo sempre. No final (cuidado para que os alhos não queimem) junte um golpe de vinho branco, agite para desglaçar os sucos caramelizados e evaporar o álcool e sirva acompanhado de um bom vinho e pão de Mafra".
Luís Pontes em Outras Comidas

quinta-feira, outubro 18, 2018

O Palacete do Visconde de Sacavém

 O Palacete do Visconde de Sacavém situa-se entre grandes embaixadas na Lapa (Rua do Sacramento à Lapa).
Foi construído nos finais do século XIX como residência nobre, e as suas janelas neo-manuelinas estão cobertas de azulejos e de peças de cerâmica. Meio barroca, meio Arte Nova, é uma decoração simbólica do final do período romântico.




O Palacete do Visconde de Sacavém, um exemplar do romantismo tardio, foi mandado construir pelo Visconde de Sacavém, entre 1897 e 1900, tem projecto do arquiteto H. Faria Blanc e apresenta uma decoração cerâmica naturalista e revivalista.

quarta-feira, outubro 17, 2018

A Feira das Mercês



A Feira das Mercês, antiquíssimo vestígio do culto popular do Divino Espírito Santo, realiza-se nas últimas semanas de Outubro. Acontece numa quinta que foi casa do Marquês de Pombal na zona saloia, entre Rio de Mouro e o Algueirão Mem - Martins.


Aí se provavam a primeira água-pé do ano, às vezes algum vinho novo que alguém teimava em trazer, ainda meio-feito e as primeiras castanhas se o tempo tivesse ajudado com algum granizo precoce. Pelas nove horas, já sobre brasas no fundo de bidões serrados ao meio, as frigideiras da Carne às Mercês que havia de ser comidas bem depois do meio-dia!

A Feira ou Festa das Mercês , como também era conhecida, foi sempre muito atrativa pelo quadro etnogáfico que apresentava. O local encantava quem o visitava, quer pela diversidade de produtos, quer também pela algazarra das gentes e dos pregões, das figuras e garrido dos trajes. Era possível observar-se as saloias vestidas com as suas roupas coloridas.



Hoje é uma representação de uma das feiras mais emblemáticas do concelho de Sintra. E proporciona aos visitantes vários e diversos momentos de animação etnográfica saloia, espaços de restauração, bancas de artesanato diversificado, área infantil e espetáculos de palco.

Um aliciante desafio a não perder!

terça-feira, outubro 16, 2018

Minas Gerais é...

Minas Gerais é... 
"pão de queijo, paçoca e cafezim.
Aonde as pessoas se cumprimentam com 3 beijinhos, e têm um coração enorme.
Também é cachoeiras maravilhosas, uma culinária muito rica e uma bela cultura...
Onde se encontra o Instituto Inhotim que é um dos acervos mais importantes da arte contemporânea, onde andar de bicicleta é mais complicado porque a cidade foi construída em cima de várias montanhas, é aonde não tem praias, mas em compensação há várias paisagens espetaculares; onde trem substitui qualquer palavra e arredar significa afastar; aonde usar palavras diminutivas a qualquer momento, ou não terminar (de falar) as palavras é normal... Como (por exemplo): arreda pra lá um cadim sô, ou, sai ditrai da porta, etc,.
MG é "donde" há cidades maravilhosas e se concentra um dos sotaque mais lindos do Brasil".
Ashiley D. J. - 11º E

segunda-feira, outubro 15, 2018

Quando A Gira Girou

Oiça o cantor brasileiro Zeca Pagodinho em "Quando A Gira Girou".

O céu de repente anuviou
E o vento agitou as ondas do mar
E o que o temporal levou
Foi tudo que deu pra guardar
Só Deus sabe o quanto se labutou
Custou mas depois veio a bonança
E agora é hora de agradecer
Pois quando tudo se perdeu
E a sorte desapareceu
Abaixo de Deus só ficou você

Quando a gira girou, ninguém suportou
Só você ficou, não me abandonou
Quando o vento parou e a água baixou
Eu tive a certeza do seu amor

Quando tudo parece que estar perdido
É nessa hora que você vê
Quem é parceiro, quem é bom amigo
Quem tá contigo quem é de correr
A sua mão me tirou do abismo
O seu axé evitou o meu fim
Me ensinou o que é companheirismo
E também a gostar de quem gosta de mim

Quando a gira girou, ninguém suportou...

Na hora que a gente menos espera
No fim do túnel aparece uma luz
A luz de uma amizade sincera
Para ajudar carregar nossa cruz
Foi Deus quem pôs você no meu caminho
Na hora certa pra me socorrer
Eu não teria chegado sozinho
A lugar nenhum se não fosse você

Quando a gira girou, ninguém suportou...

domingo, outubro 14, 2018

Jura

Pelas rugas da fronte que medita...
Pelo olhar que interroga — e não vê nada...
Pela miséria e pela mão gelada
Que apaga a estrela que nossa alma fita...

Pelo estertor da chama que crepita
No último arranco duma luz minguada...
Pelo grito feroz da abandonada
Que um momento de amante fez maldita...

Por quanto há de fatal, por quanto há misto
De sombra e de pavor sob uma lousa...
Oh pomba meiga, pomba da esperança!

Eu te juro, menina, tenho visto
Coisas terríveis — mas jamais vi coisa
Mais feroz do que um riso de criança!
Antero de Quental

sábado, outubro 13, 2018

Rua das Cruzes da Sé

Rua das Cruzes da Sé, 13-15, em Lisboa.
Esta fachada ao lado da Sé está coberta de azulejos criados em 1918. Trata-se de uma antiga fábrica que produzia balanças, e por isso os painéis são alusivos ao ofício.