sexta-feira, Setembro 19, 2014

Alentejo, tempo para ser feliz

"Alentejo, tempo para ser feliz", é uma curta metragem que mostra, em cerca de seis minutos, as emoções que os turistas podem viver no Alentejo.
O filme foi produzido pela Flavour Productions, conta com a direcção de fotografia e realização de Eduardo Sousa e co-realização de Tito Costa. A banda sonora é de Nuno Maló, compositor português que esteve na "shortlist" para os Óscares deste ano com o filme "LUV" e foi nomeado para os "Hollywood Music in Media Awards".
Este pequeno filme é protagonizado pela atctriz britânica Ela Clark e muitos habitantes do Alentejo.
Esta pequena aventura tem como ponto de partida a busca da felicidade.
Não perca, também, a oportunidade de ter tempo para ser feliz no Alentejo, nem que seja virtualmente! Ora veja!

quinta-feira, Setembro 18, 2014

Adorai, montanhas

Adorai, montanhas,
o Deus das alturas,
também das verduras.

Adorai, desertos
e serras floridas,
o Deus dos secretos,
o Senhor das vidas.
Ribeiras crescidas,
louvai nas alturas
Deus das criaturas.

Louvai, arvoredos
de fruto prezado,
digam os penedos:
Deus seja louvado!
E louve meu gado,
nestas verduras,
o Deus das alturas.
Gil Vicente

quarta-feira, Setembro 17, 2014

Cabide

Oiça a Ana Carolina (cantora, compositora, arranjadora e instrumentista brasileira) a interpretar "Cabide" aqui com a ilustre participação do grande Luiz Melodia.
E se eu fugir e sair por ai na noitada
Me acabando de rir
E se eu disser que não digo, e não ligo, e que fico
E que só vou aprontar
É que eu sambo direitinho, assim bem miudinho,
Cê não sabe acompanhar
Vou arrancar sua blusa e pôr no meu cabide só pra pendurar
Quero ver se você tem atitude
E se vai me encarar

E se eu sumir dos lugares, dos bares, esquinas
E ninguém me encontrar
E se me virem sambando até de madrugada
E você for até lá
É que eu sambo direitinho assim bem miudinho,
Sei que você vai gostar
Vou arrancar sua blusa e pôr no meu cabide só pra pendurar
Quero ver se você tem atitude e se vai me encarar

Chega de fazer fumaça, de contar vantagem
Quero ver chegar junto pra me juntar
Me fazer sentir mais viva
Me apertar o corpo e a alma
Me fazendo suar
Quero beijos sem tréguas
Quero sete mil léguas sem descansar
Quero ver se você tem atitude e se vai me encarar.

E se eu fugir e sair por ai na noitada
Me acabando de rir
E se eu disser que não digo, e não ligo, e que fico
E que só vou aprontar
É que eu mando direitinho, assim bem miudinho,
Sei que você vai gostar
Vou arrancar sua blusa e pôr no meu cabide só pra pendurar
Quero ver se você tem atitude e se vai encarar
Quero ver se você tem atitude e se vai me encarar
Quero ver se você tem atitude e se vai me encarar
 

terça-feira, Setembro 16, 2014

Um Passeio pelo Museu

A proposta de passeio virtual de hoje é até ao Museu Nacional de História Natural, dos E.U.A. Esta visita virtual permitir-lhe-á descobrir uma das coleções de História Natural mais completas que existem: fósseis, borboletas, diamantes, mamíferos empalhados e, principalmente, dinossauros.
O museu é administrado pela Instituição Smithsoniana, e, localiza-se em Washington, D.C.  Foi fundado em 1910 e o edifício, de estilo neoclássico, foi o primeiro a ser construído naquela parte da cidade de Washington, como parte do plano da Comissão McMillan, em 1901.
A sua colecção totaliza mais de 125 milhões de espécies de plantas, animais, fósseis, minerais, rochas, meteoritos e objetos culturais humanos.
No museu trabalham mais de 185 profissionais especialistas em história natural, o maior grupo dedicado ao estudo cultural e natural de todo o mundo.
As amostras mais importantes do piso inferior estão no salão de mamíferos, que expõe mamíferos dessecados de todo o mundo, alguns dos quais foram colecionados pelo presidente Theodore Roosevelt. Também no piso inferior está a sala dos dinossauros. Ao lado desta sala fica a exposição sobre a evolução da Terra, que vai até ao Pré-Cambriano.
O primeiro piso contém a Coleção Nacional de Gemas, onde a peça de maior destaque é o diamante Hope.  O resto do piso contém ainda o cine IMAX que projecta filmes sobre a vida selvagem, geografia e natureza.
 No piso superior ficam as lojas do museu, a cafeteria e o auditório. Neste piso pode-se contemplar, também, uma coleção de 100 pássaros que vivem na zona metropolitana de Washington
Recomendo-lhe que veja com calma o site deste Museu Nacional da História Natural, clicando aqui. Olhe que vale bem a pena.

segunda-feira, Setembro 15, 2014

O Parque dos Poetas

O Parque dos Poetas , situa-se em Oeiras, e é um projecto da Câmara Municipal  que pretendeu homenagear a cultura portuguesa.
Foi inaugurado em Junho de 2003 (1ª fase), proporcionando um espaço de lazer, de cultura e de desporto. Tem jardins, alamedas, parque infantil, fontes, parque de merendas, anfiteatro ao ar livre, entre outras possibilidades a descobrir e, procurou cruzar a poesia e a arte dos jardins.
Estão ali representados os seguintes poetas: Carlos de Oliveira, Camilo Pessanha, Teixeira de Pascoaes, Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca, José Gomes Ferreira, José Régio, Vitorino Nemésio, Miguel Torga, Jorge de Sena, Sophia de Mello Breyner Andresen, Natália Correia, Eugénio de Andrade, Manuel Alegre, Fernando Pessoa, Alexandre O'Neill, António Ramos Rosa, David Mourão-Ferreira, António Gedeão e Ruy Belo. Destes poetas, para além da sua poesia, há esculturas da autoria do escultor Francisco Simões.
Depois das obras da 2ª fase  (2010 e 2013) o Parque dos Poetas  ficou com 27 ha e, o projecto ainda não terminou por aqui.
Se não tem possibilidades de se deslocar até Oeiras, aprecie a excelente apresentação que se segue e fique a conhecer este excelente parque de cultura e recreio..

domingo, Setembro 14, 2014

ROMAGEM

Aqui lhe deixo um poema de saudade.
É longo, mas ficam avivadas as memórias dos nomes das cidades e dos sítios que enfeitiçaram algumas pessoas que passaram por Angola.

MEU SER ORGULHOSO EXIBE
A SAUDADE QUE O ASSOLA:
SAUDADE DO MEU NAMIBE,
SAUDADE DA MINHA ANGOLA
1
Quero ver Namibe, Huila,
Onde o meu passado mora,
Numa romagem tranquila
Ir por essa Angola fora
Do mar à fronteira Leste,
Da fronteira Leste ao mar,
Por chanas, serras agrestes,
Minha saudade adoçar
Nos sabores divinais,
Nas majestosas miragens,
Nos sons ledos, celestiais,
Nos odores, nas paisagens.
2
Ouvir silvar a garrôa,
A calema marulhar,
Apanhar cacimbo à-toa,
No Vento-Leste abrasar;
Botar colar de missanga,
Pulseira de couro usar,
Vestir panos, vestir tanga,
Sandália de pneu calçar;
Queimar-me ao Sol nas anharas,
Molhar-me à chuva nas chanas,
Sentir gelar-me na cara
À noite o ar da savana.
3
Jogar o balde e, puxando,
Tirar água da cacimba,
Deixar na sanga, pingando,
Beber, fresca, da muringa;
Ir de chata ao alto mar,
Machimbombo em rota longa,
Camangas ir garimpar,
Fazer venda na kandonga;
Ir de ginga p’los muceques,
Dar pé num forro de arromba,
Entre cafekos, moleques,
Dar semba ao som de um kizomba;
Ouvir guizos de chingange,
Cazumbis sentir no ar,
Ouvir trinar o kissange,
Gemendo a puíta soar.
4
Pegar saltão no deserto,
Aranhuço no capim,
Ver um olongo de perto,
De longe a onça ou afim;
Botar pedra na chifuta
P’ra chirikuata caçar,
Pôr visgo em galho de fruta
Bico-de-Lacre pegar;
Pôr rede p’ra Papa-Areia,
Armar laço ao garajau,
Ver no fogo que se ateia
O haraquiri do lacrau
5
Sentir no corpo, qual forno,
Palúdica tremideira,
Ter do makulo o transtorno,
Da bitacaia a coceira;
Sentir o ardente prurido
Do ferrão do marimbondo,
O ruborizar dorido
Da picada do kissonde.
6
Comer maboque, pitanga,
Sape-sape, fruta pinha,
Anona, abacate e manga,
Cola e mandioca em farinha;
Comer múkua, tamarindo,
E tabaibo, e miramgôlo,
Beber bulunga e, convindo,
De caxipembe um bom golo;
Pegar milho e fazer fuba,
Tirar do dendem o azeite,
Comer doce de jinguba,
Do coco sugar o leite;
Fazer fogueira no chão,
Na brasa mulamba assar,
Comer com funje ou pirão
E jindungo de abrasar;
Comer guibulo gostoso,
Mucunza, ginguinga rica,
Um gulungo saboroso,
Uma pesada cangica;
Comer mukeca e fartar-me,
Em muamba me empanturrar,
De muzonguê lambuzar-me
Com farofa a acompanhar;
De peixes comer a zaza,
De carapau o bufete,
Chôco seco assar na brasa,
Saborear o mufete;
Comer matete adoçada,
Pirão frito, tapioca,
Beber Cuca acompanhada
De salgadinha macoca;
P’ra terminar numa boa,
Por sobremesa sublime,
Um dionjo ou dinhangoa,
Quitando ou, talvez, mahime.
7
De recordações liberto,
De sabores satisfeito,
No ar puro do deserto
Revitalizar o peito
E partir com ar solene
Nessa viagem tão linda
Que ligue a foz do Cunene
Ao Chiloango, em Cabinda.
Ver os Tigres, ver o Pinda,
Ter o Iona na retina,
S. João do Sul e, ainda,
O Coroca e Ponta Albina;
Transpor do Namibe as dunas
P’ra ver Tômbua, a cidade,
Recordar naus e escunas
Do Cabo Negro a saudade;
Admirar tômbua, a planta,
Espreguiçando ao deserto.
E a cidade-mãe que encanta
Qual milagre em céu aberto.
8
Ver florir as oliveiras
No meio do areal,
Pender cachos das videiras
Nesse Namibe infernal;
Sentir do mar as aragens,
Desde o Saco ao Pau-do-Sul,
Ir à Praia das Miragens,
Praia Amélia e Praia Azul;
Ir ao Cabo Submarino,
A Santa Rita, ao Quipola,
Torre-Tombo onde, menino,
Brinquei, cresci, fui à escola;
Ir às ostras na Lucira,
Ao burrié no Farol,
Secar choco em bruto ou tiras
No Chapéu Armado, ao Sol;
No Canjeque pescar mero,
Nas Furnas rever as grutas,
Beber das águas do Bero,
Ir às Hortas roubar fruta;
Ir ao Pico do Azevedo,
Olhar o Morro Maluco,
Ver a Bibala e, sem medo,
Aventurar-me p’lo Bruco.

Subir a Chela de dia
Pela Leba, essa obra-prima,
Enquanto o olhar se extasia
Na paisagem, serra a cima;
Sentir Lubango defronte
Pelos perfumes que exala,
Ir à Senhora do Monte,
À fenda da Tundavala;
Olhar a terra fecunda,
Ver a beleza da muíla,
Ver Humpata, ir à Mapunda,
Chibia, Kipungo e Huila;
Ir a Hoque e Capelongo,
Ver as minas no Cassinga,
Ir a Ondjiva e Menongue,
A Nriquinha e Mavinga.
10
Do Lumbala ao Cazombo ir,
Por Luau Luena ver,
Passar Munhango e seguir
P’ra Kamacupa rever;
Passar Wama, ir ao Andulo,
No Kuito ver a embala,
Ao Huambo dar um pulo,
Ir mais p’ra Sul na Kaala;
De Caconda ir ver o mar
Entre Lobito e Benguela,
Na Restinga descansar,
Ver Cavaco e Catumbela;
De Sumbe à Cela subir
Para à Gabela descer,
Ir à Quibala e partir
P'ra Calulo à vista ter.
11
Dondo e Massangano olhar
E por Muxima passando
Seguir em frente e buscar
Catete e Ndalatando;
Ir a Malanje e Saurimo,
Embrenhar-me em densas matas,
Rever Cacolo e Luachimo,
Lucala e as cataratas;
Caungulo descobrir,
Ver Uíge, Sanza Pombo,
Kuango, Dambe, e prosseguir
Até Maquela do Zombo;
Ir de Mbanza a Cabinda,
Ver do Zaire a foz tão bela,
Nzeto, Quimbambe e, ainda,
Quiteche e Camabatela,
Por Nambuangongo passar,
Ir a Quibaxi e Caxito,
No Cacuaco findar
Este deambular bonito.
PORQUE PERTO, JUNTO AO MAR,
JÁ LUANDA SE PRESSENTE,
DA PÁTRIA NATAL ALTAR,
DESTA SAUDADE SEMENTE.
José António Teixeira

sábado, Setembro 13, 2014

Alentejo, Alentejo

«Alentejo, Alentejo», é um filme de Sérgio Tréfaut, que parte ao encontro da tradição popular do Cante Alentejano, mas acaba por ser uma lição de história sobre modos de vida no século XX, sobre as características da maior região do país e uma obra eminentemente antropológica e estética.
Este filme recebeu o prémio de Melhor Filme Português no Festival Indie Lisboa 2014 e estará em cartaz a partir do dia 18 de setembro.
Este filme é também importante, em particular,  porque este será o ano em que o Cante Alentejano será, como se espera, classificado pela UNESCO como Património Imaterial da Humanidade.