segunda-feira, março 27, 2017

Um adeus a Chuck Berry

Assista ao concerto completo de Chuck Berry (Rock and Roll Music) realizado na cidade de Toronto, no Canadá em 1969.
Chuck Berry, (1926 - 2017), foi um compositor, cantor e guitarrista dos E.U.A.
É considerado um dos pioneiros do rock and roll. Não se pode garantir, contudo, que foi ele sozinho que criou o rock and roll, já que este estilo foi produto de um contexto do pós-guerra, nos Estados Unidos e, da mistura de jump blues e rhythm and blues que era feita por vários músicos afro-americanos.
Chuck Berry é considerado um dos pioneiros do rock justamente por ter feito a mistura funcionar.
Chuck foi eleito pela revista Rolling Stone como o 5º maior artista de música de todos os tempos, e foi considerado o sétimo melhor guitarrista do mundo pela mesma revista.

domingo, março 26, 2017

O Que Falta No Texto

O que falta no texto abaixo?
Se quer mesmo saber, vai ter que o ler com paciência. É um óptimo exercício!
Este texto (em português do Brasil) está mesmo genial!
Como vai ver, pode-se brincar com a língua portuguesa.
Tente encontrar a resposta, antes de a ver no final...
Aqui vai ele, tal como o recebi. Não deixe de o ler! Vale bem a pena!

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"Sem nenhum tropeço, posso escrever o que quiser sem ele, pois rico é o português e fértil em recursos diversos, tudo permitindo, mesmo o que de início, e somente de início, se pode ter como impossível. Pode-se dizer tudo com sentido completo, como se isto fosse mero ovo de Colombo.

Desde que se tente sem se pôr inibido, pode muito bem o leitor empreender este belo exercício, dentro do nosso fecundo e peregrino dizer português, puríssimo instrumento dos nossos melhores escritores e mestres do verso, instrumento que nos legou monumentos dignos de eterno e honroso reconhecimento.

Trechos difíceis se resolvem com sinónimos. Observe-se bem: é certo que, em se querendo, esgrime-se sem limites com este divertimento instrutivo.

Brinque-se mesmo com tudo. É um belíssimo esporte do intelecto, pois escrevemos o que quisermos sem o "E" ou sem o "I" ou sem o "O" e, conforme meu exclusivo desejo, escolherei outro, discorrendo livremente, por exemplo, sem o "P", "R" ou "F", ou o que quiser escolher. Podemos, em estilo corrente repetir sempre um som ou mesmo escrever sem verbos.

Com o concurso de termos escolhidos, isso pode ir longe, escrevendo-se todo um discurso, um conto ou um livro inteiro sobre o que o leitor melhor preferir. Porém mesmo sem o uso pernóstico dos termos difíceis, muito e muito se prossegue do mesmo modo, discorrendo sobre o objeto escolhido, sem impedimentos. Deploro sempre ver moços deste século inconscientemente esquecerem e oprimirem nosso português, hoje culto e belo, querendo substituí-lo pelo inglês. Por quê?

Cultivemos nosso polifônico e fecundo verbo, doce e melodioso, porém incisivo e forte, messe de luminosos estilos, voz de muitos povos, escrínio de belos versos e de imenso porte, ninho de cisnes e de condores.

Honremos o que é nosso, ó moços estudiosos, escritores e professores.

Honremos o digníssimo modo de dizer que nos legou um povo humilde, porém viril e cheio de sentimentos estéticos, pugilo de heróis e de nobres descobridores de mundos novos".

Descobriu?

Não?

O texto não tem a letra  "a"  

sábado, março 25, 2017

O Jato de Água: A assinatura de Genebra


Genebra localiza-se nas margens do Lago Léman, na fronteira com a França. É o centro cultural e económico da Suíça de língua francesa e, ao mesmo tempo, a cidade mais internacional do país: quase 44% da população total (500 mil habitantes) é constituída por estrangeiros.
Esta cidade abriga mais de 200 instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a representação europeia da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O Jato de Água é para Genebra o que para Paris é a Torre Eiffel ou para NovaYork a Estátua da Liberdade. Assim, Genebra exibe-o orgulhosa na maioria dos seus cartões postais.
O que talvez não saiba é que foi o acaso que levou à existência deste famoso jato.
Tudo começou no século XIX quando Genebra vivia um desenvolvimento intenso. Com o crescimento da cidade, a necessidade de água aumentou quer para o abastecimento da população, quer para a indústria local. A câmara local resolveu então fazer construir uma estação elevatória para distribuir o fluxo de água proveniente do Rio Ródano. Esta realmente funcionou de 1886 a 1990.
Contudo à noite, quando as máquinas industriais paravam, os operadores tinham de ir a correr parar as bombas. Era preciso, então, ter alguém de serviço para ligar e desligar as bombas.
 Alguém teve, contudo,  a brilhante ideia de criar uma válvula de segurança para controlar a pressão da bomba. Quando precisava ser diminuída a pressão, jogava-se para o céu a água. E assim, nasceu o jato de água que inicialmente tinha só 30 m de altura.
Em Julho de 1891 para comemorar os 600 anos da Confederação Suíça, foi inaugurado um jato de 90 m no lago, que começou então a caracterizar a cidade de Genebra.
Hoje o jato tem uma altura média de 140 metros e uma velocidade de saída de água de 200 km/h, escoando 500 litros de água por segundo.
Atualmente o bom funcionamento do Jato d’ água de Genebra é garantido por voluntários reformados do Serviço Industrial da cidade.

sexta-feira, março 24, 2017

Cotovia

— Alô, cotovia!
Aonde voaste,
Por onde andaste,
Que saudades me deixaste?

— Andei onde deu o vento.
Onde foi meu pensamento
Em sítios, que nunca viste,
De um país que não existe . . .
Voltei, te trouxe a alegria.

— Muito contas, cotovia!
E que outras terras distantes
Visitaste? Dize ao triste.

— Líbia ardente, Cítia fria,
Europa, França, Bahia . . .

— E esqueceste Pernambuco,
Distraída?

— Voei ao Recife, no Cais
Pousei na Rua da Aurora.

— Aurora da minha vida
Que os anos não trazem mais!

— Os anos não, nem os dias,
Que isso cabe às cotovias.
Meu bico é bem pequenino
Para o bem que é deste mundo:
Se enche com uma gota de água.
Mas sei torcer o destino,
Sei no espaço de um segundo
Limpar o pesar mais fundo.
Voei ao Recife, e dos longes
Das distâncias, aonde alcança
Só a asa da cotovia,
— Do mais remoto e perempto
Dos teus dias de criança
Te trouxe a extinta esperança,
Trouxe a perdida alegria.
Manuel Bandeira

quinta-feira, março 23, 2017

Hidrografia

São belos os nomes dos rios
na velha Europa.
Sena, Danúbio, Reno são
palavras cheias de suaves inflexões,
lembrando em tardes de oiro fino,
frutos e folhas caindo, a tristeza
outoniça dos chorões.
O Guadalquivir carrega em si espadas
de rendilhada prata,
como o Genil ao sol-poente,
o sangue de Federico.
E quantas histórias de terror
contam as escuras águas do Reno ?
Quantas sagas de epopeia
não arrasta consigo a corrente
do Dniepre.
Quantos sonhos destroçados
navegam com detritos
à superfície do Sena ?
Belos como os rios são
os nomes dos rios na velha Europa.
Desvendada, sua beleza flui
sem mistérios.
Todo o mistério reside nos rios
da minha terra.
Toda a beleza secreta e virgem que resta
está nos rios da minha terra.
Toda a poesia oculta é a dos rios
da minha terra.
Os que, cansados, sabem todas
as histórias do Sena
e do Guadalquivir, do Reno
e do Volga
ignoram a poesia corográfica
dos rios da minha terra.
Vinde acordar
as grossas veias da água grande !
Vinde aprender
os nomes de Uanéteze, Mazimechopes,
Massintonto e Sábiè.
Vinde escutar a música latejante
das ignoradas veias que mergulham
no vasto, coleante corpo do Incomáti,
o nome melodioso dos rios
da minha terra,
a estranha beleza das suas histórias
e da suas gentes altivas sofrendo
e lutando nas margens do pão e da fome.
Vinde ouvir,
entender o ritmo gigante do Zambeze,
colosso sonolento da planura,
traiçoeiro no bote como o jacaré,
acordando da profundeza epidérmica do sono
para galgar os matos
como cem mil búfalos estrondeantes
de verde espuma demoníaca
espalhando o imenso rosto líquido da morte.
Vede as margens barrentas, carnudas
do Púngoè, a tristeza doce do Umbelúzi,
à hora de anoitecer. Ouvi então o Lúrio,
cujo nome evoca o lírio europeu,
e que é lírico em seu manso murmúrio.
Ou o Rovuma acordando exóticas
lembranças de velhos, coloniais
navios de roda revolvendo águas pardacentas,
rolando memórias islâmicas de tráfico e escravatura.
Ah, ouvidos e olhos cansados de desolação
e de europas sem mistério,
provai a incógnita saborosa
deste fruto verde,
destes espaços frondosos ou abertos,
destes rios diferentes de nomes diferentes,
rios antigos de África nova,
correndo em seu ventre ubérrimo
e luxuriante.
Rios, seiva, sangue ebuliente,
veias, artérias vivificadas
dessa virgem morena e impaciente,
minha terra, nossa Mãe !
Rui Knopfli -  Reino Submarino (1962)

quarta-feira, março 22, 2017

Cantiga da Agua



No Dia Mundial da Água proponho-lhe que veja o vídeo abaixo com a Cantiga da Água.
A importância de beber água na saúde humana, num excelente vídeo pedagógico.
Não perca a oportunidade de o ver. Vale bem a pena!

terça-feira, março 21, 2017

Se às Vezes Digo que as Flores Sorriem

Se às vezes digo que as flores sorriem
E se eu disser que os rios cantam,
Não é porque eu julgue que há sorrisos nas flores
E cantos no correr dos rios...
É porque assim faço mais sentir aos homens falsos
A existência verdadeiramente real das flores e dos rios.
Porque escrevo para eles me lerem sacrifico-me às vezes
À sua estupidez de sentidos...
Não concordo comigo mas absolvo-me,
Porque só sou essa cousa séria, um intérprete da Natureza,
Porque há homens que não percebem a sua linguagem,
Por ela não ser linguagem nenhuma.
Alberto Caeiro (Heterónimo de Fernando Pessoa) -  "O Guardador de Rebanhos - Poema XXXI"