sábado, abril 09, 2016

O pelotão 72...

O vídeo abaixo mostra um pelotão absolutamente espetacular! Estão todos muito bem treinadinhos...
Este desempenho é feito por 38 estudantes do sexo masculino e 34 estudantes do sexo feminino de uma Universidade do Japão.
Não é preciso saber japonês para entender o vídeo, por isso, não perca a oportunidade de o ver.
Vale bem a pena observar o que é o treino e a precisão destes jovens.
Ora veja.

sexta-feira, abril 08, 2016

Tia Guida

Tia Guida é um livro do escritor português, André Fernandes. Este jovem autor esteve recentemente, na nossa escola, para fazer a apresentação desta sua obra e, para conversar com alguns alunos.
Sinopse:
Não me lembro do dia exacto, nem da hora exacta, mas lembro-me exactamente de como me senti.
Despertei. Peguei no telefone e digitei o número que pretendia. A chamada estava estabelecida. Estava prestes a receber notícias que ansiava receber há já alguns dias. Mas nem por um segundo equacionei a hipótese de serem tão negras como aquelas que recebi naquele dia. Cancro. Sim, tinha ouvido bem. Cancro.
Se quiser conhecer o André Fernandes veja o vídeo abaixo, porque ele esteve na TVI, para falar sobre o Tia Guida
Embora seja um livro sobre cancro, é um m livro com uma mensagem muito positiva.

quinta-feira, abril 07, 2016

It's Only Love / Without You

Oiça, Tina Turner & Bryan Adams em  It's Only Love/Without You (ao vivo).
Tina Turner, conhecida como Miss Hot Legs é uma cantora, dançarina e atriz nascida nos Estados Unidos e, desde 2013, de cidadania suíça , cuja carreira começou há mais de cinquenta anos.
Bryan  Adams (1959), é um cantor, compositor e fotógrafo canadiano. Bryan Adams é um dos artistas mais bem sucedidos da década de 1980. É também reconhecido por sucessos como Heaven, Please Forgive Me, Everything I Do, Summer of 69, entre outros.

quarta-feira, abril 06, 2016

Maria do Mar


Maria do Mar (1930) é um filme mudo português, realizado pelo cineasta Leitão de Barros.
O argumento é de Leitão de Barros que contou com a parceria de António Lopes Ribeiro.
É a primeira docuficção e também a primeira etnoficção do cinema português (metragem original: 3000 metros, metragem conservada: 2138 metros), a segunda mundial depois de Moana (1926), de Robert Flaherty.
Uma obra precursora, com Moana, da prática da antropologia visual.
Estreou em Lisboa, nos cinemas Odeon e São Luiz, e na cidade do Porto, no cinema Águia de Ouro, em 1930.

Sinopse:

Maria do Mar, é o nome do batel da grande desgraça e o nome da protagonista. Daí o título ao filme.
É simultaneamente um documentário - porque retrata fielmente a vida pobre e dura das gentes da Nazaré, o que lhe dá uma caução muito realista - e, uma película de ficção. Narra a trágica história de duas famílias desavindas pelas mortes dos pais em que as matriarcas - principalmente Tia Aurélia, a Ilhôa, interpretada pela extraordinária Adelina Abranches - subjugam todos ao seu domínio. Mas não conseguem evitar uma bela história de amor entre os filhos, Maria do Mar (Rosa Maria) e Manuel (Oliveira Martins).

Falacha (Alves da Cunha) é o capitão de um barco de pesca da Nazaré que perdeu parte de seus homens num naufrágio.
Uma das vítimas foi o homem da Tia Aurélia, que nunca perdoou à família do arrais. Perseguido pelo ódio dos seus patrícios, Falacha suicida-se. Um dia, Maria do Mar, a filha dele, é salva por Manuel, filho da Tia Aurélia...
Tempos depois, Maria do Mar, apaixona-se pelo Manuel, o que faz com que estes dois jovens se transformem numa espécie de Romeu e Julieta da Nazaré.

Mas agora é mais do que tempo de ver o filme de que  temos estado para aqui a falar!

terça-feira, abril 05, 2016

A Rua Das Rimas

A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino
pequenino
é uma rua de poeta, reta, quieta, discreta,
direita, estreita, bem feita, perfeita,
com pregões matinais de jornais, aventais nos portais, animais e
varais nos quintais;
e acácias paralelas, todas elas belas, singelas, amarelas,
douradas, descabeladas, debruçadas como namoradas para as
calçadas;
e um passo, de espaço a espaço, no mormaço de aço baço e lasso;
e algum piano provinciano, quotidiano, desumano,
mas brando e brando, soltando, de vez em quando,
na luz rara de opala de uma sala uma escala clara que embala;
e, no ar de uma tarde que arde, o alarde das crianças do
arrabalde;
e de noite, no ócio capadócio,
junto aos lampiões espiões, os bordões dos violões;
e a serenata ao luar de prata (Mulata ingrata que mata...);
e depois o silêncio, o denso, o intenso, o imenso silêncio...
A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino
pequenino
é uma rua qualquer onde desfolha um malmequer uma mulher
que bem me quer
é uma rua, como todas as ruas, com suas duas calças nuas,
correndo paralelamente, como a sorte diferente de toda gente,
para a frente,
para o infinito; mas uma rua que tem escrito um nome bonito,
bendito, que sempre repito
e que rima com mocidade, liberdade, tranqüilidade: RUA DA FELICIDADE...
Guilherme de Almeida

segunda-feira, abril 04, 2016

A Martinica

A Martinica é um departamento insular francês, situado nas Caraíbas. 
Este território ultramarino tem fronteiras marítimas com a Dominica a noroeste, e com Santa Lúcia a sul.
A capital da Martinica é  Fort-de-France. Este território tem estatuto de região administrativa, assim como as outras colónias francesas (Guadalupe, a ilha de Reunião e a Guiana Francesa).
A antiga capital, Saint-Pierre, ficou mundialmente famosa após a grande erupção vulcânica de 1902, no Monte Pelée. Em 29 de novembro de 2007, houve um sismo de 7,4 na escala de Richter, que foi sentido no Brasil (Amazonas, Pará, Rondónia, Roraima e Amapá).
A pessoa mais ilustre, filha deste território, foi a primeira consorte do imperador Napoleão I, a imperatriz Josefina de Beauharnais.
Descubra a Martinica através do excelente timelapse que se segue.
E veja agora um excelente vídeo sobre este magnífico território.

domingo, abril 03, 2016

O Dia do Vale ou o Dia das Sestas

Em alguns lugares do nosso país, em especial da região do Alentejo, existe uma tradição que ocorre uma semana depois da Páscoa, que é o chamado Dia do Vale.
Neste dia, que costuma ser uma semana após o Domingo de Páscoa, em algumas zonas, as pessoas vão para o campo fazer um pic-nic, numa celebração ainda pascal, da ressurreição de Cristo.
Vão para o campo, para conviver com a família, para descansar, para ver os campos verdes, as árvores floridas, as crias que nascem, ou seja, a natureza a transbordar de nova vida.
As pessoas levam os farneis, onde não pode faltar o tradicional borrego para o almoço no campo, cadeiras e mesas, entre outras coisas, para  um dia passado em festa.
Noutros locais do Alentejo estes pic-nics pascais ocorrem na segunda feira após o Domingo de Páscoa ou na segunda feira de Pascoela uma semana a seguir ao Domingo de Páscoa.
Uma tradição linda, embora em vias de extinção, pelo seu conteúdo, pela sua liberdade, pela celebração da Vida!

sábado, abril 02, 2016

O Vale Europeu

O Vale Europeu localiza-se no Vale do Itajaí, no estado de Santa Catarina. Quem o visita tem a sensação de estar noutro país e não no Brasil. O Vale Europeu é uma região com fortes características dos colonizadores alemães, italianos, austríacos, polacos e portugueses. Assim, a arquitetura, a culinária, os costumes e as suas gentes, lembra a Europa, mais precisamente a Alemanha, país de onde vieram no século XIX a maioria dos seus colonizadores. Neste Vale existem mais de 520 mil habitantes detendo um dos melhores padrões de qualidade de vida do Brasil.
A região oferece diversas atrações que variam da arquitetura típica, aos dialetos que ainda podem ser escutados em alguns lugares. Esta região é muito famosa, também, por organizar uma das festas mais conhecidas do país, a Oktoberfest de Blumenau.
Vale a pena viajar pelas estradas que interligam as cidades do Vale Europeu. Em diversos pontos as estradas são cortadas por rios, cascatas, moinhos, capelas, engenhos e paisagens rurais.
Além das suas tradições o Vale Europeu, destaca-se pela pujança da sua economia, pois é uma das regiões mais ricas não só de Santa Catarina, mas também do Brasil, e pelas lindas belezas naturais, que dão aos amantes do ecoturismo uma variedade enorme de opções: montanhas, cachoeiras, cavernas (não deixe de visitar a caverna de Botuverá, a maior do Sul do Brasil e uma das mais belas do país), rios caudalosos e percursos ecológicos, entre outros.
Nesta região existe, portanto, a hipótese de praticar diversos tipo de turismo: o Cicloturismo, o Turismo Religioso com a Rota da Fé (o Santuário de Santa Paulina - primeira santa brasileira - em Nova Trento e o Vale de Azambuja em Brusque); o Turismo Desportivo (os morros, vales, cachoeiras e rios desta região são um convite para prática de desportos como o trekking, o rapel, o mountain bike e o parapente); o Turismo de Aventura (com os rápidos do rio Itajaí e dos seus afluentes que estão entre os melhores do Brasil para a prática de rafting).
Aprecie agora dois vídeos sobre o Vale Europeu em Santa Catarina. Valem bem a pena.
Agora ainda outro vídeo sobre esta região.

sexta-feira, abril 01, 2016

Conceição

Cauby Peixoto (1931) é um cantor brasileiro que ficou marcado pela sua voz, caracterizada pelo timbre grave e aveludado, mas principalmente pelo seu estilo "dândi". Este estilo inclui figurinos e penteados excêntricos.
Cauby (conhecido no meio artístico como Professor) está em atividade desde o final da década de 1940.  Proveniente de uma família de músicos, o pai (conhecido como Cadete) tocava violão, a mãe bandolim, os irmãos eram instrumentistas, as irmãs cantoras e o tio pianista.  Cauby é sobrinho do famoso Nonô (Romualdo Peixoto), grande pianista, que popularizou o samba naquele instrumento.
Oiça-o aqui na música "Conceição" (1956), uma composição de Jair Amorim e Dunga, que se tornou um grande sucesso e que faz parte da discografia do Cauby Peixoto.

Conceição
Eu me lembro muito bem
Vivia no morro a sonhar
Com coisas que o morro não tem

Foi então
Que lá em cima apareceu
Alguém que lhe disse a sorrir
Que, descendo à cidade, ela iria subir

Se subiu
Ninguém sabe, ninguém viu
Pois hoje o seu nome mudou
E estranhos caminhos pisou

Só eu sei
Que tentando a subida desceu
E agora daria um milhão
Para ser outra vez Conceição

Conceição
Eu me lembro muito bem
Vivia no morro a sonhar
Com coisas que o morro não tem

Foi então
Que lá em cima apareceu
Alguém que lhe disse a sorrir
Que descendo à cidade ela iria subir

Se subiu
Ninguém sabe, ninguém viu,
Pois hoje seu nome mudou
E estranhos caminhos pisou

Só eu sei
Que tentando a subida desceu
E agora daria um milhão
Para ser outra vez Conceição.

quinta-feira, março 31, 2016

Imagem

Este é o poema duma macieira.
Quem quiser lê-lo,
Quem quiser vê-lo,
Venha olhá-lo daqui a tarde inteira.

Floriu assim pela primeira vez.
Deu-lhe um sol de noivado,
E toda a virgindade se desfez
Neste lirismo fecundado.

São dois braços abertos de brancura;
Mas em redor
Não há coisa mais pura,
Nem promessa maior.
Miguel Torga - Vila Nova, 4 de Abril de 1936

terça-feira, março 29, 2016

A cidade menos povoada do mundo

A cidade do Vaticano é a menos povoada do mundo
A Cidade do Vaticano, com uma população de 842 habitantes, ganhou o título de cidade menos povoada.
A cidade do Vaticano é uma cidade-estado e é por isso, oficialmente, o menor Estado do mundo.

segunda-feira, março 28, 2016

A Páscoa na Madeira

A Páscoa no arquipélago da Madeira vive-se com muita intensidade e diferencia-se em termos culturais e gastronómicos do restante país.
A ementa da Páscoa nas ilhas da Madeira e do Porto Santo, apresenta iguarias saborosas e muito variadas.
Na Sexta-feira Santa, os madeirensem evitam comer carne e os pratos mais tradicionais deste dia são: o bacalhau assado, os filetes de peixe-espada preto ou de atum ou o atum de escabeche, acompanhado de salada, inhame, feijão e batatas.
No Domingo de Páscoa volta-se a comer carne e os pratos mais tradicionais das ilhas da Madeira e do Porto Santo e que são muito apreciados nesta quadra são: o cabrito guisado com vinho e canela à maneira da Ponta do Sol, servido com semilhas (batatas) cozidas e legumes.
A carne santa do Porto Moniz, o cabrito assado do Funchal ou o borrego assado são também outros pratos típicos desta quadra.
A Páscoa neste arquipélago apresenta também uma rica e deliciosa doçaria. Os tradicionais torrões de açúcar constituem uma das principais imagens da doçaria madeirense na quadra da Páscoa.
Estes torrões podem apresentar diversas tonalidades, bastando para isso variar a fruta que se vai utilizar.
Na doçaria também se confeccionam os deliciosos bolos ou doces de amêndoas, o pudim de ovos, o pão-de-ló de São Vicente e do Porto Santo ou o bolo doce, iguaria tradicional da Ponta do Sol, feito de erva-doce.
Entretanto, aqui fica uma receita, pescada na net, de Torrões de Açúcar.
Ingredientes:
1 kg de açúcar
1/2 l de leite;
125 g de manteiga;
 2 colheres de chocolate em pó;
Frutas secas nomeadamente nozes e cidra;
1 chávena de côco
Preparação:
Junte ao leite o açúcar com metade da manteiga e leve a ferver mexendo sempre. Junte depois o côco com o resto da manteiga e as frutas moídas.
Ao invés do chocolate, as cores podem ser conseguidas com polpa de fruta, nomeadamente de pitanga, morango, maracujá, laranja e miolo de amêndoa.

domingo, março 27, 2016

O Cabrito Estonado

Com votos de um bom Domingo de Páscoa aqui fica uma receita, de um prato pouco conhecido, mas muito antigo, da nossa gastronomia: O Cabrito Estonado.
Das origens deste delicioso prato ouvem-se muitas histórias que, através de relatos e experiências, vão sendo passadas de geração em geração e que pode conferir aqui.

Esta é uma forma tradicional e muito original de assar o cabrito, típica de Oleiros (região Centro do nosso país), que hoje já poucos fazem (em casa) ou sabem fazer, mas que tem direito a um festival gastronómico.
Este cabrito tem a particularidade de não ser esfolado, mas sim estonado. Ou seja, após ter sido abatido, é escaldado em água a ferver e depois retiram-se-lhe os pêlos, deixando a pele totalmente limpa e lisa. Diz-se estonado porque se lhe extrai o que está à tona, à superfície.
Mantendo a pele, que fica estaladiça, o cabrito não perde gordura, ganhando a sua carne em suculência e sabor.

Ingredientes: 
um cabrito (até um mês e meio),
banha q.b.
colorau  q.b.
dentes de alho  q.b.
pimenta preta  q.b.
presunto  q.b.
sal  q.b.
vinho branco  q.b.

Preparação:
O cabrito deve ter até mês e meio. Morto o cabrito estona-se, isto é: mete-se o cabrito pouco a pouco em água a ferver e tira-se-lhe o pelo à medida que vai sendo escaldado. Tem de se ter cuidado para não se rasgar a pele. Depois de estar estonado, retiram-se as tripas e as vísceras ao cabrito. Lava-se muito bem lavado, ficando a escorrer de um dia para o outro.

No outro dia barra-se o cabrito com pasta feita com o alho, pimenta, sal e vinho branco. Migam-se os miúdos do cabrito, junta-se o presunto também bem migado, a salsa e o louro. Estes bocadinhos fazem um recheio ao qual se junta a um pouco da pasta que o barrou e mete-se na barriga do cabrito, sendo a abertura cozida com agulha e linha. Fica, asim, três ou quatro horas. Barra-se o cabrito com a banha e coloca-se nos paus de loureiro que estão na assadeira de barro a fazer de grade. De vez em quando rega-se com vinho, e quando estiver tostado de um lado, vira-se para assar do outro.
Acompanha com batatas assadas no forno, esparregado de nabiças um arroz de cabidela dos miúdos do cabrito e rodelas de laranja.

Já agora... passe também os olhos por este vídeo. :)

sábado, março 26, 2016

O Cachafrito de Borrego

A Páscoa em Portugal incorpora nas suas tradições muitos elementos gastronómicos provenientes da nossa raíz judaico-cristã.
Após o longo período de privações da Quaresma, que impõe o jejum, com a Páscoa, retoma-se a mesa.
É comum em todo o país comer-se o borrego ou o cabrito (assado ou ensopado). No Minho o costume pascal inclui comer carne de bovino e frango, assado preferencialmente, na assadeira grande de barro vidrado (por exemplo de Barcelos). Na região do Porto é popular o lombo de boi, também conhecido como Boi da Páscoa e, na Beira Litoral, a chanfana e o leitão assado.
O Sul é o Reino do Cordeiro (cordeiro ritual da tradição hebraica). No Alentejo, o cordeiro aparece na gastronomia pascal, onde é mais conhecido pelo nome de borrego.
Em regiões de Portugal, onde as comunidades judaicas tiveram mais influência, ainda hoje se pratica com ritualidade religiosa o sacrifício do cordeiro pascal. Temo-las, por exemplo, em Castelo Vide no Alto Alentejo, que se tornou, por isso mesmo, um ponto de referência turística nesta quadra, independentemente do credo  religioso. É lá que encontramos um característico e pouco conhecido, prato de borrego, o cachafrito (também existe o cachafrito de coelho e o de cabrito), que pode conferir na receita abaixo, "pescada" na net.
Ingredientes:
Benção dos Borregos - Castelo De Vide - Páscoa
2,5 kg de borreguinho ou cabritinho (sela, costelas, espáduas)
6 dentes de alho
1 colher de sopa bem cheia de sal grosso
1 colher de sopa de colorau doce (ou massa de pimentão)
200 gr de banha (ou 1,5 dl de azeite)
1/2 copo de vinho branco
sal q.b.
Preparação:
Pelam-se os dentes de alho, abrem-se ao meio e retira-se-lhes o germe (vulgo grelo).
Deitam-se os alhos num almofariz, junta-se-lhes uma boa colher de sal grosso e esmagam-se até obter uma pasta.
A esta pasta juntam-se ainda o colorau (ou a massa de pimentão) e a banha e misturam-se tudo de modo a ficar bem homogéneo.
Corta-se a carne com os respectivos ossos em bocadinhos que se envolvem no tempero anterior.
Deixa-se ficar assim durante algumas horas ou de um dia para o outro.
Deita-se a carne (com o tempero) num tacho de barro e leva-se a lume brando, virando-a constantemente, até ficar loura e frita, sem contudo a deixar queimar.
Rega-se então a carne com o vinho branco e deixa-se ferver um pouco para evaporar e deixar de se sentir o sabor a vinho.
O cachafrito serve-se em travessa, acompanhado com batatas fritas cortadas em palitos finos.
À parte serve-se ainda uma salada de alface à moda alentejana com um fio de azeite, vinagre, um pouco de água, sal, hortelã e coentros finamente picados.
Nota: Em Castelo de Vide aplicam esta mesma receita ao coelho manso. Neste caso, não é prato de Páscoa nem sequer de festa. Faz-se em qualquer altura do ano como prato familiar.

sexta-feira, março 25, 2016

O Folar de Páscoa de Olhão

O Folar de Páscoa é um dos elementos de referência, na gastronomia pascal, do nosso país.
Existem no entanto, diferentes espécies de folares (nomeadamente, o folar doce e o folar gordo) com características e formas diversas. Contudo, é importante referir que a tradição do folar, qualquer que ele seja, assenta num ritual de dádiva, solidariedade e convívio profundamente enraizado na sociedade portuguesa.
O folar mais corrente em Portugal é um "bolo de massa seca, doce, e ligada, feito com farinha de trigo, ovos, leite, azeite, banha ou pingue, açúcar e fermento, e condimentado com canela e erva-doce, encimado, conforme o seu tamanho, por um ou vários ovos cozidos inteiros e em certos lugares tingidos, meio incrustados e visíveis sob as tiras de massa que os recobrem".
No Norte de Portugal come-se o folar doce e o folar gordo. Em Vila do Conde e na Maia, o folar doce, denomina-se pão-doce ou mesmo broinhas.
Diverso na feitura e também na apresentação, o folar, em Oliveira de Azeméis, assume a forma de uma galinha deitada sobre uma noz, ou de duas, bico com bico, cobrindo dois figos passados.
Em Trás-os-Montes, o folar doce é raro, dando lugar a um outro, gordo, de carne. Trata-se de uma bola feita de farinha, fermento, ovos, leite, azeite ou manteiga, carne de porco, entre outras carnes.
Já em Entre Douro e Minho e no Porto o pão-de-ló (por exemplo, o pão-de-ló de Margaride) substitui o folar.
Na Região Centro (Beiras) mais uma vez surge o folar que é comum a quase toda a região. Aqui o folar é doce e depois encimado, conforme o seu tamanho, por um ou vários ovos cozidos inteiros e em certos lugares tingidos.
Na região centro existe também a tradição dos Bolos da Páscoa. Na Covilhã ganham o nome de Empenadinhas da Páscoa. Noutras regiões encontram-se as broinhas e os bolos de azeite.
No Sul de Portugal, próximo de Elvas, os folares apresentam formas de animais, representando borregos, lagartos, pintainhos, pombos.
No Alto Alentejo, em Castelo de Vide, o folar assume a forma de um duplo coração recamado de ovos e decorado com motivos feitos da mesma massa. Um grande lagarto, com coleira de seda encarnada e lacinho igual na cauda.
A Páscoa,  festa comemorativa da ressurreição de Jesus Cristo, como vimos, está associada a práticas alimentares em que os ovos, os folares e as amêndoas ocupam o primeiro lugar.

Em homenagem a uma particular amiga, deixo-lhe aqui hoje, uma receita de um Folar de Páscoa do Algarve menos conhecido: O Folar de Páscoa de Olhão ou Bolo de Folha ou do Tacho.
Ingredientes:
Para a Massa do Folar:
Farinha - 500 gr
Fermento de Padeiro - 30 gr
Laranja - 1 (sumo)
Leite - 100 ml (morno)
Água - 650 ml
Sal - Uma pitada
Banha - 125 gr
Manteiga - 125 gr
Aguardente - 1/2 Chávena
Para o Recheio das Camadas
Manteiga - A gosto
Açúcar Amarelo - A gosto
Canela - A gosto
Preparação:
Misturar o fermento de padeiro com o leite morno até ficar dissolvido.
Pôr a farinha toda numa tigela grande e fazer um buraco no meio.  Deitar aí o leite com o fermento  e usar a farinha da periferia para amassar bem. Juntar depois o sumo de laranja, a água, o sal, a banha, a manteiga e a aguardente. Misturar tudo bem, se for preciso usar a batedeira.
Depois de bem amassado cobrir a massa com um pano e deixar repousar por 1 hora.
Retirar, depois, o pano da massa e amassar bem até não colar nos dedos (se for preciso ponha um pouco mais de farinha).
Agora pode fazê-lo de duas maneiras:
Se tiver latas ou um tacho com 10 centímetros de diâmetro, aproximadamente, pode fazê-lo da forma tradicional. Tire depois bocados de massa (uns maiores que outros), e, com um rolo de massa estenda-os e faça círculos com 0.5 cm de espessura. Unte a lata ou o tacho com bastante manteiga e coloque um dos círculos que deve cobrir o fundo e os lados. Coloque por cima umas nozes de manteiga, polvilhe generosamente com canela e açúcar amarelo, depois disponha outro círculo em cima desse, também pelo fundo e pelos lados e mais manteiga, canela e açúcar amarelo. Deve repetir o processo até ter pelo menos umas 5 ou 6 camadas e encher completamente o tacho ou lata.
Se não tiver este tipo de forma, não divida a massa. Estenda a massa toda com um rolo, de maneira a formar um rectângulo com quanta largura sobrar de massa e com 10/12 centímetros de altura. Ponha-lhe por cima, algumas nozes de manteiga e polvilhe-o com bastante canela e açúcar amarelo. Depois deve enrolar o rectângulo todo para fazer um cilindro com os 10/12 centímetros de altura.
Depois de ter o folar pronto, ponha-lhe, outra vez, um pano por cima e deixe-o num sitio quente a levedar durante 2 horas.
Por fim polvilhe o topo com açúcar amarelo e um pouco de canela e leve-o ao forno pré-aquecido a 190º C durante 1 hora. Desenforme ainda quente com ajuda de uma faca.

quinta-feira, março 24, 2016

A Páscoa nos Açores

A Páscoa nos Açores é marcada por várias manifestações de carácter religioso, por várias tradições gastronómicas, nomeadamente os folares dourados do Faial e pelos romeiros na ilha de S. Miguel.
Os Romeiros de São Miguel são constituídos por grupos ou ranchos de penitentes que, durante uma das semanas da Quaresma, percorrem a pé a ilha de São Miguel e visitam todas as igrejas e ermidas onde haja exposta a imagem da Virgem Maria.
As festividades da Páscoa nos Açores estão, assim, muito ligadas às celebrações eucarísticas e ao convívio e reuniões familiares.
Na Quinta-Feira Santa celebra-se a Ceia Grande (segundo a tradição católica, a última ceia de Jesus Cristo com os apóstolos). Esta é "recriada" em muitos lares, na noite de quinta-feira, juntando-se a família em volta da mesa e partilhando uma bem guarnecida ceia.
A Sexta-Feira Santa é dia de jejum,  dia respeitado ainda, por muitas pessoas. Neste dia nos Açores e em muitas localidades do país, há também a Via Sacra – caminho que terá feito Jesus Cristo até ao lugar da crucificação – sendo mesmo feita a encenação desse momento em alguns locais.
É na sexta-feira, ou então no sábado, que em muitas casas se fazem os folares.
No Sábado de Aleluia há a celebração da ressurreição.
No Domingo de Páscoa celebra-se a ressurreição e a vida, a família junta-se novamente e saboreiam-se vários pratos regionais.
Pascoa nos Azores - FolaresNos Açores os petiscos são: alcatra, torresmos, inhame, entre outros, e claro, os folares (pão doce, cuja massa é amarelada e muito fofa, tendo um ou dois ovos no seu interior, ou amêndoas (nos Açores) e as amêndoas (tradicionais por parecerem ovos pequeninos) ganhas no jogo do "Balamento"!
O jogo do Balamento ou Belamente é um jogo típico da Páscoa (quer da Medeira quer dos Açores) cujo prémio são amêndoas ou torrões de açúcar.
Findo o Domingo de Páscoa os açorianos já começam a pensar na sua tradição maior que são as Festas do Divino Espirito Santo.

terça-feira, março 22, 2016

Novo museu em Lisboa

Já conhece o novo Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT) que está a ser construído em Lisboa mesmo à beira do rio Tejo?
É junto ao Museu da eletricidade e trata-se também de um projeto da Fundação EDP.
As obras já estão em andamento e a inauguração está prevista para o Verão de 2016.
 O projeto é da autoria da arquiteta britânica Amanda Levete e o arquiteto Pedro Gadanho será o director do futuro Museu.
Gadanho exerceu durante os úiltimos anos o cargo de curador de arquitetura contemporânea do Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova Iorque.
 O edifício terá quase três mil metros quadrados para exposições e eventos.
Contará ainda com um restaurante com vista para a Ponte 25 de Abril, e será possível andar por cima do edifício. A escadaria exterior descerá até ao Tejo, criando um grande espaço público.
Como ainda não está concluído pode, por enquanto, apreciar as imagens do projeto deste belo edifício e o vídeo que aqui lhe deixo.

segunda-feira, março 21, 2016

Para bons marinheiros...

Os dois primeiros vídeos que lhe proponho que veja hoje, mostram barcos ao largo da costa de Washington e Oregon.
Estes barcos procuram atravessar a barra do rio Columbia (Columbia Bar), que é o local onde o rio Columbia encontra o oceano. Esta é uma das portas de entrada mais perigosas do mundo. O volume de água que flui do rio Columbia e a força do impacto que sofre com as tempestades do Pacífico Norte, combinam-se e criam assustadoras condições de mar.
Estes vídeos são adequados para bons marinheiros ou para quem não sofra de problemas cardíacos ou de enjoo.


O terceiro vídeo mostra como dois barcos de pesca enfrentam a barra do rio Grey (Grey River- Greymouth Nova Zelândia). A boca do rio Grey é protegida por um grande banco de areia, barra Greymouth, que é um perigo notório para a navegação.
Os barcos que vê no vídeo abaixo, possuem auto-alinhamento, têm um centro de gravidade baixo, o compartimento do motor é selado, as janelas de vidro são à prova de bala e o casco é de aço duplo.

domingo, março 20, 2016

O Sole Mio

Oiça as extraordinárias vozes de Bryan Adams & Luciano Pavarotti em O Sole Mio.
Pavarotti produzia, anualmente, concertos beneficentes chamados "Pavarotti e Amigos", na sua cidade natal, Modena, Itália, cantando ao lado de grandes músicos de vários estilos, incluindo Laura Pausini, Bryan Adams, Bono Vox, Mariah Carey, Sheryl Crow, Céline Dion, Elton John, Queen, Sting, Spice Girls , Jon Bon Jovi e Tracy Chapman, para arrecadar fundos para as causas da ONU. Estes concertos foram feitos para as crianças das guerras e vítimas das guerras da Bósnia, Guatemala, Kosovo e Iraque.
Este concerto com Bryan Adams aconteceu em Modena (Itália) em 1994.