sábado, fevereiro 20, 2016

Não posso adiar o amor

Desenho - António Ramos Rosa
Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração
António Ramos Rosa 

sexta-feira, fevereiro 19, 2016

O que é a pressão arterial?

Assista a um lição de Wilfred Manzano, em animação (Fox Animation Domination High-Def), acerca da pressão arterial e de como é que ela funciona.
Se alinhassemos todos os vasos sanguíneos de nosso corpo, eles teriam mais de 90 mil km de comprimento. Todos os dias, transportam mais de 7 mil litros de sangue para os tecidos do nosso organismo. Qual é o efeito da pressão sanguínea nas paredes desses vasos? 
Wilfred Manzano explica-lhe isso tudo e mostra todos os factos que deve saber.
Ora veja. Não perca esta oportunidade!

quinta-feira, fevereiro 18, 2016

Como funciona o coração

O coração humano é o órgão responsável pelo percurso do sangue através do nosso organismo. Este percurso é feito, aproximadamente, em 45 segundos, quando em repouso. O coração bate cerca de 109.440 a 110.880 vezes por dia, bombeando aproximadamente 5 litros de sangue.
Neste tempo o órgão bombeia sangue suficiente, a uma pressão razoável, para percorrer todo o corpo humano (ida e volta), transportando assim, o oxigénio e os nutrientes necessários às células que sustentam as atividades orgânicas.
Veja, no vídeo abaixo, como é que o coração bombeia o sangue no corpo humano, através da explicação de Edmond Hui.
Durante grande parte da História da humanidade, não se sabia para que é que servia o coração ou porque é que ele batia sem parar.
Com a evolução da Ciência e da Medicina, percebemos que este órgão-bomba cumpre a tarefa vital de bombear o sangue arterial por todo o corpo. Mas como?
Edmond Hui explica-lhe tudo isso, de forma muito eficaz.
Ora veja!
Olhe que vale bem a pena.

quarta-feira, fevereiro 17, 2016

Os lobos que mudaram os rios

Nos anos 90, no parque de Yellowstone (nos EUA), os lobos já estavam praticamente extintos. Os cientistas resolveram então reintroduzir estes animais no parque. Como toda a gente sabe, os lobos são predadores e, por isso, muitos acreditavam que aquilo poderia ser prejudicial ao ambiente, que já se encontrava em desequilíbrio.
Para a surpresa dos cientistas, não foi o que ocorreu. Não só isso, mas outras coisas inesperadas e incríveis começaram a acontecer. E mais uma vez o homem se curvou diante da soberania da mãe natureza. 
Confira estes acontecimentos vendo o vídeo abaixo. Não perca.

terça-feira, fevereiro 16, 2016

A propósito das ondas gravitacionais


Einstein tinha razão, previstas por Einstein há 100 anos, as ondas gravitacionais (teoria da relatividade) existem.
Durante décadas, os cientistas tentaram, sem êxito, detectar estas ondas, fundamentais para entender as leis que regem o Universo.
Na quinta-feira passada, um grupo de cientistas de vários países, anunciou ter conseguido detectá-las pela primeira vez.
Esta comprovação é uma das maiores descobertas da ciência do nosso tempo porque, além de confirmar as ideias de Einstein, abre as portas para maneiras totalmente novas de se investigar o Universo. A partir de agora, a astronomia e outras áreas da ciência entram uma nova era.

segunda-feira, fevereiro 15, 2016

É o Amor

Oiça Zezé di Camargo  (da dupla sertaneja, Zezé Di Camargo e Luciano) & Vanessa Camargo em "É o Amor" (ao vivo).
Eu não vou negar que sou louco por você
Tô maluco pra te ver
Eu não vou negar

Eu não vou negar sem você tudo é saudade
Você traz felicidade
Eu não vou negar

*Eu não vou negar você é meu doce mel
Meu pedacinho de céu
Eu não vou negar

Você é minha doce amada
Minha alegria
Meu conto de fada
Minha fantasia
A paz que eu preciso pra sobreviver

Eu sou o seu apaixonado de alma transparente
Um louco alucinado meio inconsequente
Um caso complicado de se entender

É o amor
Que mexe com minha cabeça
E me deixa assim
Que faz eu pensar em você esquecer de mim
Que faz eu esquecer que a vida é feita pra viver

É o amor
Que veio como um tiro certo no meu coração
Que derrubou a base forte da minha paixão
E fez eu entender que a vida é nada sem você
(* repetir)
Zezé Di Camargo e Luciano - Compositor: Zeze di Camargo

domingo, fevereiro 14, 2016

Ofélia, a namorada de Pessoa

Ophelia Queiroz ou Ofélia Maria Queirós Soares (1900 - 1991), foi a única namorada conhecida de Fernando Pessoa.

Gostava de ler, de ir ao teatro e de conviver. Passava muitas horas em casa do sobrinho, o poeta Carlos Queirós, a conviver com grandes artistas como Carlos Botelho, Vitorino Nemésio, Almada Negreiros, Olavo d'Eça Leal, Teixeira de Pascoaes, José Régio etc.

Ofélia, no entanto, ficou conhecida por ter sido a única namorada do poeta Fernando Pessoa.

Este namoro é caracterizado por ter duas fases distintas. De Maio a Novembro de 1920 e de Setembro de 1929 a Janeiro de 1930. Embora o contacto entre os dois se tenha mantido cordial, mas esporádico, até à morte do poeta.
A relação entre os dois tornou-se conhecida após a publicação das cartas que ele lhe escreveu, São 48, publicadas em 1978 e precedidas de um texto explicativo da própria Ofélia e das cartas dela (110) para ele, publicadas pela sua sobrinha em 1996, já depois da morte de Ofélia.
Foi o único amor conhecido do poeta, o único nos seus 47 anos de vida.

A primeira fase durou poucos meses e foi marcada por uma paixão intensa. Começa quando Pessoa conhece a jovem, na altura com 19 anos, nos escritórios da baixa lisboeta, onde ela entra para trabalhar como dactilógrafa e ele já exercia os seus serviços como tradutor de correspondência comercial. A relação é pura e doce.
A mudança de Ophélia para o outro lado da cidade, a morte do padrasto e a volta da mãe para Lisboa, somadas ao estado dos nervos do poeta - que se reconhece muito doente - arrefecem o entusiasmo que impulsionava a relação. A 29 de Novembro de 1920, uma lúcida e cruel mensagem encerra o namoro: "O amor passou... O meu destino pertence a outra Lei, cuja existência a Ophelinha ignora, e está subordinado cada vez mais à obediência a Mestres que não permittem nem perdoam..."

Dez anos depois acontece a retomada do namoro, agora usando igualmente o recurso da voz, pois, já existiam telefones em Portugal. O reencontro é motivado por uma fotografia do poeta a beber no Abel Ferreira da Fonseca, que tinha sido oferecida a Carlos Queirós, sobrinho de Ofélia e amigo de Pessoa. A jovem mostra vontade de possuir uma igual e ele envia-lhe uma com a dedicatória: "Fernando Pessoa em flagrante delitro".

A 11 de Setembro inicia-se a primeira da segunda série de cartas de amor. Nesta segunda fase, nota-se uma enorme confusão de sentimentos e perturbação psíquica.

O crítico David Mourão-Ferreira, que estudou as duas fases da correspondência amorosa, sugere que o fracasso desta aventura se deve à presença constante de Álvaro de Campos e que a relação de 1929-1930 era, na verdade, um "ménage à trois virtual".

Ofélia, depois da natural fase de perplexidade, seguiu a sua vida. Mais tarde conhece, na Tobis, o teatrólogo Augusto Soares com quem se casa em 1938, três anos após a morte de Pessoa.

sábado, fevereiro 13, 2016

Bicicleta à Chuva

O livro "Bicicleta à Chuva", é uma história sobre bullying, coragem e amizade, narrada por Margarida Fonseca Santos.
Margarida Fonseca Santos (1960) é uma escritora, formadora e dramaturga portuguesa. Escreveu já mais de uma centena de livros em língua portuguesa, entre ficção, literatura infantojuvenil e não-ficção.
Margarida Fonseca Santos, que já esteve a falar com alunos desta escola, é uma autora reconhecida e muito querida do público, com vários livros publicados, estando mais de metade deles incluídos no Plano Nacional de Leitura.
Sinopse:
Crescer é um desafio enorme. Mas às vezes é difícil decidir que caminho devemos seguir. 
O Jaime carrega um enorme segredo: um grupo de rufias, os Alcaides, toma conta da sua vida de muitas maneiras, deixando--lhe o corpo e a mente com marcas difíceis de apagar.
O Valdomiro, o chefe dos Alcaides, luta para, de alguma forma, conseguir ser importante naquele bairro tão complicado.
Um dia, em frente à paragem do autocarro, o Jaime vê uma bicicleta antiga encostada ao muro de pedras, e desenha-a. Cai uma chuva miudinha, mas o dono da bicicleta, o Joaquim, não se incomoda com isso, e interessa-se por aquele desenhador.
Nasce assim uma amizade capaz de revolucionar a vida do Jaime e de muitos outros.
Um livro comovente e emocionante que os mais novos não vão conseguir parar de ler!

sexta-feira, fevereiro 12, 2016

Broadway Rhythm

Um vídeo de 1944, foi recuperado, digitalizado e colorido. Nesta clássica coreografia do filme "Broadway Rhythm", as assim chamadas The Ross Sisters (Aggie, Maggie e Elmira), cantam e movimentam-se de uma forma, que não parece ser humanamente possível.
Nos primeiros 45 segundos elas só cantam. Mas o que vem a seguir é absolutamente impressionante.
Ora veja! Não perca esta oportunidade.

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Os elefantes que vieram para o jantar!

O que lhe trago hoje, acontece na Mfuwe Lodge, uma pousada de cinco estrelas, na Zâmbia.
Penso que a história é mais ou menos assim: uma família de elefantes num determinado período do ano, costuma vir comer frutos (mangas) e folhas de árvores, que existem na região onde se situa a pousada. Mas, os homens construíram esta unidade hoteleira exatamente no local onde eles passavam. Os elefantes não se perturbaram por aí além, com tal facto.
Sempre na mesma altura do ano, chegam como sempre fizeram, liderados por uma matriarca de nome Wonky Tusk, atravessam o hall do Lodge e, dirigem-se para as tais árvores com o objectivo de colherem os frutos e as folhas que tanto adoram.
Depois, de barriguinha cheia, vão-se embora. E um filhote de elefante ainda tem tempo para brincar com o jeep.
É absolutamente espetacular. Ora veja lá!

quarta-feira, fevereiro 10, 2016

Doces e Outras Especialidades Carnavalescas

Nesta quarta - feira  de cinzas, apetece-me falar de doces e de outras especialidades gastronómicas carnavalescas, típicas de outras partes do mundo.
Na Colômbia, o doce típico do Carnaval é o "Enyucado", doce tradicional feito à base de mandioca (Yuca) e coco.
Mas, não podia deixar de aproveitar a oportunidade de falar no Carnaval de Barranquilla (Colômbia), considerado Património Cultural Imaterial da Unesco (2008).  Aqui o prato típico, não é um doce, e sim, o "Sancocho de guandú con carne salada" (sopa de feijão-guandu com carne salgada).
Além do ingrediente essencial que é o "guandu" (de preferência verde) a sopa leva carne salgada (peito), inhame, mandioca, banana (que lhe dá o sabor doce característico), vegetais (cebola, pimenta doce, alho, cebolinha crioula e coentros) e especiarias (cominhos, sal, pimenta) e se quiser pode adicionar torresmos. É servido com arroz branco ou de coco, bolo de mandioca e "guarapo" (nome dado a uma bebida não-alcoólica ou infusão) de panela ou sumo natural.
Este cozido guandu, muito condimentado, é considerado o prato típico do Carnaval de Barranquilla.
Em Nova Orlães (E.U.A.), o doce típico do Carnaval são as Panquecas (variante dos crepes franceses) que se servem com mel e natas.
Na Alemanha, pelo Carnaval, comem-se os típicos "Berliner Pfannkuchen" com recheio de ameixa ou morango. A partida de carnaval associada a estes doces, é fazer correr a boato de que estão recheados com mostarda.
No Carnaval de Colónia (Kölle Alaaf) fazem-se muitos caramelos para distribuir às pessoas que estão nos desfiles.
Como prato característico de Nice (França)  temos o "Ratatouille", cuja diferença principal tem a ver com a inclusão da beringela entre os seus ingredientes.
O carnaval em Espanha oferece alguns doces típicos como os "Pestiños" (fritos), em Cádiz, as tortilhas de Carnaval de Olvera e os bolos de carnaval, as rosquinhas de Carnaval, etc. Na cozinha galega são frequentes os "Freixós" (uma espécie de filhós).
Em Cádiz gostaria de destacar, também, uma especialidade culinária de carnaval que é a "Ortiguilla", uma alga marinha que se serve frita e temperada com limão.
Em Avilés nas Astúrias, serve-se o "Pote Asturiano" (o cozido típico da região) e os "Frixuelos" –que, como no caso de Nova Orleães, são uma variante dos crepes franceses.
Também na Galiza, em Verín, o menú de Entrudo ou Entroido tem o cozido como o seu prato estrela, acompanhado de rabo, orelha ou língua de porco, sem esquecer o chouriço, a morcela e "lacón" (ombro do porco).
Os doces tradicionais de carnaval são a "Bica", feita com farinha, claras de ovo, nata e anis, as "Filloas"  - de novo as panquecas – ou as chamadas "Orejas de Carnaval" – uma massa de manteiga, farinha, ovos e anis, que se fritam em azeite.
No carnaval de Lantz  (Navarra) os visitantes podem provar a "Borraja", os deliciosos "Espárragos" ou uma boa "Chuleta del Valle de Baztán".
O carnaval de Tenerife nas Canárias oferece como menú carnavalesco, as "Sopas de Miel" - confecionadas à base de pão, mel de cana, canela e  anis – ou as "Tortillas de Carnaval".
Os doces de carnaval na Itália são muitos e variados. Assim, são muito populares na Calábria e Campania o "Sanguinaccio dolce" (pastel de chocolate). Os "Castagnole" são muto típicos da Itália meridional, os "Tortelli dolci" típicos da Itália central, e ainda, uns pasteis fritos chamados "Ciambelle de Carnevale".
Ainda são dignos de nota os "Cenci", ou os "Chiacchiere" (ou Frappe, Galani, Intrigoni e Sfrappole), como exemplos de alguns dos numerosos pasteis desta época, todos eles com uma enorme popularidade, dependendo da região de Itália.
No caso do célebre carnaval de Veneza, a sua especialidade gastronómica de carnaval, também é um doce. São os chamados "Frittole", que são uns bolinhos feitos à base de leite, farinha, ovos, manteiga, uvas e pinhões; aromatizados com "grappa" (ou graspa, bebida alcoólica de origem italiana, tradicionalmente feita a partir de bagaço, que já existe desde a Idade Média) - o chamado "orujo" italiano - e fritos em azeite.

terça-feira, fevereiro 09, 2016

Marafonas e Matrafonas


A palavra "marafona" (nom. fem.) é um regionalismo que significa "boneca de trapos" (sem olhos, ouvidos, boca e nariz, constituída por uma cruz de madeira revestida de tecido colorido que lhe serve de traje); ou "mona"; (fig.) "mulher ordinária"; (regionalismo pejorativo) mulher considerada desajeitada, mal vestida ou mal cuidada", "mulher mal arranjada"; (em calão, pejorativo) "prostituta"; (outro regionalismo) "figurante masculino vestido de mulher, no Carnaval de Torres Vedras".

Esta palavra tem a variante "matrafona", mais próxima da etimologia, que contém a ideia de "mãe" (matr...) e a aproxima da "matrioska" russa. O facto de ter uma raiz "matr..." indica que a palavra é de origem indoeuropeia, não necessariamente latina. O conteúdo semântico que, por desgaste, escorrega para o tom pejorativo, indica a antiguidade da palavra.

As marafonas estão associadas ao culto da fertilidade, ao Entrudo ou à religião, em algumas regiões do nosso país.
A marafona ou matrafona (Alentejo) é uma boneca de trapos, sem olhos, nem boca, nariz ou ouvidos, vestida com um colorido traje regional. A sua armação é uma cruz de madeira revestida a tecido.
A procissão das marafonas (que eram as moças que levavam os açafates), ou do pão bento, tinha lugar em Guimarães, na igreja de Sta Clara.

Marafona - Monsanto
Em Monsanto, segundo reza a lenda, quando a aldeia estava cercada pelos mouros alguns dos seus habitantes decidiram fazer umas bonecas e pô-las a dançar nas ameias do castelo, dando a ideia de que estavam bem e felizes. Os mouros, ao ver as bonecas, decidiram levantar o cerco.

As bonecas de Monsanto, são utilizadas para celebrar a fertilidade, e a felicidade conjugal. As marafonas fazem parte da tradição de Monsanto na Festa das Cruzes, celebrada no dia 3 de Maio se for domingo, caso contrário, no domingo seguinte.

Durante a festa, as raparigas casadoiras bailam com as marafonas. Depois da festa as bonecas são deixadas em cima da cama onde têm o poder de livrar a casa das tempestades de trovoada, e de maus olhados. No dia do casamento guardam-se debaixo da cama (como não têm olhos nem orelhas nem boca, nada vêem, nada ouvem nem nada podem contar) para trazer fertilidade e felicidade ao casal.

A marafona faz parte da tradição na localidade de Podence,, no concelho de Macedo de Cavaleiros, mais propriamente na festa dos Caretos de Podence, onde a marafona é, também, uma rapariga mascarada que anda com a cara escondida por baixo de uma renda e leva um lenço à cabeça. Estas marafonas são os únicos seres que os caretos respeitam nas suas brincadeiras.

O Carnaval de Torres Vedras é das poucas festividades de carnaval que se mantêm fiéis às tradições da comemoração do Entrudo em Portugal.
Um carnaval que conta, na celebração destes dias de festa, com a participação espontânea de milhares de cidadãos.
As matrafonas (homens vestidos de mulher) desfilam no Carnaval de Torres Vedras, participando no Desfile das Matrafonas ou passeando nos espaços livres entre os carros alegóricos. O seu aspeto caricato diverte o público que muitas vezes exclama: "aquele é mesmo uma grande matrafona"!

segunda-feira, fevereiro 08, 2016

A Gastronomia e o Entrudo

O Entrudo ou Carnaval é festejado nos três dias que antecedem a Quaresma, que começa na Quarta-Feira de Cinzas e se prolonga até à Páscoa.
A gastronomia portuguesa relacionada com o entrudo é rica e variada seguindo o velho ditado: "No Entrudo come-se de tudo". Mas, nesta época festiva o porco é que é o rei.

O que nos contam os textos históricos relativamente ao Entrudomostra que o que se encontra em lugar de destaque nas mesas portuguesas são duas iguarias, a carne de porco e as filhós.
Em tempos recuados a época do Entrudo começava no Dia de Reis, a 6 de Janeiro. A partir de então, os domingos eram assinalados por festas já carnavalescas e com grandes comezainas. Daí que fossem conhecidos por Domingos Gordos. E assim ssim nasceram as feijoadas de Carnaval.

As melhores são as do Norte de Portugal, com destaque para as transmontanas, enriquecidas com o fumeiro da região. Em algumas regiões de Trás-os-Montes fazem -se as Casulas com Butelo.
Na Beira Litoral, faz-se uma feijoada com orelheira, a que se juntam muitos nabos (4 para 1 orelha) e a respectiva rama, tenrinha.
Nas Minas da Panasqueira, há uma feijoada temperada com massa de pimentão, e na qual, do porco, só se usam os pezinhos.
No Porto, fazem-se grandes feijoadas e diga-se que as tripas não seriam o que são, se lhes faltasse a saborosa leguminosa. Falta acrescentar que os açorianos juntam à feijoada ramos de funcho. Na Madeira, entre outras iguarias,  muito procurados são o cuscuz de fabrico caseiro, a sopa de trigo, e a carne de vinha-d’alhos.

Manda a tradição que a feijoada seja sempre acompanhada por arroz, e há uma explicação para o facto: o cereal melhora a qualidade das respectivas proteínas. No Norte, em princípio, o arroz é de forno, devendo ser servido no recipiente em que foi cozinhado.
Carnaval Tradicional - S. Brás de Alportel (Algarve)

O feijão chegou à Europa Ocidental em 1528 e os historiadores atribuem o feito ao Papa Clemente VII que, tendo recebido das Índias Ocidentais umas estranhas sementes em forma de rim, ordenou a um frade, Piero Valeriano, que as semeasse.


Por agora deixo-lhe uma receita de Filhós Estendidas  à moda do Alentejo (Évora) retiradas do livro: "Festas e Comeres do Povo Português" (Editorial Verbo).

Ingredientes:
1,5 kg de farinha
1 dl de azeite
1 colher de chá (bem cheia) de sal
1/2 dl de aguardente branca
sumo de 3 laranjas grandes
7 a 8 ovos
100 grs de manteiga
azeite para fritar
açúcar e canela para polvilhar

Confecção:
Peneira-se a farinha para um alguidar e escalda-se com o azeite a ferver. Depois com as mãos misturam-se o melhor possível estes dois ingredientes desfazendo os caroços que se formaram. Faz-se uma cova no meio da farinha e deitam-se aí 1 dl de água tépida onde se desfez o sal, a aguardente, o sumo das laranjas e 3 ovos.
Começa então a amassar-se juntando os ovos à medida que a massa os vai obsorvendo. Quando se considerar que a massa está pronta, isto é, quando a massa estiver elástica e não se pegar ao alguidar, junta-se a manteiga e mistura-se bem. Tapa-se a massa com um pano e deixa-se repousar durante 2 horas, pelo o menos.
Depois, com o rolo e o mínimo de farinha estendem-se as filhós e cortam-se em rectângulos ou circunferências com a ajuda de uma carretilha. No centro de cada filhó dão-se 4 golpes que não deverão atingir os bordos da massa. À medida que se vão estendendo e cortando, colocam-se as filhós sobre um pano ligeiramente empoado de farinha, ou melhor, para evitar que as filhós sequem, devem, na medida do possível, ir-se fritando em azeite bem quente.
Há diversas maneiras de pegar nas filhós para as fritar no azeite. A mais corrente consiste em introduzir os dedos nas tiras formadas pelos golpes. Assim: passam-se os dedos da mão direita na 1.ª e 3.ª tiras deixando cair a 2.ª e a 4.ª que serão amparadas com a mão esquerda.
Depois de fritas e louras, escorrem-se as filhós sobre papel absorvente. Polvilham-se com o açúcar e canela ou passam-se por uma calda de mel como se faz no caso das filhós da Beira Baixa.

* No Alentejo, nomeadamente em Évora, é costume fazer estas filhós na Quinta-Feira das Comadres em quantidade suficiente para os três dias do Carnaval. Ainda não há muitos anos, os amigos e os vizinhos mascaravam-se e visitavam-se uns aos outros para comerem as Filhós e outros fritos, acompanhados de Licores caseiros ou de Vinho Fino (Vinho do Porto).

Sugiro-lhe que veja um vídeo (TV Barroso) que nos mostra um outro tipo de Filhós. São as Filhoses de Entrudo de Montalegre que continuam a ser tradição na Região d3 Barroso.

domingo, fevereiro 07, 2016

O Entrudo: Pitões das Júnias


Pitões das Júnias
é uma das mais tradicionais e pitorescas aldeias portuguesas.
Situa-se no Parque Nacional da Peneda-Gerês, no concelho de Montalegre.
A elevada altitude da sede de freguesia (1103 m) torna-a uma das mais altas aldeias de Portugal, a par de Gralheira na Serra de Montemuro.

A 1200 metros de altitude, com as fragas e picos do Gerês a poente e noroeste, e o planalto da Mourela a nascente e nordeste, Pitões das Júnias é uma das aldeias mais visitadas do concelho de Montalegre.
Além da fauna e da flora riquíssima, oferece outros pretextos para um passeio, concentrados no percurso pedestre de quatro quilómetros - percorridos em cerca de 1h30 - entre o cemitério e o centro da aldeia.
É uma aldeia interessantíssima e que vale a pena visitar porque, entre outras coisas, tem conseguido manter o aspecto medieval e as construções em pedra.

A sua origem confunde-se com a do Mosteiro de Santa Maria das Júnias, localizado num vale isolado, consagrado à Senhora das Unhas que acabou por se tornar Senhora das Júnias.
O ano de 1147 será a data provável da fundação do mosteiro das Júnias, como atesta a data gravada no muro da igreja. Sabe-se que a incorporação na importante Ordem de Cister ocorreu no séc. XIII, sendo este o estabelecimento cisterciense mais isolado que se tem conhecimento.
Pitões das Júnias perpetua tradições que não se encontram em mais nenhum local. Uma das tradições que mantém é a do Entrudo, com os seus Caretos e Farrapões.

No fim de semana e durante quatro dias, Pitões das Júnias promove, um Entrudo à moda antiga.
Uma aldeia tipicamente portuguesa que mantém preservado um legado etnográfico e gastronómico muito próprio.

Se puder vá até lá e participe no Entrudo, veja os seus Caretos e Farrapões e prove a Sopa d'Unto, os enchidos, o pão cozido a lenha e o Cozido Transmontano.

Não perca estas imagens da TV Barroso que contam o Entrudo de Pitões das Júnias. Com uma ressalva: Não são ainda as deste ano,  referem-se a um tempo em que a não existência de "tolerância de ponto" na 3º feira de de Carnaval roubou muita gente às festividades do país todo. Este ano não é assim.
Portanto... é só pensar em rumar a Pitões das Júnias!

sábado, fevereiro 06, 2016

Crazy

Oiça Diana Krall, Willie Nelson e Elvis Costello em "Crazy".
Diana  Krall (1964) é uma popular cantora e pianista de jazz de origem canadiana.
Willie Nelson (1933) é um cantor e compositor de música country, escritor, ator, poeta e ativista americano. Foi considerado o 77º melhor guitarrista de todos os tempos pela revista norte-americana Rolling Stone.
Elvis Costello, nome artístico de Declan Patrick Aloysius MacManus (1954) é um cantor, compositor e músico britânico. Fez parte do cenário pub rock britânico de meados dos anos 70, e mais tarde esteve associado aos estilos de punk rock e new wave antes de se estabilizar como uma voz única e original nos anos 80. O seu alcance musical é impressionantemente amplo.
Oiça-os, então, no inesquecível tema de Patsie Cline "Crazy".

sexta-feira, fevereiro 05, 2016

Teatro da boneca

A menina tinha os cabelos louros.
A boneca também.
A menina tinha os olhos castanhos.
Os da boneca eram azuis.
A menina gostava loucamente da boneca.
A boneca ninguém sabe se gostava da menina.

Mas a menina morreu.
A boneca ficou.
Agora também já ninguém sabe se a menina gosta da boneca.

E a boneca não cabe em nenhuma gaveta.
A boneca abre as tampas da todas as malas.
A boneca arromba as portas de todos os armários.
A boneca é maior que a presença de todas as coisas.
A boneca está em toda parte.
A boneca encha a casa toda.

É preciso esconder a boneca.
É preciso que a boneca desapareça para sempre.
É preciso matar, é preciso enterrar a boneca.

A boneca.

A boneca.
Carlos Queirós

quinta-feira, fevereiro 04, 2016

A Lancheira

A "Lancheira" é um filme indiano que mistura drama e gastronomia de forma inusitada.
A primeira longa-metragem do indiano Ritesh Batra narra-nos uma história de amor a partir de um propósito algo documental – a observação do curioso trabalho dos "dabbawallahs".
Os "dabbawalas" da cidade de Bombaim, Índia, são uma comunidade de 5000 homens que diariamente transporta em bicicletas centenas de marmitas, das casas aos locais de trabalho, na labiríntica paisagem urbana Bombaim.
É uma profissão hereditária, com mais de um século de existência, transmitida de pais para filhos, que assegura diariamente aos maridos trabalhadores a degustação de refeições quentes e caseiras confeccionadas pelas esposas.  Os  "dabbawalas" regressam mais tarde com as lancheiras vazias para as devolver às respectivas casas.
A entrega das lancheiras ou marmitas é feita por analfabetos que usam um complexo sistema de código, com cores e símbolos, para as entregar aos seus devidos donos. Um estudo da Universidade de Harvard, nos EUA, demonstrou que apenas uma em cada quatro milhões de lancheiras é extraviada e entregue na morada errada.
Esta história alicerça-se, por isso, nesse engano improvável. Mas, o filme oferece, em primeiro lugar, um detalhado retrato de Bombaim e do seu estilo de vida, do papel subjugado da mulher naquela sociedade, da confusão dos transportes decrépitos e sobrelotados, da pobreza dos habitantes, das ruas caóticas e barulhentas por onde diariamente circulam os dabba no seu ofício.
Sinopse:
Saajan (Irrfan Khan) é um contabilista viúvo e muito solitário que todos os dias se esforça para iniciar os seus dias. Ila (Nimrat Kaur), por seu lado, é uma jovem mulher desprezada que deseja reconquistar o marido e que, com amor e dedicação, lhe cozinha os pratos mais saborosos, certa que ele a voltará a amar. Certo dia, devido a um fatídico erro de troca de lancheiras, Saajan recebe a refeição que Ila cuidadosamente preparou para o marido. Quando ela percebe o sucedido, escreve-lhe um bilhete a pedir desculpa. Ele responde, agradecido. Dá-se assim início a uma troca de bilhetes e confissões de parte a parte que se vai desenvolvendo em algo cada vez mais profundo.
Este filme (2013), sobre a mágoa e a esperança numa vida melhor, escrito e realizado pelo estreante Ritesh Batra, foi apresentado na Semana da Crítica do Festival de Cinema de Cannes.
Se quiser ver o filme basta clicar aqui, entretanto veja o que a Euronews (a Euronews, a rede de notícias internacionais de maior audiência na Europa) tem a dizer sobre "A Lancheira"

quarta-feira, fevereiro 03, 2016

Ganchas de S. Brás

O dia 3 de fevereiro é dedicado a São Brás. Aqui lhe deixo mais uma receita da gastronomia tradicional portuguesa, associada a uma lenda religiosa.
Em Vila Real manda a tradição que os rapazes ofereçam, neste dia, a gancha às raparigas. Mas elas ficam em dívida. A 13 de dezembro, dia de Santa Luzia, terão de dar-lhes o pito. Uma tradição que começou por ser religiosa e que com o tempo ganhou cariz popular.
Esta tradição repete-se ano após ano e não dispensa uma boa dose de brejeirice.
A gancha é um doce típico de Vila Real em forma de bengala, inspirado no báculo de São Brás, que foi bispo, e é feito com açúcar e água.
São Brás (264 - 316) foi um mártir, bispo e santo católico que viveu entre o séculos III e IV na Arménia. São Brás, é o padroeiro das doenças da garganta.
Reza a lenda que "Uma criança estava engasgada com uma espinha na garganta e não havia maneira de lha tirarem. Então, São Brás usou uma espécie de gancha feita de açúcar e meteu-lha na boca. A criança colaborou porque a gancha era doce e conseguiu tirar-lhe a espinha. A partir daí ficou a tradição da gancha".
Não se sabe quando começou a tradição das Ganchas de S. Brás em Vila Real, no entanto, se passar por lá hoje há-de verificar que esta tradição ainda se mantém. Agora aqui vai a receita.
Ingredientes:
Açúcar
Água
Limão q.b. (opcional)
Preparação:
Deitam-se todos os ingredientes num tacho que se leva ao lume para se obter o ponto de rebuçado.
Deita-se o preparado num tabuleiro untado com manteiga e deixa-se arrefecer um pouquinho.
Com as mãos forma-se então uma gancha. Depois decore-as com papéis coloridos.
Entretanto, confira no vídeo abaixo, como é que se fabricam, em Vila Real, as Ganchas de S. Brás.

terça-feira, fevereiro 02, 2016

Dois de Fevereiro

Oiça Dorival Caymmi, em "Dois de fevereiro".
Já agora fique a saber que dia 2 de Fevereiro é dia de Yemanjá. Yemanjá é o orixá africano do povo Egba divindade das águas doces e salgadas. É também conhecida no Brasil pelos epítetos Iyá Ori, Mãe d'água, Rainha do Mar, Sereia, Inaê, Aiucá, ou Maria princesa do Aioká, sendo por vezes confundida com o Nkisi Ndanda Lunda e a entidade Mami Wata. É conhecida popularmente como Dona Janaína.
Manifesta-se aos iniciados nos seus mistérios (eleguns) ou médiuns através de possessão ou transe, ato em que os orixás nas palavras de R. S. Barbara: "vêm para dançar e mostrar os seus poderes, representando em gestos as suas ações míticas".
Em homenagem a Yemanjá foi lançado em dezembro de 2010, no Brasil, um DVD com uma hora de duração e que celebra Iemanjá, a rainha do mar, segundo as religiões de matriz africana.
No palco, Daúde, Margareth Menezes, Martinália, Luciana Mello, Rosa Marya Colyn e Paula Lima, negras de diferentes gerações e estilos, representam os sete arquétipos da iyabá (o mito, a mulher).
A lenda de Yemanjá é contada no decorrer do vídeo por Mãe Railda, sacerdotisa do Ilê Axé Opô Afonjá - Ilê Oxum, de Brasília, intercalando os solos e duetos das cantoras. Entre as músicas mais conhecidas estão "Conto de Areia", composta por Toninho Nascimento e Romildo Bastos; "Arrastão", de Edu Lobo e Vinícius de Morais; e "Caminhos do Mar", de Dudu Falcão.
O show foi realizado em Brasília, em agosto de 2010. O momento mais emocionante foi o do encerramento, vídeo, abaixo, quando as sete divas interpretaram, juntas, as canções "Lenda das Sereias", de Vicente, Dionel e Veloso; e "Dois de Fevereiro", de Dorival Caymmi - todas em homenagem a Iemanjá.
Vale a pena conferir! Ora veja.

segunda-feira, fevereiro 01, 2016

"O Silêncio" na Sala do Capítulo do Mosteiro da Batalha

Em 27 de Julho de 2014, assinalou-se o aniversário do último dia de paz na Europa antes do início da Primeira Grande Guerra, e uma onda musical propagou-se a todo o mundo.
Sob proposta da Itália e a partir de uma ideia do jornalista e escritor Paolo Rumiz, nesse mesmo dia, trompetistas das numerosas nações envolvidas no conflito, entoaram o toque militar do "Silêncio", recordando todos os que tombaram nesta guerra.
Uma homenagem expressa na única língua universalmente aceite e reconhecida: a música.
Embora pouco divulgada em Portugal, esta iniciativa revestiu-se de uma carga simbólica que a todos emocionou, nessa celebração do último dia de uma paz tragicamente interrompida.
Aqui deixo à vossa atenção, dois vídeos onde poderão visualizar o toque do  "O Silêncio" como forma de assinalar esta efeméride.
No primeiro ouvimos "O Silêncio" na Sala do Capítulo do Mosteiro da Batalha.
A Sala do Capítulo é um salão encontrado em mosteiros, conventos, colegiadas ou catedrais onde era realizado o capítulo, ou seja, as reuniões entre os monges ou cónegos com os seus superiores, como abades, priores ou deões.
Nestas assembleias podiam ser discutidas tanto as regras da ordem como questões relacionadas com a administração do mosteiro.
Nos mosteiros, as salas do capítulo eram frequentemente de nobre arquitetura e encontravam-se junto aos claustros. Em Portugal, grandes exemplos de salas capitulares medievais podem ser vistos no Mosteiro da Batalha (onde se realizou este evento) e no Mosteiro de Alcobaça.
É absolutamente arrepiante. Não perca!
No segundo vemos " O Silêncio" noutras partes do mundo.