domingo, novembro 11, 2012

Os Magustos e as Castanhas

Hoje dia de S. Martinho, é dia de se  ir à adega provar o vinho novo e comer castanhas assadas. É também dia de se realizarem por esse país fora, os célebres Magustos. O Magusto é uma festa popular, cujas formas de celebração divergem um pouco consoante as tradições regionais. Em síntese, as famílias ou grupos de amigos juntam-se à volta de uma fogueira onde se assam castanhas ou bolotas. Acompanham-se as castanhas ou as bolotas assadas com jeropiga, água-pé ou vinho novo. Nalgumas localidades, as pessoas enfarruscam-se com as cinzas, cantam algumas cantigas ou fazem brincadeiras. Estas celebrações acontecem não só em Portugal, mas também na Galiza (onde se chama magosto) e nas Astúrias. O antropólogo José Leite de Vasconcelos, considerava o magusto como o vestígio de um antigo sacrifício em honra dos mortos e referia que em Barqueiros era tradição preparar, à meia-noite, uma mesa com castanhas para os mortos da família irem comer; ninguém mais tocava nas castanhas porque se dizia que estavam “babadas dos defuntos”. A celebração do magusto está, também, associada a uma lenda. Esta dizia que um soldado romano (conhecido por Martinho de Tours), ao passar a cavalo por um mendigo quase nu, como não tinha nada para lhe dar, cortou a sua capa ao meio com a espada; estava um dia chuvoso e diz-se que, nesse preciso momento, parou de chover, derivando daí a expressão: "Verão de São Martinho".
A castanha que comemos é, de facto, uma semente que surge no interior de um ouriço (o fruto do castanheiro). Consideradas, actualmente, quase como uma “guloseima” de época, as castanhas, em tempo idos, constituíram um nutritivo complemento alimentar, substituindo o pão na ausência deste, quando os rigores e escassez do Inverno se instalavam. Cozidas, assadas ou transformadas em farinha, as castanhas sempre foram um alimento muito popular, cujo aproveitamento remonta à Pré-História. Presume-se que a castanha seja oriunda da Ásia Menor, Balcãs e Cáucaso, tendo acompanhado a história da civilização ocidental desde há mais de 100 mil anos. Os gregos e os romanos colocavam castanhas em ânforas cheias de mel silvestre. Este conservava o alimento e impregnava-o com o seu sabor. Os romanos incluíam a castanha nos seus banquetes. Durante a Idade Média, nos mosteiros e abadias, monges e freiras utilizavam frequentemente as castanhas nas suas receitas. Por esta altura, a castanha, era moída, tendo-se tornado mesmo um dos principais farináceos da Europa. Com o Renascimento, a gastronomia assume novo requinte, com novas fórmulas e confecções. Surge o "marron glacé", que passou da França para a Espanha e daí, com as Invasões Francesas, para Portugal.

Sem comentários: