sábado, julho 30, 2011

Panteísmo

Tarde de brasa a arder, sol de verão
Cingindo, voluptuoso, o horizonte…
Sinto-me luz e cor, ritmo e clarão
Dum verso triunfal de Anacreonte!

Vejo-me asa no ar, erva no chão,
Oiço-me gota de água a rir, na fonte,
E a curva altiva e dura do Marão
É o meu corpo transformado em monte!

E de bruços na terra penso e cismo
Que, neste meu ardente panteísmo
Nos meus sentidos postos e absortos

Nas coisas luminosas deste mundo,
A minha alma é o túmulo profundo
Onde dormem, sorrindo, os deuses mortos!
Florbela Espanca - Charneca em Flor

sexta-feira, julho 29, 2011

Não há só tangos em Paris

"Não há só tangos em Paris" é um dos temas do último disco de Cristina Branco, uma cantora portuguesa nascida em 1972.
Cristina Branco, aos 18 anos passou a ter por Amália uma profunda admiração quando o avô lhe ofereceu o disco "Rara e Inédita". Mas, foi num jantar de amigos que cantou fado pela primeira vez, embora não se considere fadista.
A cantora grava "Cristina Branco Live in Holland" em 1996. Foi com este cd que tudo começou.
O disco "Murmúrios" foi editado na Holanda e reúne 14 temas. Há ali fados tradicionais como "Abandono" (imortalizado por Amália, com texto de David Mourão-Ferreira) a versões de Sérgio Godinho "As certezas do meu mais brilhante amor" ou José Afonso "Pomba branca". Em 1999, recebeu o Prix Choc da revista "Le Monde de la Musique" pelo melhor CD de música tradicional.
Em Fevereiro de 2000 sai o álbum "Post-Scriptum" (título de um poema de Maria Teresa Horta). Conquistou o Prix Choc, deste vez para o melhor álbum do mês de Março, em França.
Na Holanda foi editado o disco "Cristina Branco Canta Slauerhoff", o segundo desse ano, com textos do poeta holandês J. J. Slauerhoff (1898-1936). A tradução dos textos foi de Mila Vidal Paletti e a música de Custódio Castelo. O disco foi como que uma prova de agradecimento de Cristina Branco, ao país que lhe abriu as portas do sucesso, embora ali nunca tenha vivido.
O sexto álbum de Cristina Branco, com o título "Sensus" foi editado em 2003. A música é assinada por Custódio Castelo. O álbum conta com letras de David Mourão-Ferreira, Vinícius de Moraes, Chico Buarque, Eugénio de Andrade, Camões e Shakespeare, entre outros. "Ulisses" é o nome do disco seguinte, editado em 2005.
A cantora começa o ano de 2007 com vários espectáculos de revisitação à obra de José Afonso. Lança o álbum "Abril". Em 2009 é editado o disco "Kronos", o primeiro sem a colaboração de Custódio Castelo. Em 2011 lança o álbum "Não há só tangos em Paris", escolhendendo como música de apresentação, o tema com o mesmo nome do álbum.

quinta-feira, julho 28, 2011

10 Mitos da Língua Portuguesa


Sugiro-lhe que veja com cuidado este pequeno vídeo. Sandra Duarte Tavares fala-nos dos 10 maiores mitos da Língua Portuguesa. Ajuda-nos a corrigir alguns eventuais erros ou a tirar dúvidas acerca da nossa língua mãe. É aconselhável tanto para miúdos como para graúdos.

quarta-feira, julho 27, 2011

terça-feira, julho 26, 2011

Kalumba

Kalumba foi mais um dos grandes sucessos do cantor angolano (dos anos 60/70) Sofia Rosa. No tema "kalumba", Sofia Rosa louva a beleza da mulher.
Ouça-o lá agora!

segunda-feira, julho 25, 2011

Maria Diapambala

Esta é uma pequena homenagem a uma das figuras mais interessantes, da música angolana de meados do século XX. Sofia Rosa era dotado de uma voz inesquecível e cheia de swing. Dela sobraram alguns registos em disco. Aqui fica um deles. Maria Diapambala é uma canção de (Fernando) Sofia Rosa cantor angolano dos anos 60/70.
Em 1963, Sofia Rosa, integra como cantor o agrupamento Teatral Ngongo, fundado por José de Oliveira Fontes Pereira. Participa numa digressão do grupo a Portugal e grava para a televisão. O seu primeiro "single" foi gravado em 1970, seguindo-se depois sete, todos pela Valentim de Carvalho. Sofia Rosa foi um dos melhores criadores e intérpretes da música em língua nacional kimbundu, traduzindo o pulsar da vida da gente pobre.
O dia a dia, as lamúrias proferidas pelas gentes das sanzalas, bairros e musseques, o sentimento do amor e perseverança estão contidos nos seus trechos que transportam o público para o mundo da saudade nas aguarelas angolanas, no dia do trabalhador, nas kutonocas e nas farras onde Sofia Rosa arrastava multidões. Sofia Rosa esteve também vinculado aos Corvos, mas todo o seu talento artístico veio à tona com "Os Astros" com quem gravou "Kalumba" e "Ngue Xile Ku Tunda Bu Sambila".
Sofia Rosa morreu, em 1975, numa época de instabilidade e em circunstâncias estranhas.
Ouça-o agora em Maria Diapambala.

domingo, julho 24, 2011

Back To Black

A famosa cantora britânica Amy Winehouse, foi encontrada morta, ontem, na sua casa. Esta cantora de ar frágil e voz de diva soul, morreu após uma vida marcada por excessos devidos ao seu envolvimento com drogas e álcool.
Amy estudou em várias escolas artísticas e ouviu com insistência Madonna, TLC, Salt N´Pepa, Mos Def, Beastie Boys, mas também Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan, o que explica em parte o ecletismo da sua música, que convoca o jazz, o hip hop, a soul e o r&b.
Amy Winehouse nasceu em Londres no dia 14 de Setembro de 1983 e lamentavelmente deixa-nos com apenas 27 anos, a mesma idade com que morreram outros ícones da música como Jimi Hendrix, Kurt Cobain, Jim Morrison, Brian Jones (ex-Rolling Stones) e Janis Joplin.